EMPRESAS

Guerra entre aéreas chega ao fim com novo acordo

Divulgação / Emirates Airlines
Tanto Emirates quanto Etihad, no novo acordo, aceitariam abrir seus livros contábeis
Tanto Emirates quanto Etihad, no novo acordo, aceitariam abrir seus livros contábeis

Parece que finalmente chegou ao fim a longa disputa entre as aéreas estadunidenses e as árabes, estas acusadas de receberem subsídios bilionários há anos de governos dos países do golfo. Após o Catar assinar, no início deste ano, um acordo de céus abertos com os Estados Unidos - o que inclui a divulgação financeira e os requisitos contábeis por parte da Qatar -, nesta semana foi a vez dos Emirados Árabes Unidos (EAU) firmarem uma aliança semelhante com o país norte-americano, após meses de negociações e resistência das companhias Emirates e Etihad.

Segundo informações do Travel Weekly, o acordo foi assinado em sigilo pela Secretária de Estado Adjunta dos EUA, Manisha Singh, e pelo embaixador dos Emirados nos Estados Unidos, Yousef al-Otaiba. O Departamento de Estado, a Embaixada dos Emirados e um representante das companhias aéreas dos Estados Unidos se recusaram a comentar, e de acordo com a reportagem a Associated Press obteve o texto do acordo, conhecido como "registro de discussão".

A aliança deve ser anunciada nesta segunda-feira (14), quando o ministro das Relações Exteriores dos Emirados visitará Washington, segundo um funcionário do Departamento de Estado que não estava autorizado a falar com os repórteres sobre o acordo e pediu anonimato.

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A Etihad estaria com dificuldades financeiras segundo a Forbes, e ainda dependeria dos subsídios estatais para continuar operando.
A Etihad estaria com dificuldades financeiras segundo a Forbes, e ainda dependeria dos subsídios estatais para continuar operando.

COMO FICA
A linguagem do acordo teria sido cuidadosamente elaborada para permitir que tanto as companhias aéreas dos Emirados quanto as dos EUA pudessem reivindicar uma "vitória" no caso. Nele, a Emirates, sediada em Dubai, e a Etihad Airways, baseada em Abu Dhabi, concordariam em abrir voluntariamente seus livros contábeis, publicando demonstrações financeiras anuais "consistentes com os padrões contábeis internacionalmente reconhecidos". As grandes transportadoras norte-americanas - Delta, American Airlines e United - há muito alegam que essas finanças obscurecem bilhões em subsídios oferecidos pelo governo dos Emirados.

O texto, porém, foi considerado ambíguo pela reportagem. Por um lado, apoia o pedido das aéreas dos Estados Unidos, afirmando "que tal apoio governamental, seja qual for a forma, pode afetar negativamente a competição no fornecimento de transporte aéreo internacional" - se referindo, no caso, aos subsídios oferecidos pelos governos árabes. Por outro, em um segundo trecho teria dito exatamente oposto: "As delegações afirmaram que o apoio do governo em qualquer forma - incluindo políticas, práticas e regras - não é incomum nem necessariamente problemático no setor de aviação global".

A ideia é que com as finanças das aéreas árabes abertas e transparentes, subsídios considerados injustos deixem de ser oferecidos pelos dois governos do Golfo Pérsico. Resta aguardar um pronunciamento oficial tanto dos Estados Unidos quanto dos Emirados Árabes Unidos com informações mais claras sobre como funcionará o novo acordo.


*Fonte: Travel Weekly

conteúdo original: https://bit.ly/2Ifh8Rm
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