Pedro Menezes   |   23/04/2026 21:38
Atualizada em 24/04/2026 09:30

Conselho Monetário aprova R$ 8 bi de financiamento para setor aéreo

Objetivo é tentar reduzir os impactos na aviação civil brasileira em decorrência da alta do QAV


Divulgação/Aena Brasil
Medida depende agora da abertura de crédito extraordinário por meio de Medida Provisória
Medida depende agora da abertura de crédito extraordinário por meio de Medida Provisória

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a criação de uma linha de financiamento com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), no valor total de R$ 8 bilhões, voltada ao fortalecimento do setor aéreo. A medida foi validada após reunião no início da noite desta quarta-feira (23), em Brasília.

O objetivo é tentar reduzir os impactos na aviação civil brasileira em decorrência da alta do querosene de aviação (QAV) em todo o mundo. O limite da linha de crédito será de até R$ 2,5 bilhões por empresa e de até R$ 500 milhões para aéreas de pequeno porte.

A linha de crédito reembolsável aprovada terá taxa de 4% ao ano, acrescida de spread bancário (diferença entre o custo de captação de dinheiro pelos bancos e o valor cobrado pelos empréstimos) de até 4,5% ao ano. Os recursos poderão ser concedidos pelo BNDES ou por meio de instituições financeiras habilitadas.

"Com condições atrativas, taxa de 4% ao ano, prazos longos e foco na sustentabilidade financeira, a medida traz mais crédito, previsibilidade e estabilidade para as empresas"

Ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca

A medida depende agora da abertura de crédito extraordinário por meio de Medida Provisória. As regras de distribuição dos recursos serão definidas pelo Comitê Gestor do FNAC.

Entre as condições para a alocação dos recursos, estão: prazo total de até 60 meses, carência de até 12 meses, ausência de contrapartidas diretas e vedação à distribuição de dividendos durante a carência.

Companhias aéreas cortam 2 mil voos em maio

As companhias aéreas brasileiras suspenderam mais de 2 mil voos programados para o mês de maio, diante da escalada do preço do QAV. O levantamento com base no sistema eletrônico da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indica redução de 2.015 voos no mês, equivalente a uma queda de 2,9% na oferta inicialmente prevista.

Na prática, a diminuição representa cerca de 10 mil assentos diários a menos na malha doméstica e a retirada de circulação do equivalente a 12 aeronaves de médio porte, como modelos das famílias Boeing 737, Airbus A320 e Embraer 195.

Entre os Estados mais impactados pela redução de operações estão Amazonas (-17,5%), Pernambuco (-10,5%), Goiás (-9,3%), Pará (-9%) e Paraíba (-8,9%).

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.