Flybondi entra com pedido de recuperação judicial na Argentina
Companhia está há 57 dias sem operar e acumula dívidas com órgãos, fornecedores e passageiros

A Flybondi entrou com pedido de recuperação judicial na Argentina após 57 dias sem operar voos. A solicitação foi apresentada e distribuída à Vara Nacional de Primeira Instância em Matéria Comercial nº 24, sob responsabilidade do juiz Guillermo Mario Pesaresi.
A informação foi publicada pelo jornal argentino La Nación. Segundo o veículo, a companhia busca congelar as dívidas existentes na data de início do processo para negociar os débitos com os credores e tentar reestruturar sua situação financeira.
A recuperação ocorre enquanto a Flybondi mantém apenas três aeronaves no país, todas sem operação. Outras dez foram devolvidas às empresas de leasing. O site da companhia também voltou a ficar indisponível, afetando a venda de passagens e o gerenciamento de reservas.
Dívidas e operação
Entre agosto e setembro, as contas da Flybondi foram bloqueadas pela Arca (Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro) e pela Anac (Administração Nacional de Aviação Civil) por dívidas superiores a 1,5 bilhão de pesos com cada órgão. A companhia também acumula débitos com fornecedores.
No campo trabalhista, ex-funcionários realizaram um protesto em Buenos Aires para cobrar indenizações e valores relacionados a desligamentos voluntários. Segundo os trabalhadores, os problemas atingem cerca de mil famílias.
A companhia também enfrenta reclamações de passageiros. De acordo com levantamento do site Failbondi, citado pelo La Nación, cerca de 2,4 mil voos foram cancelados pela Flybondi em 2026, afetando cerca de 383 mil passageiros.
Segundo a mesma fonte, a empresa não teria realizado reembolsos desde janeiro para passageiros afetados pelos cancelamentos. Considerando US$ 50 por passageiro e por trecho, o valor estimado dos reembolsos ultrapassaria US$ 19 milhões.