Latam recebe ofertas de mais de US$ 5 bi e prevê volta à rentabilidade

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Reprodução/Facebook/Latam Airlines
O Grupo Latam Airlines, em recuperação judicial desde 2020, anunciou ter recebido ofertas de financiamento de mais de US$ 5 bilhões cada. A empresa também divulgou previsão e retorno à rentabilidade aos níveis anteriores à crise até 2024. As ofertas recebidas para o plano de saída do Capítulo 11, segundo a empresa, confirmam a confiança do mercado no plano de negócios da Latam. O plano de negócios considera a recuperação da demanda, o plano de frota e as projeções financeiras e operacionais para 2026, entre outras informações.

O anúncio, ainda segundo comunicado da Latam, “é uma das etapas finais antes da apresentação do Plano de Reorganização da Latam”. A recuperação envolve o Latam Airlines Group S.A. e algumas de suas afiliadas devedoras no Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos e Peru. Além de voltar à rentabilidade em três anos, a Latam quer, até 2026, aumentar o resultado operacional em 78% com relação ao período pré-pandêmico.

A Latam não precisou quantas ofertas recebeu, mas disse que foram “várias ofertas de seus principais credores e acionistas majoritários, fornecendo cada uma mais de US$ 5 bilhões de novos fundos”.

PLANO DE NEGÓCIOS
Em relação à capacidade projetada (ASKs) no plano de recuperação, o grupo espera retornar aos níveis pré-pandêmicos em 2024 e ter um crescimento de 7% até 2026, em relação a 2019, em função da esperada recuperação do mercado doméstico até 2022 e do internacional até 2024.

A recuperação é apoiada pelo aumento operacional no mercado doméstico da Latam Airlines Brasil até o momento, que atingiu a capacidade (medida em ASK) de 77% em agosto, em relação a 2019, e deve ultrapassar 100% em relação a 2019 no início de 2022.
Já o mercado doméstico das afiliadas na Colômbia, Equador, Peru e Chile atingiu 72% em agosto, enquanto a recuperação internacional do grupo, tanto os voos curtos na região quanto os longos, continua a ser afetada por restrições de viagens em diversos países.

Em relação a 2019, a receita total deve crescer 13% até 2026, enquanto as receitas de passageiros e de cargas devem crescer 8% e 59%, respectivamente.

“As iniciativas de redução de custos durante o processo de Capítulo 11, incluindo mais eficiência por meio da transformação digital, renegociação com fornecedores e reestruturação da frota, somam mais de US$ 900 milhões por ano e têm permitido à Latam modificar estruturalmente a sua base de custos”, continua o comunicado.

Os custos de frota, sozinhos, representam mais de 40% da economia de caixa anual em comparação com 2019. O grupo também espera melhorar seu CASK (custo por ASK) de passageiros exceto combustível que, antes do impacto da inflação, está estimado em US$ 3,3 centavos para 2024, com algumas operações domésticas ainda menores. A Latam também diz ter conseguido variar os seus custos, de 65% em 2019 para 80% em 2021-2022, o que lhe permitirá uma melhor adaptação à recuperação não linear da demanda.

Apenas os custos da frota indicam uma economia anual de custos de caixa de mais de 40% em comparação com 2019.
A LATAM projeta uma margem operacional (EBIT) de 11,2% em 2026, a maior desde 2010.

Divulgação/Latam
Roberto Alvo, CEO do Grupo Latam
Roberto Alvo, CEO do Grupo Latam
“Apesar da crise dramática que enfrentamos, aproveitamos ao máximo a nossa reestruturação, não apenas nos tornando substancialmente mais eficientes, mas também consolidando uma proposta de valor melhor para os clientes, o que tem sido reforçado pelo grande interesse que recebemos em conceder financiamento de saída”, afirma Roberto Alvo, CEO da Latam Airlines. “Sairemos desse processo como um grupo de companhias aéreas altamente competitivo e sustentável, com uma estrutura de custos muito eficiente, ao mesmo tempo em que manteremos a malha aérea e a conectividade incomparáveis que a Latam oferece em todos os mercados em que atua”.

PEDIDO DE EXTENSÃO
A Latam também entrou com uma moção que visa estender o período de exclusividade para apresentar o seu plano de reorganização até 15 de outubro de 2021 e solicitar a aprovação do mesmo plano até 15 de dezembro de 2021. “As extensões solicitadas promoverão o desenvolvimento de um plano de reorganização que satisfaça o capital de saída da Latam e as suas necessidades de financiamento e auxilia nas negociações com as várias partes interessadas no Capítulo 11.”

CHAPTER 11
Atualmente, a Latam diz estar negociando com várias partes interessadas para chegar a um acordo sobre um plano de reorganização e de financiamento de saída para emergir de forma bem-sucedida do Capítulo 11 em conformidade com todas as leis aplicáveis.
Nos últimos meses, como parte do processo do Capítulo 11, a Latam desenvolveu e disponibilizou certas informações materiais não públicas às partes interessadas que estão sob acordos de confidencialidade. Essas informações incluem projeções de cinco anos e uma estimativa inicial (com cenários de alto e baixo) do total de sinistros. Essa estimativa inicial totaliza aproximadamente US$ 8 bilhões no cenário baixo (US$ 14,2 bilhões incluindo reclamações entre companhias) e US$ 9,9 bilhões no cenário alto (US$ 16 bilhões incluindo reclamações entre companhias).

Em relação a essas negociações, a Latam apresentou uma proposta de estrutura indicativa para sua reorganização por US$ 5 bilhões de financiamento de capital e contemplou um plano acordado entre os grupos de interesse que incluía, entre outras coisas, o compromisso de certos direitos e compliance tanto com o Código de Falências dos Estados Unidos quanto com a legislação chilena.

A Latam disse que continuará discutindo as propostas com os proponentes e outras partes interessadas, algumas das quais concordaram em permanecer sob acordos de confidencialidade. “A Latam busca garantir que qualquer estratégia de saída lhe permita emergir com uma estrutura de capital robusta, liquidez adequada e capacidade de executar com sucesso o seu plano de negócios. Qualquer plano será implementado de acordo com os requisitos aplicáveis do Código de Falências dos Estados Unidos e da lei chilena.”

Em 31 de julho de 2021, a Latam reportou uma liquidez de aproximadamente US$ 1,9 bilhão, que considera US$ 1,1 bilhão em caixa e US$ 800 milhões em financiamento DIP não sacado.

O financiamento existente do DIP (debtor-in-possession) da Latam prevê uma possível terceira parcela adicional ("Tranche B") de financiamento garantido de até US$ 750 milhões, além das linhas existentes de US$ 1,3 bilhão na Tranche A e de US$ 1,15 bilhão na Tranche C, cujos recursos não foram integralmente sacados até o momento. “Dadas as atuais condições de mercado favoráveis, a Latam está solicitando manifestações de interesse de potenciais financiadores de uma linha de crédito sob a Tranche B e irá considerar propostas para determinar se pode acessar fundos a uma taxa mais competitiva do que as linhas de crédito existentes das Tranches A e C.”
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