Pedro Menezes   |   30/03/2026 09:55
Atualizada em 30/03/2026 10:39

WTTC: 135 milhões de viagens estão em risco por conflito no Oriente Médio

Estima-se que 135 milhões de viagens em nível global estejam em risco durante este ano de 2026


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O impacto negativo inclui uma queda de visitantes internacionais na região, perda de conectividade aérea, assim como um aumento no custo das passagens devido ao incremento no preço dos combustíveis
O impacto negativo inclui uma queda de visitantes internacionais na região, perda de conectividade aérea, assim como um aumento no custo das passagens devido ao incremento no preço dos combustíveis

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) destacou os efeitos negativos que o conflito no Oriente Médio já proporciona ao Turismo global, gerando impactos diretos e indiretos que afetam a conectividade aérea, a queda de visitantes internacionais, o incremento no preço dos combustíveis e o aumento no custo das passagens aéreas.

O WTTC identificou diferentes níveis de prejuízos ao setor, especialmente a perda de conectividade aérea. Nesse sentido, estima-se que 135 milhões de viagens em nível global estejam em risco em 2026, incluindo 116 milhões de viagens fora da região do Oriente Médio, devido à redução da capacidade de voos e às restrições do espaço aéreo.

Hoje, mais de 526 mil passageiros diários não estão viajando devido à redução de voos, o que impacta a conectividade entre regiões-chave como Ásia, Europa e África, dificultando os deslocamentos internacionais.

O Oriente Médio concentra hoje cerca de 14% do tráfego aéreo global, e os principais centros regionais de aviação, incluídos Dubai, Abu Dhabi, Doha e Baréin, que juntos respondem por cerca de 526 mil passageiros diários, registraram fechamentos e interrupções operacionais à medida que o conflito se intensifica, o que afeta significativamente a conectividade regional e global.

Outro impacto relevante tem a ver com o incremento no preço do combustível de aviação, já que 30% dos custos de uma companhia aérea correspondem ao combustível e, nas últimas semanas, o preço registrou um aumento sem precedentes, passando de 95 para 197 dólares por barril, o que representa um incremento de mais de 100% em um único mês, de acordo com a Iata.

Essa situação, combinada com a redução de assentos disponíveis, se traduz em um aumento nos preços dos bilhetes aéreos, com um impacto ainda maior nas companhias aéreas de baixo custo, onde o combustível representa uma maior proporção dos custos totais.

O WTTC lembrou também que um fator negativo adicional são os alertas de viagem, já que quando um país emite essas advertências, as seguradoras deixam de cobrir os viajantes, o que desincentiva deslocamentos. Além disso, as companhias aéreas também enfrentam dificuldades para assegurar suas operações na região, o que agrava ainda mais a situação.

"Este panorama não afeta apenas a aviação, mas também outros setores, como o transporte marítimo, onde ocorre uma situação similar. Como consequência, tanto as companhias aéreas como os viajantes se veem impactados pela falta de cobertura, o que limita os deslocamentos, inclusive quando os aeroportos operam com normalidade e os governos fazem um esforço importante para manter as condições de segurança"

Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC

Apesar dos desafios atuais, o WTTC enfatiza que o Turismo é um dos setores mais resilientes do mundo. “O setor de Viagens e Turismo é o mais resiliente de todos. O impacto do gasto dos visitantes internacionais em todo o Oriente Médio é significativo e tem uma média de cerca de 600 milhões de dólares por dia, mas a história demonstra que o setor pode se recuperar rapidamente, sobretudo quando os governos apoiam os viajantes mediante assistência hoteleira ou repatriação. Nossa análise de crises anteriores demonstra que os incidentes relacionados com a segurança costumam registrar os tempos de recuperação turística mais rápidos, em alguns casos tão cedo quanto em dois meses, quando os governos e a indústria trabalham juntos para restabelecer a confiança dos viajantes”, disse Gloria.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.