Gol e Avianca: acordo positivo, impactante e previsível, diz especialista

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Ricardo Fenelon Jr.
Ricardo Fenelon Jr.
A criação da holding entre Gol e Avianca é propícia tanto para o lado brasileiro quanto para o colombiano do negócio e impacta positivamente o cenário latino-americano da aviação de forma geral. Entretanto, está longe de ser surpreendente. Essa é a avaliação feita pelo ex-diretor da Anac e sócio do Fenelon Advogados, Ricardo Fenelon.

A aviação é um dos setores econômicos mais vulneráveis a crises e consolidações entre empresas são uma das saídas mais comuns para a reestabilização após períodos tempestuosos como foi o pico da pandemia de covid-19.

"Este anúncio não surpreende quem trabalha ou trabalhou no setor. É muito comum, em momentos como esse, ver fusões e aquisições acontecendo, pois são negócios que trazem sinergia. A aviação é um setor de margens pequenas, e essas cooperações tendem a gerar mais lucros", afirma Fenelon. "Em negociação de aeronaves, por exemplo, faz toda diferença encomendar um volume maior de equipamentos. Certamente este será um dos maiores ganhos tanto para Avianca quanto Gol, que sinalizam a intenção de aumentar suas frotas."

Portanto, o negócio é visto pelo especialista com bons olhos, pois tudo o que for feito para que grandes empresas ganhem fôlego financeiro, de tecnologia e de gestão é importante em um cenário ainda fragilizado da aviação.

"Basta ver o caso da Latam que, embora seja um grupo grande, tem Delta e Qatar como sócios. Transportadoras aéreas estão sempre de olho em oportunidades, independentemente concorrem ou não", pondera Ricardo Fenelon.

DIFERENÇAS PARA LATAM
Contudo, há diferenças consideráveis entre os negócios feitos entre Lan e Tam em 2012 (que resultou em Latam) e este anunciado hoje por Gol e Avianca. Na perspectiva do especialista, o atual tem mais chances de dar certo. "Na notícia de hoje o que se vê é a independência das marcas e das gestões, diferentemente da Latam, na qual tentaram montar uma empresa única na América do Sul, algo muito mais complexo em uma região tão desigual em diversos sentidos. Essa operação da holding Abra se parece mais com a do Grupo IAG, onde se busca sinergias, mas com British e Iberia caminhando separadamente. Por ter sido testado outras vezes, esta opção me parece melhor", analisa.

Envolvidas no negócio, Gol, Avianca, Sky e Viva Air, empresas que na visão de Fenelon são completamente diferentes, têm grandes chances de colaborar umas com as outras. A brasileira, que sempre ressalta sua frota unicamente composta por Boeing, não tem voos internacionais de longo alcance, diferentemente da Avianca. Por outro lado, a frota de fuselagem estreita da colombiana é composta por Airbus e não Boeing. Para incrementar o bolo, Sky e Viva Air são empresas low cost, de modelos de negócios diferentes.

"Faz sentido as empresas continuarem operando em seus países com suas próprias marcas e buscando sinergia no que for possível. Me parece é uma relação ganha-ganha. Já está acontecendo, é uma prova de consolidação. A tendência é que todas as envolvidas se fortaleçam", afirma o ex-diretor da Anac.

"Para o cenário da América Latina, a tendência é melhorar gestão, produto, tende a dar mais inovação de maneira geral. Se essas companhias não buscarem músculo financeiro dessa maneira, o negócio se torna muito difícil. Olhando para a aviação latina em longo prazo, fica difícil ser otimista, mas quando você tem esse tipo de movimento fica mais fácil. A região ganha mais um grupo forte e que provavelmente terá um grande aporte."

Em relação a tendência de tarifa, Ricardo Fenelon prefere não tecer grandes previsões. "Preço de bilhete está suscetível a inúmeros fatores. A chance de errar é muito grande. Tem variação cambial, combustível, crises e outros fatores impactantes."
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