CEO da Azul revela prioridades pós-Chapter e descarta retomar negociações com Grupo Abra
John Rodgerson também comentou a movimentação da Latam Airlines no mercado brasileiro

A Azul Linhas Aéreas encerrou seu processo de reestruturação nos Estados Unidos, na última sexta-feira (20), com uma frota operacional de 175 aeronaves em atividade e uma estratégia mais conservadora de crescimento. É o que disse o CEO da Azul, John Rodgerson, em coletiva de imprensa.
"O foco da Azul passa a ser duplo: responsabilidade financeira e reconquista dos clientes, já que a companhia deixa para trás um ciclo de modo sobrevivência, que marcou os últimos cinco a seis anos, e inicia uma nova fase voltada a investimentos estratégicos na experiência do passageiro e no fortalecimento da marca"
John Rodgerson, CEO da Azul
Rodgerson destacou que voar Azul sempre foi sinônimo de diferenciação, citando atributos como tripulação, serviço de bordo, entretenimento com televisão ao vivo, Wi-Fi a bordo e desempenho operacional consistente. Agora, a prioridade é recuperar plenamente esse posicionamento no mercado.
Ainda segundo o CEO, a empresa pretende expandir de forma responsável, sem comprometer qualidade e rentabilidade. A estratégia, segundo ele, é consolidar a base, fortalecer a relação com os clientes e, a partir daí, avançar de maneira sustentável.

Tanto é que a companhia optou por devolver aeronaves antigas que geravam custos elevados de arrendamento, movimento viabilizado pelas regras do Chapter 11 nos Estados Unidos. Além disso, ao longo dos últimos anos, a Azul acumulou contratos onerosos, especialmente após os impactos da pandemia.
“Estávamos pagando aluguel de aeronave parada e ainda pagando pelo Covid-19. Tínhamos aviões narrowbody custando mais caro do que nossos widebodies. Logo, a decisão foi simplificar a estrutura: aeronaves paradas foram retiradas da frota, eliminando a necessidade de continuar arcando com esses compromissos"
John Rodgerson, CEO da Azul
Paralelamente, a empresa segue renovando a frota. Estão previstas novas entregas da Embraer, além do recebimento de duas aeronaves Airbus A330-900neo ainda este ano, o que faz parte de um plano de negócios adotado durante a recuperação foi mais conservador, priorizando flexibilidade financeira em vez de metas agressivas de crescimento.
Segundo ele, a percepção de mercado de que a companhia poderia encolher acabou fortalecendo sua posição nas negociações com lessors e financiadores. “Quando o mercado percebe que você não está desesperado por ativos, você ganha poder de negociação”, disse.
Um dos sinais dessa mudança, segundo Rodgerson, foi o interesse do mercado financeiro. No ano passado, ainda no início do Chapter 11, a Azul recebeu quatro propostas para financiar suas aeronaves da Embraer. Já no mês passado, mesmo ainda em recuperação judicial, foram 27 ofertas, reflexo, segundo ele, de uma companhia vista como “bem diferente e mais saudável”.
Grupo Abra não está na mesa

Questionado sobre uma eventual retomada de negociações sobre a combinação com o Grupo Abra, que criaria uma possível fusão entre Azul e Gol, Rodgerson foi direto ao afirmar que o tema não está no radar da companhia neste momento.
Ele reconheceu que, antes da entrada no Chapter 11, uma fusão poderia ser vista como alternativa para enfrentar o elevado endividamento acumulado no pós-pandemia. No entanto, com a reestruturação concluída e a desalavancagem alcançada, o cenário mudou.
“Ao entrar no processo e resolver a questão da dívida, não há necessidade (de retomar negociações para uma possível fusão com a Gol). Nosso balanço saiu muito menos alavancado do que quando nossos concorrentes saíram”
John Rodgerson, CEO da Azul
Segundo o executivo, a precificação da nova dívida da Azul ficou em patamar inferior ao observado em outros processos de reestruturação no setor, o que reforça a avaliação interna de que a companhia está em posição competitiva sólida de forma independente. “Não vejo isso como algo que esteja na mesa”, reforçou.
Relações com Latam e Tap Air Portugal

Em meio ao novo ciclo de crescimento, John Rodgerson também comentou a movimentação da Latam Airlines Brasil no mercado de trabalho, especialmente na contratação antecipada de pilotos para a sua nova frota de Embraer, que entrará em operação ainda neste ano de 2026.
"Recrutar profissionais com quase um ano de antecedência faz parte da dinâmica do setor aéreo, que opera em ciclos de expansão e retração. É bom lembrar que a própria concorrente demitiu cerca de 2,5 mil pilotos durante seu processo de reestruturação no passado, reforçando que ajustes fazem parte da indústria"
John Rodgerson, CEO da Azul
Para Rodgerson, o momento atual é de confiança no plano da Azul, que segue focada em executar sua estratégia de forma disciplinada enquanto o mercado volta a aquecer.
Já em relação a Tap Air Portugal, John Rodgerson, afirmou que a companhia brasileira tem valores a receber da aérea portuguesa, referentes a operações financeiras realizadas no passado. Segundo ele, a intenção da Azul é recuperar os recursos que são devidos e que estão próximos do vencimento.
Rodgerson não detalhou montantes nem prazos específicos, mas sinalizou que a empresa acompanha o tema de perto, especialmente em um momento de reorganização financeira e fortalecimento do caixa após a saída do Chapter 11. "A Tap deve muito dinheiro para a Azul", destacou John.