Azul reduz 5% da operação após alta do combustível, afirma CEO
Companhia cortou rotas e frequências; setor prevê impacto na demanda aérea

A Azul Linhas Aéreas reduziu cerca de 5% de sua capacidade operacional em razão do aumento do preço do querosene de aviação (QAV), segundo o CEO da companhia, John Rodgerson. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o executivo afirmou que o ajuste atingiu voos domésticos, regionais e internacionais, além de rotas em grandes aeroportos brasileiros.
De acordo com Rodgerson, a empresa adotou duas medidas para conter os custos: redução de rotas e diminuição da frequência de voos. A expectativa é de que o cenário se normalize nos próximos meses, mas o impacto já representa uma queda importante na oferta de assentos ao longo do ano.
O CEO afirmou à Folha que o setor aéreo tem dificuldade para repassar integralmente os custos aos passageiros, o que deve pressionar a rentabilidade das companhias em 2026. Apesar do cenário, ele descartou a possibilidade de a Azul voltar a recorrer ao Chapter 11, mecanismo equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos.
Rodgerson também avaliou que a aviação regional poderá ser uma das mais afetadas no longo prazo, já que o combustível costuma ter custo mais elevado em localidades mais remotas.
Durante o encontro anual da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), o CEO do Grupo Latam, Roberto Alvo, afirmou que os preços do combustível devem permanecer elevados até o fim do ano, mesmo em caso de redução das tensões no Oriente Médio. Segundo ele, o setor poderá passar por um reequilíbrio de capacidade nos próximos anos caso os custos continuem altos.
A Iata também projeta desaceleração no mercado doméstico brasileiro. O vice-presidente da entidade para as Américas, Peter Cerdá, afirmou que a alta das tarifas aéreas deve reduzir a demanda, levando o volume anual de passageiros para menos de 90 milhões, abaixo dos mais de 100 milhões registrados em 2025.
O executivo também informou ao jornal que a companhia acompanha as discussões sobre o fim da escala 6x1. Segundo ele, as conversas com o governo se concentram nos impactos que eventuais mudanças poderão causar à jornada de pilotos e comissários.