Azul deixa Chapter 11 mais leve, com dívida menor e frota preservada, diz CEO
Fim do processo de reestruturação reduziu a alavancagem e ainda faz a Azul projetar crescimento em 2026

A Azul Linhas Aéreas concluiu seu processo de reestruturação financeira nos Estados Unidos na última sexta-feira (20), deixando oficialmente o processo de Chapter 11 em que entrou em maio do ano passado. Nesta segunda-feira (23), John Rodgerson, CEO da Azul, comentou sobre a nova fase da empresa, que deixou o processo mais leve, com uma dívida menor e com uma frota preservada.
"A Azul sai do Chapter 11 mais leve, mais saudável e maior do que era em 2025. A companhia cumpriu e superou todas as metas estabelecidas no início da reestruturação. Fizemos tudo que foi necessário para posicionar a Azul pelo melhor futuro possível. Terminamos o processo em menos de nove meses e alcançamos todas as metas”
John Rodgerson, CEO da Azul
Entre os principais resultados está a redução da alavancagem financeira. A expectativa inicial era encerrar o processo com índice próximo de 3 vezes, mas a empresa saiu com alavancagem abaixo de 2,5 vezes. Além disso, a aérea preservou sua frota e projeta transportar mais passageiros em 2026 do que em 2025.
Durante a reestruturação, a Azul manteve o foco na operação e no atendimento ao cliente, segundo o CEO, além de ter sido a quarta companhia aérea mais pontual do mundo no último ano, transportando 33 milhões de passageiros. “Cuidamos muito bem dos nossos clientes enquanto limpávamos o balanço e tirávamos o peso que estava sobre a companhia”, disse.

Agora, com o fim do processo de reestruturação, a Azul afirma ter reduzido significativamente sua dívida e o custo de juros, eliminando o que Rodgerson classificou como um “peso triplo” sobre os ativos (pagar pelo passado, pelo presente e ainda financiar o crescimento simultaneamente).
Agora, a estratégia é retomar investimentos na marca, nas pessoas e na expansão da malha. Tanto é que o CEO afirmou que a companhia prevê continuar recebendo aeronaves da Embraer, em ritmo de cinco a seis unidades por ano, além de reativar 13 aeronaves que estavam paradas por questões técnicas.
"Também agradeço aos cerca de 15 mil tripulantes que acompanharam esta jornada de reestruturação em tempo recorde. A captação recente de recursos e as condições de dívida obtidas reforçam que a empresa sai do Chapter 11 em posição mais sólida do que outras companhias que passaram pelo mesmo mecanismo. Hoje somos maiores do que em 2025 e estamos muito animados com as oportunidades que vêm pela frente”
John Rodgerson, CEO da Azul
Ao lado de American e United

Rodgerson destacou ainda que a Azul contou com o apoio de duas gigantes norte-americanas (United Airlines e American Airlines), algo que, segundo ele, nunca havia ocorrido simultaneamente em um processo desse tipo. A companhia entrou no Chapter 11 já com grande parte da frota definida e com acordos estruturados para garantir estabilidade operacional.
Em relação à entrada da American Airlines como acionista, a operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Já o aval à participação da United Airlines foi concedido, e, uma vez aprovada a entrada da American, as duas companhias devem deter juntas cerca de 8% de participação, tornando-se acionistas de referência da aérea brasileira.
Rodgerson ressaltou que a United mantém relação histórica com a Azul, sendo sócia há mais de 12 anos e com assento no conselho de administração durante esse período. “É algo muito bacana ter também a American como parceira”, afirmou, destacando o fortalecimento das alianças internacionais da companhia.
“Temos que respeitar as autoridades. Acreditamos que nosso caso será bem aceito por tudo o que fizemos em preparação, mas não quero comentar sobre o processo. Precisamos respeitar o tempo deles. E enquanto aguarda a conclusão regulatória, a Azul estruturou sua saída do Chapter 11 com apoio adicional dos próprios credores, que aportaram mais US$ 100 milhões para viabilizar o encerramento do processo"
John Rodgerson, CEO da Azul
Sobre uma eventual concorrência com United e American em rotas internacionais, o CEO afirmou que hoje não há sobreposição relevante. "A Azul opera voos internacionais a partir de cidades como Campinas e Confins para destinos nos EUA e na Europa, incluindo Fort Lauderdale e Orlando, enquanto as parceiras concentram operações em outros mercados. O que elas enxergam na Azul é a conectividade doméstica”.
Segundo o executivo, a Azul possui a malha aérea mais capilar do País, voando para mais destinos do que qualquer outra empresa aérea brasileira. Essa abrangência, segundo John, seria o principal atrativo para as norte-americanas, que passam a contar com maior capacidade de alimentar seus voos internacionais com passageiros provenientes de diversas regiões do Brasil.