Beatriz Contelli   |   20/03/2026 13:45

Radix debate impacto do conflito no Oriente Médio no Turismo de alto padrão

Encontro discutiu cenário geopolítico, alta do petróleo e orientações de atendimento para as agências


Unsplash/Anete Lusina
Diante dos conflitos, passageiros estão precisando remanejar voos
Diante dos conflitos, passageiros estão precisando remanejar voos

Para esclarecer os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e seus reflexos no segmento de viagens de alto padrão, a Radix – Escola de Travel Design promoveu uma aula on-line com Jorge Mortean, especialista na região.

Mediado por Beth Wada, coordenadora Pedagógica da Radix, o encontro analisou o cenário geopolítico atual, discutiu os impactos na indústria de viagens e compartilhou orientações para atendimento a clientes, especialmente diante de incertezas, alterações de rotas e demandas por maior segurança e flexibilidade.

"Se eu estivesse na posição de um operador turístico, recomendaria postergar para o segundo semestre todas as operações que envolvam emissão de passagens ou destinos finais nessa região. Vale lembrar que Doha, Dubai e Istambul não são as únicas portas de entrada para quem segue rumo à Ásia ou à África — há alternativas via Europa, ainda que mais custosas", afirmou Mortean.

Esse aumento de custos, segundo o especialista, está diretamente ligado à alta do petróleo provocada pelas tensões na região, o que pressiona toda a cadeia do Turismo. Com o querosene de aviação mais caro, as tarifas tendem a subir e esse impacto é repassado ao consumidor final, afetando não apenas os viajantes, mas também agências, operadoras e DMCs.

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Durante o encontro, os agentes também manifestaram preocupação com a possibilidade de mísseis atingirem a Turquia. Em resposta, Mortean esclareceu que o país interceptou dois mísseis iranianos que tinham como alvo uma base militar americana próxima ao litoral turco. Ainda assim, avalia que a Turquia não deve se envolver no conflito no médio e longo prazo.

Reprodução
Jorge Mortean, especialista em Oriente
Jorge Mortean, especialista em Oriente

O especialista reforçou, mais uma vez, que o momento exige prudência, especialmente para mercados mais distantes da zona de conflito. Embora o Brasil esteja geograficamente afastado, há um volume relevante de emissões para o Oriente Médio — seja como destino final, seja como hub de conexão para viagens de lazer e negócios rumo à Ásia, África ou até a Rússia.

“Minha recomendação é evitar decisões precipitadas, principalmente no que diz respeito a reservas e ao planejamento de roteiros que envolvam a região. O cenário ainda é incerto, e o mais sensato é aguardar sinais mais claros de disposição para negociação por parte do Irã antes de avançar com qualquer estratégia”.

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Avaliar riscos sem desespero

Guilherme Lapa, COO da Latitudes, também contribuiu com o debate compartilhando como a empresa está lidando com este cenário instável.

"Na Latitudes, a informação é o principal guia na tomada de decisão, especialmente em um cenário global marcado por conflitos cada vez mais frequentes, o que nos impõe flexibilidade e também a necessidade de estarmos mais próximos dos agentes", explica Lapa.

A transparência com os clientes é um dos pilares da atuação da operadora, especialmente em um cenário de incertezas que pode impactar rotas e operações. Um exemplo recente envolve um grupo com embarque previsto para o Uzbequistão, parte dele com conexão via Istambul — situação que vem sendo acompanhada de perto.

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Guilherme Lapa, da Latitudes
Guilherme Lapa, da Latitudes

“Somos muito abertos e sinceros com os clientes. Avaliamos os cenários juntos. O Uzbequistão não está diretamente envolvido nos conflitos, mas alguns passageiros passarão por Istambul. Por isso, estamos conversando com quem prefere ajustar a rota e explicando os impactos dessa decisão.”

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Leonardo Mignani, da TP Air, complementou expondo que a empresa notou que a demanda por destinos como América do Sul e Estados Unidos segue aquecida. "Estamos na temporada das cerejeiras no Japão, que é muito procurada, e os passageiros podem fazer conexão via Europa e EUA. Não vejo nenhuma diminuição na procura. Na minha visão, o conflito ainda não se alastrou", compartilhou.

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Leonardo Mignani, da TP Air
Leonardo Mignani, da TP Air

Mignani também afirmou que as companhias aéreas mantêm a maior parte de suas rotas ativas, ainda que com ajustes pontuais no Oriente Médio. É o caso da Emirates, que segue operando normalmente no Brasil.

“A Emirates, a partir de Dubai, voa para cerca de 170 destinos. Neste momento, está operando aproximadamente 140. Os voos de São Paulo e Rio seguem normalmente, com suspensão restrita a cerca de 30 rotas concentradas na região do Oriente Médio".

O executivo ainda explicou que, em muitos casos, os comunicados das companhias aéreas não chegam com a agilidade necessária. Isso se torna ainda mais sensível quando a empresa lida com passageiros que não vivem em capitais e precisam se deslocar dentro do Brasil antes mesmo de iniciar a viagem internacional.

“Não podemos permitir que esses clientes embarquem sem ter a confirmação de que a viagem realmente vai acontecer. Precisamos evitar ao máximo qualquer desgaste na experiência do passageiro. Ainda assim, em situações como essa, acabamos dependendo diretamente das definições das companhias aéreas", completou.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação.