Aviação brasileira analisa retomada e vê 2021 com otimismo

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Unsplash/Stefan Fluck
Em setembro, o mercado doméstico cresceu sete vezes em comparação ao mês de abril
Em setembro, o mercado doméstico cresceu sete vezes em comparação ao mês de abril
Apesar do cenário positivo, a aviação brasileira enfrenta desafios significativos para uma retomada efetiva, como a recuperação da economia (e dos viajantes corporativos), as questões relacionadas aos protocolos de biossegurança, o quesito de custo e infraestrutura e a necessidade de alianças entre as empresas e entidades do setor. Os cenários da indústria em 2021 foram abordados nesta quarta-feira (4) em um dos painéis do Expo Forum Visit SP, organizado pelo SPCVB (São Paulo Convention & Visitors Bureau) em parceria com a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo e a Abear.

De acordo com o diretor da Iata no Brasil, Dany Oliveira, abril foi o pior mês da aviação nos últimos 75 anos. No entanto, alguns mercados, principalmente os emergentes, têm demonstrado crescimento consecutivo acima de 40%. Em setembro, o mercado doméstico cresceu sete vezes em comparação ao mês de abril, enquanto o internacional cresceu três vezes. Parte desse crescimento se deve à agilidade na abertura das fronteiras e ao fim das restrições de viagens, que também contribuíram para incentivar os países da América Latina a retomarem os voos, como Argentina, Peru e Colômbia.

“A liderança do Brasil em abrir as fronteiras fez com que outros países pudessem criar mecanismos para que as fronteiras fossem reabertas. O mercado internacional ainda está em uma retomada lenta, mas a Iata tem trabalhado para que as barreiras sejam removidas. Comparado aos nossos vizinhos, por exemplo, o Brasil está em um patamar de aviação muito avançado. Hoje, a Iata tem total confiança de que, em 2021, os níveis observados em 2019 já serão atingidos no mercado brasileiro”, disse Oliveira.

A retomada acelerada da aviação brasileira já tem se mostrado efetiva em diversos aeroportos, como o aeroporto de Congonhas. Em outubro, o terminal registrou 30% do movimento pré-pandemia e a expectativa é de que, em agosto de 2021, alcance 100% do movimento de 2019, o que representa cerca de 18 milhões de passageiros.

“Temos visto com bastante otimismo o cenário para 2021. Estamos inclusive preparando o aeroporto para isso por meio de investimentos e reuniões com a Anvisa para mostrar ao passageiro que é seguro voar. Temos atuado em conjunto com o setor e acompanhado o trabalho das aéreas para que seja um complemento do nosso”, destacou o superintendente do aeroporto de Congonhas, João Marcio Jordão, durante o painel mediado pelo presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz.

INVESTIMENTOS PARA 2021

Visando acelerar a retomada, o aeroporto de Congonhas tem investido em modernizações da infraestrutura e segurança, como a ampliação da sala de embarque, a instalação de catracas para facilitar o embarque, a revitalização da fachada e a instalação de uma barreira de concreto no final da pista de pouso – prevista para ser iniciada em 8 de dezembro deste ano.

Emerson Souza
O aeroporto de Congonhas (SP) espera alcançar o movimento pré-pandemia em meados de 2021
O aeroporto de Congonhas (SP) espera alcançar o movimento pré-pandemia em meados de 2021
“Estamos ampliando e modernizando a infraestrutura já pensando na retomada em 2021. São diversas obras que visam trazer agilidade no embarque e desembarque do passageiro, além de buscar atender uma demanda reprimida que existe em São Paulo. Há ainda uma previsão futura de construir uma pista central de maior comprimento do que a atual. Congonhas é um aeroporto que tem um futuro muito promissor”, ressaltou Jordão.

Além do aeroporto na capital, a Infraero tem investido em obras de ampliação no Aeroporto Civil Metropolitano do Guarujá, no litoral paulista, cuja gestão foi assumida em maio deste ano. A expectativa é que, até dezembro, o terminal receba jatos executivos e, em aproximadamente um ano, voos comerciais da Boeing e da Airbus.

PESPECTIVAS DAS AÉREAS

O cenário positivo também é visualizado pelas companhias aéreas, mas ainda com alguns desafios. Para o presidente da Latam Airlines Brasil, Jerome Cadier, o setor precisa focar na maior eficiência e na redução de custos operacionais para que as companhias possam oferecer tarifas mais baixas e, assim, acelerar a retomada.

“É impossível fazer qualquer previsão, mas vejo um cenário em que precisamos ter mais eficiência. A retomada tem que continuar de forma gradual e contínua no próximo ano e, para isso, temos que continuar trabalhando em conjunto para mostrar que voar é seguro. Esperamos que, em 2021, possamos sair do Chapter 11 e voltar a ter uma operação semelhante ao pré-pandemia”, ressaltou Cadier.

Da mesma forma, a Gol e a Azul se mostram otimistas em relação ao futuro da aviação. O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, revela que o início da retomada se deve, principalmente, à percepção de segurança por parte do público. “Apesar do impacto inicial, temos vivenciado um claro início de recuperação, com os nossos indicadores apontando para um cenário consistente. A Gol tem se posicionado como protagonista em relação aos protocolos de biossegurança e trabalhado para trazer a melhor experiência aos clientes. Tenho certeza de que, juntos, venceremos qualquer desafio e entraremos em 2021 com patamares pré-crise”, destacou.

“Em 2020, perdemos muito com a pandemia, então 2021 tem que ser um ano bom para a nossa indústria. Acredito em uma retomada rápida se trabalharmos juntos como indústria. Esse deve ser o nosso foco”, disse o presidente da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson.

Já a Voepass tem trabalhado em uma readequação de malha para a recuperação total até março de 2021. A estimativa é de alcançar de 70% a 80% da produção pré-pandemia até o final de 2020 e 100% a partir de março do próximo ano.
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