Pedro Menezes   |   20/02/2026 19:09
Atualizada em 20/02/2026 19:10

Azul Linhas Aéreas conclui reestruturação e anuncia saída do Chapter 11

Companhia deixa o processo de reestruturação nos EUA com muito mais liquidez e pronta para uma nova fase


PANROTAS / Filip Calixto
John Rodgerson, CEO da Azul
John Rodgerson, CEO da Azul

Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026. Hoje é um dia extremamente especial para Azul Linhas Aéreas (Azul S.A.), companhia que concluiu seu processo de reestruturação financeira nos Estados Unidos, após pagamento integral do financiamento DIP (debtor-in-possession) e a liquidação da oferta pública de ações da companhia, deixando oficialmente o processo de Chapter 11 em que entrou em maio do ano passado.

Como acompanhamos durante todos estes meses, a companhia recorreu ao mecanismo previsto na legislação norte-americana com o objetivo de reorganizar sua estrutura de capital, renegociar dívidas e fortalecer o balanço, mantendo todas as operações em funcionamento ao longo do processo.

E foi exatamente o que aconteceu. Durante todo o período de recuperação judicial, os voos foram mantidos, bilhetes e créditos seguiram válidos e o programa de fidelidade continuou operando normalmente. Agora, a companhia deixa o processo com muito mais liquidez e pronta para uma nova fase.

Azul Mais Forte

Divulgação Azul/Cesar Dos Reis
Plano de reorganização aprovado pela Justiça dos Estados Unidos previu a eliminação de mais de US$ 2 bilhões em dívidas financeiras
Plano de reorganização aprovado pela Justiça dos Estados Unidos previu a eliminação de mais de US$ 2 bilhões em dívidas financeiras

É bom lembrar que o pedido de proteção foi acompanhado de um pacote de financiamento do tipo debtor-in-possession (DIP) de aproximadamente US$ 1,6 bilhão, garantindo liquidez para sustentar a operação enquanto as negociações com credores eram conduzidas.

Já o plano de reorganização aprovado pela Justiça dos Estados Unidos previu a eliminação de mais de US$ 2 bilhões em dívidas financeiras, além da conversão de parte relevante dos passivos em capital, reduzindo o nível de alavancagem e alongando o perfil das obrigações remanescentes.

Na etapa final do processo, a Azul S.A. ainda anunciou acordos de investimento com duas grandes companhias aéreas dos Estados Unidos: United Airlines e American Airlines. Cada uma se comprometeu a aportar US$ 100 milhões, totalizando US$ 200 milhões em capital novo para apoiar a capitalização da empresa no momento da saída do Chapter 11.

Além dos aportes dessas duas aéreas, credores da própria Azul também se comprometeram a investir cerca de US$ 100 milhões adicionais, elevando o volume de capital comprometido para pelo menos US$ 300 milhões no contexto da saída. Parte desses recursos está vinculada a instrumentos que podem ampliar o montante total investido caso determinadas condições sejam atendidas.

No Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou, sem restrições, o aumento da participação da United Airlines no capital da Azul, permitindo que a companhia norte-americana ampliasse sua fatia acionária para aproximadamente 8%, ante cerca de 2% anteriormente. A decisão foi considerada um passo importante para viabilizar a capitalização prevista no plano.

O conjunto dessas operações foi integrado ao plano de reorganização aprovado pela Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York, que supervisionou todo o processo.

O futuro da Azul

Guilherme Mion
A empresa também realizou ajustes operacionais ao longo do processo, incluindo otimização de frota e revisão de rotas, com foco em eficiência e rentabilidade
A empresa também realizou ajustes operacionais ao longo do processo, incluindo otimização de frota e revisão de rotas, com foco em eficiência e rentabilidade

Com a conclusão do Chapter 11, a Azul passa a operar com uma estrutura de capital mais equilibrada, menor nível de endividamento e maior previsibilidade financeira. Isto porque, a reestruturação incluiu renegociações com arrendadores de aeronaves, ajustes em contratos financeiros e reorganização de compromissos que pressionavam o fluxo de caixa.

A empresa também realizou ajustes operacionais ao longo do processo, incluindo otimização de frota e revisão de rotas, com foco em eficiência e rentabilidade, o que a obrigou a reduzir a malha aérea e cortar uma série de rotas ao longo dos últimos nove meses, principalmente as regionais.

A saída do Chapter 11 marca uma nova etapa para a companhia em meio a um cenário ainda desafiador para a aviação, caracterizado por volatilidade cambial, custos elevados de leasing e combustível e forte concorrência no mercado doméstico brasileiro. Só que agora, a companhia está muito mais preparada!

Com redução significativa da dívida, entrada de capital novo e apoio de parceiros estratégicos internacionais, a Azul busca retomar trajetória de geração de caixa consistente e fortalecer sua posição como uma das principais companhias aéreas do País, com ampla malha regional e presença internacional relevante.

É bom frisar que o encerramento do processo representa não apenas a superação de um período de forte pressão financeira, mas também uma profunda reconfiguração da estrutura societária e do balanço da empresa, que agora contará com participações acionárias de American e United Airlines.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.