Pedro Menezes   |   16/10/2026 12:28

EES: aeroportos seguem com filas de até cinco horas e entidades cobram mudanças urgentes

Sistema segue provocando atrasos, perda de conexões e caos nos terminais seis meses após implementação

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É frequente o tempo de espera ultrapassar duas horas nos controles de fronteira do Espaço Schengen
É frequente o tempo de espera ultrapassar duas horas nos controles de fronteira do Espaço Schengen

Aeroportos e companhias aéreas da Europa voltaram a cobrar mudanças urgentes no Sistema de Entrada e Saída da União Europeia (EES), lançado em outubro do ano passado e implementado integralmente em abril deste ano, diante de filas que chegam a cinco horas nos casos mais extremos.

Em comunicado divulgado nesta semana, a ACI Europe, associação que representa aeroportos europeus, e a Airlines for Europe (A4E), entidade que reúne companhias aéreas, classificaram os tempos de espera como “inaceitavelmente altos” e pediram medidas para reduzir os atrasos.

Embora as filas de cinco horas sejam classificadas como casos extremos e pontuais, é frequente o tempo de espera ultrapassar duas horas nos controles de fronteira do Espaço Schengen.

Segundo as organizações, os problemas provocam perda de voos e conexões, congestionamento nos terminais e pressão adicional sobre agentes de fronteira, funcionários dos aeroportos e equipes das companhias aéreas.

Entre as principais causas apontadas estão a falta de pessoal nos controles migratórios, a instabilidade dos sistemas de tecnologia da informação, a utilização limitada de quiosques de autoatendimento e portões automatizados, além das limitações do aplicativo Travel to Europe, utilizado para o pré-registro de viajantes.

“O EES fortaleceu a segurança das fronteiras externas da Europa, o que é uma conquista clara. Mas, seis meses após sua implementação integral, o sistema não está garantindo travessias eficientes, e a promessa de viagens mais rápidas e fluidas continua sem ser cumprida”

Olivier Jankovec, diretor-geral da ACI Europe, e Ourania Georgoutsakou, diretora-geral da A4E

Os representantes acrescentaram que os problemas já não podem ser tratados como dificuldades iniciais de adaptação e defenderam uma ação decisiva para corrigir falhas estruturais e tornar os controles mais eficientes em todo o continente.

O sistema registra as entradas e saídas de viajantes de países de fora da União Europeia que realizam estadias de curta duração no Espaço Schengen, substituindo o carimbo manual dos passaportes por registros digitais. Na primeira passagem pela fronteira após a implantação do sistema, os viajantes abrangidos precisam fornecer dados biométricos, incluindo imagem facial e impressões digitais.

Entidades apresentam plano com seis medidas

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Sistema registra as entradas e saídas de viajantes de países de fora da União Europeia que realizam estadias de curta duração no Espaço Schengen, substituindo o carimbo manual dos passaportes por registros digitais
Sistema registra as entradas e saídas de viajantes de países de fora da União Europeia que realizam estadias de curta duração no Espaço Schengen, substituindo o carimbo manual dos passaportes por registros digitais

Para reduzir os atrasos, ACI Europe e A4E apresentaram um plano com seis propostas dirigidas à Comissão Europeia e aos Estados-membros.

As medidas incluem:

  • eliminar verificações biométricas duplicadas,
  • otimizar os procedimentos de identificação,
  • impedir a criação de registros duplicados no sistema
  • e reformular o aplicativo e o portal Travel to Europe para facilitar o pré-registro remoto.

As organizações também pedem a aceleração e a padronização do uso de portões automatizados de controle de fronteira para cidadãos de países terceiros, além do restabelecimento permanente da possibilidade de suspender parcialmente o EES em situações de filas excessivas.

Estados-membros também são cobrados pela preparação

Divulgação/ANA
Sistema EES no Aeroporto de Lisboa
Sistema EES no Aeroporto de Lisboa

A discussão também envolve a responsabilidade dos países na preparação da infraestrutura e das equipes necessárias para operar o sistema. Isto porque cabe aos Estados-membros garantir o funcionamento adequado dos controles e evitar longas filas, ainda mais com as festas de fim de ano se aproximando.

Segundo Brunner, os países tiveram tempo suficiente para se preparar para a implementação do EES e precisam cumprir suas responsabilidades operacionais. O sistema funciona nos 29 países participantes do Espaço Schengen: 25 integrantes da União Europeia, além de Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein.

De acordo com dados da própria Comissão Europeia, o EES já registrou 230 milhões de entradas e saídas, além de 80 mil recusas de entrada. Desse total, cerca de duas mil recusas estavam relacionadas a ameaças à segurança.

Com informações do Business Travel News Europe.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.