EES: aeroportos seguem com filas de até cinco horas e entidades cobram mudanças urgentes
Sistema segue provocando atrasos, perda de conexões e caos nos terminais seis meses após implementação

Aeroportos e companhias aéreas da Europa voltaram a cobrar mudanças urgentes no Sistema de Entrada e Saída da União Europeia (EES), lançado em outubro do ano passado e implementado integralmente em abril deste ano, diante de filas que chegam a cinco horas nos casos mais extremos.
Em comunicado divulgado nesta semana, a ACI Europe, associação que representa aeroportos europeus, e a Airlines for Europe (A4E), entidade que reúne companhias aéreas, classificaram os tempos de espera como “inaceitavelmente altos” e pediram medidas para reduzir os atrasos.
Embora as filas de cinco horas sejam classificadas como casos extremos e pontuais, é frequente o tempo de espera ultrapassar duas horas nos controles de fronteira do Espaço Schengen.
Segundo as organizações, os problemas provocam perda de voos e conexões, congestionamento nos terminais e pressão adicional sobre agentes de fronteira, funcionários dos aeroportos e equipes das companhias aéreas.
Entre as principais causas apontadas estão a falta de pessoal nos controles migratórios, a instabilidade dos sistemas de tecnologia da informação, a utilização limitada de quiosques de autoatendimento e portões automatizados, além das limitações do aplicativo Travel to Europe, utilizado para o pré-registro de viajantes.
“O EES fortaleceu a segurança das fronteiras externas da Europa, o que é uma conquista clara. Mas, seis meses após sua implementação integral, o sistema não está garantindo travessias eficientes, e a promessa de viagens mais rápidas e fluidas continua sem ser cumprida”
Olivier Jankovec, diretor-geral da ACI Europe, e Ourania Georgoutsakou, diretora-geral da A4E
Os representantes acrescentaram que os problemas já não podem ser tratados como dificuldades iniciais de adaptação e defenderam uma ação decisiva para corrigir falhas estruturais e tornar os controles mais eficientes em todo o continente.
O sistema registra as entradas e saídas de viajantes de países de fora da União Europeia que realizam estadias de curta duração no Espaço Schengen, substituindo o carimbo manual dos passaportes por registros digitais. Na primeira passagem pela fronteira após a implantação do sistema, os viajantes abrangidos precisam fornecer dados biométricos, incluindo imagem facial e impressões digitais.
Entidades apresentam plano com seis medidas

Para reduzir os atrasos, ACI Europe e A4E apresentaram um plano com seis propostas dirigidas à Comissão Europeia e aos Estados-membros.
As medidas incluem:
- eliminar verificações biométricas duplicadas,
- otimizar os procedimentos de identificação,
- impedir a criação de registros duplicados no sistema
- e reformular o aplicativo e o portal Travel to Europe para facilitar o pré-registro remoto.
As organizações também pedem a aceleração e a padronização do uso de portões automatizados de controle de fronteira para cidadãos de países terceiros, além do restabelecimento permanente da possibilidade de suspender parcialmente o EES em situações de filas excessivas.
Estados-membros também são cobrados pela preparação

A discussão também envolve a responsabilidade dos países na preparação da infraestrutura e das equipes necessárias para operar o sistema. Isto porque cabe aos Estados-membros garantir o funcionamento adequado dos controles e evitar longas filas, ainda mais com as festas de fim de ano se aproximando.
Segundo Brunner, os países tiveram tempo suficiente para se preparar para a implementação do EES e precisam cumprir suas responsabilidades operacionais. O sistema funciona nos 29 países participantes do Espaço Schengen: 25 integrantes da União Europeia, além de Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein.
De acordo com dados da própria Comissão Europeia, o EES já registrou 230 milhões de entradas e saídas, além de 80 mil recusas de entrada. Desse total, cerca de duas mil recusas estavam relacionadas a ameaças à segurança.
Com informações do Business Travel News Europe.