O que sabemos sobre a super holding de Gol e Avianca

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A brasileira Gol e a colombiana Avianca anunciaram ontem (11), por meio dos acionistas controladores das empresas, a criação do Grupo Abra, holding que reunirá as duas empresas. O acordo deve transformar o conglomerado, que conta ainda com mais duas companhias aéreas (Viva Air e Sky Airline), em um dos líderes da região em capilaridade e oferta.

Divulgação/Gol
As companhias envolvidas na aliança permanecem com seus acordos individuais válidos
As companhias envolvidas na aliança permanecem com seus acordos individuais válidos
Com muitas perguntas ainda a serem respondidas, a PANROTAS já tem alguns detalhes e colheu opiniões a respeito da aliança que deve impactar o mercado aéreo em todo o continente. Na lista abaixo, veja o resumo do que já se sabe da fusão e da criação da holding Abra.

INDEPENDÊNCIA DAS MARCAS
Embora as companhias passem a ser controladas por um mesmo grupo, elas continuarão operando de forma independente, mantendo suas respectivas marcas, culturas, contratos e até parcerias individuais.

Dessa maneira, tanto a empresa colombiana sustenta sua posição entre as companhias da Star Alliance, como a Gol segue sendo uma das principais parceiras da American Airlines no continente. Essa autonomia vale também para a Viva Air, da Colômbia, e Sky Airline, do Chile.

"As alianças permanecem inalteradas e não serão afetadas por esta parceria", garantiu a Gol, em resposta a demanda do Portal PANROTAS.

A negociação é vista, dentro das empresas, como um movimento dos acionistas. Por isso, nenhum executivo das companhias deu entrevistas ou fez declarações a respeito.

GIGANTE NO CONTINENTE
O objetivo da fusão é de, juntas, as aéreas serem a base de uma malha pan-latinoamericana, "com o menor custo unitário em seus respectivos mercados, os programas de fidelidade líderes em suas regiões e outros negócios sinérgicos", conforme garante a nota enviada pelas companhias.

Juntas, as empresas que integram a parceria atendem 24 países: Argentina, Curaçao, Peru, Aruba, República Dominicana, Porto Rico, Bolívia, Equador, El Salvador, Brasil, Guatemala, Espanha, Canadá, Honduras, Suriname, Chile, México, Reino Unido, Colômbia, Panamá, Estados Unidos, Costa Rica, Paraguai e Uruguai.

Divulgação
A Avianca Group possui uma frota de mais de 110 aeronaves, é a companhia aérea líder na Colômbia, América Central, Equador
A Avianca Group possui uma frota de mais de 110 aeronaves, é a companhia aérea líder na Colômbia, América Central, Equador
A parceria já nasce com mais de 240 aeronaves, somando apenas Gol e Avianca, e com espaços em mais de 120 aeroportos.

A Avianca Group possui uma frota de mais de 110 aeronaves, é a companhia aérea líder na Colômbia, América Central, Equador, além de operar 130 rotas na América Latina e em 66 aeroportos. Já a Gol opera uma frota de 142 aeronaves em 68 terminais aeroportuários.

ESTRUTURA
O Grupo Abra será co-controlado pelos principais acionistas da Avianca e pelo acionista controlador da Gol, e liderado por executivos com experiência em transporte aéreo e em atuação regional, trajetória de empreendedorismo e construção de marcas:

- Roberto Kriete, que será o chairman do grupo, transformou a Taca na principal companhia aérea da América Central, na década de 1980, e fez a fusão com a colombiana Avianca Airlines em 2009. Ele também fundou, em 2006, a Volaris, uma das principais companhias aéreas mexicanas;

- Constantino de Oliveira Junior, que será o CEO do grupo, revolucionou o mercado latino-americano de transporte aéreo, sendo pioneiro no modelo low cost na região, quando fundou a Gol em 2001. Junto com as aquisições de VRG, em 2007, e Webjet, em 2011, ele conduziu seu crescimento para uma posição de liderança no mercado;

- Adrian Neuhauser, atual Presidente e CEO da Avianca, e Richard Lark, atual CFO da Gol, serão co-presidentes do grupo, enquanto mantêm suas atuais funções nas companhias aéreas.

OPINIÃO DE ESPECIALISTA
Para o ex-diretor da Anac e sócio do Fenelon Advogados, Ricardo Fenelon, a criação da holding é propícia tanto para o lado brasileiro quanto para o colombiano do negócio e impacta positivamente o cenário latino-americano da aviação de forma geral. Entretanto, ela como um todo está longe de ser surpreendente.

Divulgação
Ricardo Fenelon, ex-diretor da Anac e sócio do Fenelon Advogados
Ricardo Fenelon, ex-diretor da Anac e sócio do Fenelon Advogados
"Este anúncio não surpreende quem trabalha ou trabalhou no setor. É muito comum, em momentos como esse, ver fusões e aquisições acontecendo, pois são negócios que trazem sinergia. A aviação é um setor de margens pequenas, e essas cooperações tendem a gerar mais lucros", afirma Fenelon. "Em negociação de aeronaves, por exemplo, faz toda diferença encomendar um volume maior de equipamentos. Certamente este será um dos maiores ganhos tanto para Avianca quanto Gol, que sinalizam a intenção de aumentar suas frotas", completa.
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