Como a alta do QAV impacta as companhias aéreas e o preço das passagens?
Debate foi realizado durante a Convenção da BeFly, que acontece em Foz do Iguaçu (PR), nesta semana

FOZ DO IGUAÇU (PR) – Durante a Convenção BeTogheter da BeFly, que ocorre nesta semana no Mabu Thermas Resort, em Foz do Iguaçu (PR), foi realizado um painel com companhias aéreas para debater de que forma o aumento no preço do combustível da aviação impacta as transportadoras e o preço das passagens aéreas.
O diretor de Vendas da Gol, Danillo Barbizan, destacou o quanto esse aumento afeta a linha de custo da companhia. “Já havia ocorrido um aumento no preço do QAV em março e agora uma nova alta de 50%. Hoje a nossa linha de custo está em torno de 30% a 35%, então, imaginem essa linha de custo ser impactada por um aumento de 50%. Você consegue – ou tenta – repassar uma parte disso em aumentos gerais públicos, mas mesmo com todo esse repasse, não consegue chegar nos 50%. No final das contas, quem dita se vai dar ou não é o consumidor, que vai comprar ou não naquele valor”, explica Barbizan.
Ele afirma que a companhia deve entender, também, quais são as revisões que deve fazer para manter o negócio em pé. "Posto esse agressor tão grande sobre uma linha de custo tão importante, cabe entender o que é gerenciável para a companhia aérea”, complementa.
Já o diretor de Vendas da Iberia/BA no Brasil, Luciano Cardoso, lembra que as companhias aéreas são muito resilientes. “A gente começa o planejamento do ano com a visualização de feriado, de Copa do Mundo, de eleição e de algum outro susto eventual que possa acontecer. Neste ano acabou sendo a guerra. Isso nos impacta, mas a nossa resiliência permite que a gente aguente por um tempo e pense no que, efetivamente, pode potencializar as rotas mais saudáveis, os roteiros que continuam em evidência e os destinos que continuam mais vendidos e procurados"
"Dentro de um risco controlado, por enquanto, a previsão de subida de preço nas passagens aéreas é relativamente pequena. Em um primeiro momento, não é feito um repasse imediato para os bilhetes aéreos, mas em médio prazo isso pode acontecer", conclui Cardoso.
Ricardo Oliveira, gerente regional de Vendas da Delta Air Lines no Brasil, complementa: "Sem dúvida este é um momento muito sensível para a aviação. No caso da Delta, existe o que chamamos de farol amarelo, que é o momento de observação. A Delta tem a grande vantagem de ser dona de uma refinaria nos Estados Unidos, o que ajuda. Mas, em contrapartida, isso não quer dizer que a gente não sofre. Até o momento, não sofremos efeitos diretos sobre o custo do combustível e por isso não estamos fazendo repasse, mas estamos observando e sentindo o mercado", destaca.
A gerente do Canal Lazer e Consolidação da Latam, Bianca Schimpl, também afirma que é preciso observar o setor, sem tomar decisões precipitadas.
"O cenário tem tantos fatores e tantas peças se movendo ao mesmo tempo que a gente tem de ficar de olho em tudo. E temos que estudar todos os dias os próximo movimentos. A primeira coisa que se pensa quando tem um efeito desses é que vai cair a demanda, mas as duas últimas semanas foram incríveis, muito acima do esperado, então são cenários que gente tem que ir dia a dia monitorando muito de perto e tomar muito cuidado para não tomar decisões abruptas. É um momento que pede mais cautela do que grandes decisões", conclui Bianca.
O painel foi mediado por Vitor Megale, da BeFly.
O Portal PANROTAS viaja a convite da BeFly.