Pedro Menezes   |   07/06/2026 10:51
Atualizada em 07/06/2026 10:52

Lucro global das aéreas cairá quase pela metade em 2026; veja todas as projeções da Iata

Conflitos no Oriente Médio e preços altos do combustível são os principais vilões do setor em 2026

PANROTAS / Pedro Menezes
Willie Walsh, diretor-geral da Iata
Willie Walsh, diretor-geral da Iata

RIO DE JANEIRO - A Associação do Transporte Aéreo Internacional (Iata) acaba de divulgar as mais recentes projeções financeiras para a indústria global de aviação, em meio a realização da Assembleia Geral de 2026, que ocorre no Rio de Janeiro até esta segunda-feira (8).

A entidade aponta uma redução de 50% na lucratividade do setor em decorrência dos impactos causados pelos conflitos no Oriente Médio e pelos altos preços do combustível. A margem de lucro líquido prevista para 2026 é de 2,0%, cerca de metade dos 3,9% projetados anteriormente.

Espera-se que as companhias aéreas atinjam um lucro líquido combinado de US$ 23 bilhões em 2026, o que representa quase metade dos 41 bilhões de dólares projetados anteriormente, além de equivaler à metade da estimativa de lucro líquido de 45 bilhões de dólares para 2025. O lucro líquido por passageiro transportado deve ficar em 4,50 dólares, metade dos 9,10 dólares alcançados em 2025.

Mais projeções da Iata para 2026

  • O lucro operacional em 2026 está projetado em 48,0 bilhões de dólares (abaixo dos 76,4 bilhões de dólares em 2025), resultando em uma margem operacional líquida de 4,1% (abaixo dos 7,2% em 2025);
  • As receitas totais do setor devem atingir 1,165 trilhão de dólares em 2026 (uma alta de 9,4% em relação ao 1,065 trilhão de dólares registrado em 2025);
  • A taxa de ocupação de passageiros deve continuar quebrando recordes históricos, com a previsão de que as empresas cheguem a 84% de ocupação ao longo do ano;
  • O volume de passageiros deve atingir 5,1 bilhões em 2026 (alta de 2,4% em comparação a 2025);
  • Os volumes de carga aérea devem chegar a 71,7 milhões de toneladas em 2026 (alta de 0,2% em relação a 2025);
  • A receita geral deve crescer 9,4%, atingindo $1,165 trilhão de dólares. A receita por tonelada-quilômetro disponível (ATK) deve expandir 8,8%;
  • As receitas provenientes de passagens aéreas devem atingir 839 bilhões de dólares em 2026 (+9,2% em comparação aos 768 bilhões de dólares em 2025). Já as receitas acessórias e outras receitas correlatas estão projetadas para crescer 12,6%, alcançando 165 bilhões de dólares.
  • O crescimento das receitas deve ficar aquém da evolução das despesas operacionais, que subirão 13%, totalizando $1,117 trilhão de dólares, o que reduzirá a lucratividade líquida de toda a indústria pela metade, situando-a em 23 bilhões de dólares em 2026.
  • Os custos com combustível devem saltar quase 40%, passando de 252 bilhões de dólares em 2025 para 350 bilhões de dólares em 2026.
  • O consumo total de combustível em 2026 deve permanecer estável em relação a 2025, em 104 bilhões de galões.
  • Custos não relacionados ao combustível estão projetados em 767 bilhões de dólares (+4,0% em relação aos 737 bilhões de dólares em 2025).
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Custos com combustível devem saltar quase 40%, passando de 252 bilhões de dólares em 2025 para 350 bilhões de dólares em 2026
Custos com combustível devem saltar quase 40%, passando de 252 bilhões de dólares em 2025 para 350 bilhões de dólares em 2026

"As interrupções operacionais decorrentes da guerra no Oriente Médio e a escalada nos custos de combustível deterioraram as perspectivas para as companhias aéreas. Globalmente, espera-se que as companhias aéreas vejam sua lucratividade cair pela metade em comparação a 2025. Os lucros vão encolher de 45 bilhões de dólares em 2025 para 23 bilhões de dólares este ano. Todas as empresas estão sofrendo com a rápida alta de 70% nos preços do combustível de aviação (QAV). Parte desse custo adicional está sendo recuperada por meio do reajuste de tarifas e de ganhos de eficiência, mas isso não será suficiente para manter a lucratividade no patamar do ano anterior. O lucro líquido por passageiro deve cair para US$ 4,50, metade do valor registrado no ano passado.

Willie Walsh, diretor-geral da Iata

América Latina


Lucro Líquido
Margem Líquida
Lucro por Passageiro
Demanda (RPK)
Capacidade (ASK)
2026 (projeção)
US$ 1,2 bilhão
2,1%
US$ 3,50
5,0%
3,3%
2025 (estimativa)
US$ 1,9 bilhão
3,8%
US$ 5,90
7,2%
7,6%

Segundo a Iata, o desempenho da América Latina é influenciado pela pressão negativa sobre diversas moedas da região, resultado da crise energética global. Neste caso, as condições de demanda na América Latina permanecem mais sensíveis do que em outras regiões, refletindo níveis de renda mais baixos e uma participação menor das viagens corporativas na demanda total por transporte aéreo.

O lucro líquido estimado das companhias latino-americanas é de US$ 1,9 bilhão em 2025, valor que cai para US$ 1,2 bilhão nas projeções da Iata para 2026. A redução é vísivel também na margem líquida, lucro por passageiro, demanda e capacidade esperada.

A Iata revelou ainda que as companhias aéreas latino-americanas normalmente operam com menor flexibilidade em seus balanços financeiros e enfrentam custos de financiamento mais elevados, o que limita sua capacidade de absorver choques econômicos ou investir na expansão de frotas e malhas aéreas.

A relação entre EBIT (lucro operacional) e margem líquida, por sua vez, é cerca de quatro vezes superior à média global, evidenciando essa limitação financeira e reduzindo a capacidade das empresas de reagir rapidamente às mudanças na demanda ou nos custos operacionais.

A combinação desses fatores sugere que a região deverá enfrentar uma desaceleração mais acentuada do crescimento em comparação com outras partes do mundo, embora a demanda continue apresentando resultados positivos de forma geral.

A PANROTAS viaja a convite da Iata, voando Latam Airlines.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.