Crise política e altos custos atrapalham aviação na Am. Latina

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Foi o 16ª edição do Alta Airline Leaders Forum, que acontece em Brasília, que a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) escolheu para divulgar as atualizações sobre os desenvolvimentos regionais na América Latina. Segundo o vice-presidente regional da Iata, Peter Cerda, a aviação na América Latina contribui com US$ 156 milhões para o PIB e fomenta 7,2 milhões de empregos. Além disso, conecta a região a 160 cidades em todo o mundo, oferecendo conexões importante para os negócios, Turismo e as pessoas.

Antonio Maciel
Peter Cerda, da Iata
Peter Cerda, da Iata

Porém, o setor enfrenta situações comerciais difíceis, tanto em nível regional, quanto global, provocadas pelo clima político geral e pelas guerras comerciais. O indicador RPK (passageiros por km pagos transportados) da América Latina aumentou 3,4% em agosto de 2019, em relação ao ano anterior. Enquanto o indicador FKT (toneladas de cargas por km) não teve alteração. De acordo com a Iata, com os custos operacionais na região, a lucratividade continua sendo um dos principais desafios. "Os estudos mostram que a longo prazo o tráfego de passageiros na região deve continuar com crescimento anual de aproximadamente 4,1%. Para isso, precisamos de estabilidade política, mesmo que recentemente não tenhamos provas que isso será possível", ponderou Cerda.

Durante sua fala, Cerda destacou a grande importância do apoio dos governos dos países da América Latina para a redução de custos, uma vez que a região é uma das que possuem altos custos operacionais, com altos impostos, taxas governamentais e prestadores de serviços. "Por exemplo, não é possível que, no Brasil, o combustível para aviação seja um dos mais caros do mundo devido a falta de concorrência na cadeia de valor".

Outros pedido refere-se a infraestrutura. "Considerando que o número de passageiros deve dobrar na região, nos próximos 20 anos e que todos os principais hubs já estão saturados, é preciso que as autoridades tenham esse assunto com prioridade", disse o executivo.

Por fim, a Iata falou sobre a regulamentação. A aviação é um setor global, e por isso, existem normas globais para tratar de assuntos como direitos do consumidor, como a Convenção de Montreal 1.999. "O Brasil precisa se alinhar às normas globais de responsabilidade das companhias aéreas, principalmente em termos de atrasos e cancelamentos de voos, quando estão fora do controle da empresa. As aéreas que operam no País continuam enfrentando um número excessivo de ações judiciais, resultando em danos financeiros punitivos por atrasos de voos que estão fora do seu controle. Essa prática é injusta e aumenta consideravelmente o custo da viagem para todos", finalizou.

Por Antônio Maciel, especialmente para o Portal PANROTAS
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