Pedro Menezes   |   08/06/2026 11:38

Brasil poderá produzir SAF suficiente para atender demanda da aviação global

Painel da AGM da Iata reuniu representantes para discutir como transformar o potencial brasileiro de SAF

PANROTAS / Pedro Menezes
Painel debateu o potencial do Brasil para produção de SAF
Painel debateu o potencial do Brasil para produção de SAF

RIO DE JANEIRO – O Brasil tem condições de se tornar um dos principais produtores mundiais de combustível sustentável de aviação (SAF) e poderá alcançar, em até três anos, volumes suficientes para atender às metas iniciais de descarbonização do setor aéreo.

A avaliação foi compartilhada por representantes do governo federal e da indústria durante o painel “Closing the Gap Between Brazil's SAF Production Potential and Airline Industry Needs”, realizado nesta segunda-feira (8), durante a Assembleia Geral Anual (AGM) da Iata, no Rio de Janeiro.

O debate contou com a presença de Marlon Leal, diretor de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Pinto, especialista sênior da Petrobras, e Patricia Grossi, head de Mercados de Carbono e Certificação de Biocombustíveis da Acelen Renewables.

Todos destacaram que o Brasil reúne condições únicas para liderar a produção global de SAF graças à diversidade de matérias-primas disponíveis, à experiência acumulada com o etanol e ao novo marco regulatório criado pelo Combustível do Futuro.

  • As companhias aéreas precisarão de cerca de 500 milhões de toneladas (Mt) de SAF para cumprir o compromisso de atingir emissões líquidas zero de CO2 até 2050.
  • O Brasil possui um dos maiores potenciais mundiais de biomassa para produção de combustíveis sustentáveis, estimado em cerca de 180 milhões de toneladas até 2050, volume que poderia gerar aproximadamente 60 milhões de toneladas de SAF.
  • Olhando para 2030, a oferta brasileira de etanol sustentável à base de cana-de-açúcar, além de matérias-primas derivadas de óleos vegetais e resíduos, poderá alcançar cerca de 18 milhões de toneladas, o que se traduz em um potencial de produção de aproximadamente 12 milhões de toneladas de SAF. O volume equivale a cinco vezes a produção global estimada de SAF para 2026, projetada em 2,4 milhões de toneladas.

Modelo brasileiro permite diferentes caminhos de produção

Representando o Ministério de Minas e Energia, Marlon Arraes destacou que o modelo brasileiro foi construído para permitir diferentes caminhos de produção, sem privilegiar uma tecnologia específica. A abundância de resíduos agrícolas, biomassa e áreas degradadas cria uma oportunidade única, segundo ele.

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Marlon Arraes, do Ministério de Minas e Energia
Marlon Arraes, do Ministério de Minas e Energia

“Existe uma questão muito importante: a legislação é agnóstica tanto em relação às rotas tecnológicas quanto às matérias-primas. Isso permite que os produtores busquem alternativas de menor custo utilizando os diferentes insumos disponíveis no Brasil. Temos muitas oportunidades em resíduos, rejeitos e produtos que podem ser trazidos de áreas degradadas para áreas produtivas", disse Marlon.

O executivo ressaltou ainda que o principal desafio agora não é mais saber se o Brasil conseguirá produzir SAF, mas sim dimensionar corretamente a demanda futura. “Sabemos quanto podemos produzir. O que precisamos entender agora é quanto será necessário. Isso dependerá da evolução das tarifas aéreas, da logística operacional, dos créditos de carbono e de outros fatores.”

Marlon mostrou confiança na capacidade da indústria nacional de responder rapidamente ao mercado. “Acredito que, três anos após o início efetivo do mandato de SAF no Brasil, seremos capazes de produzir combustível suficiente para atender à demanda”, disse.

Petrobras vê início da produção em três anos

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Ricardo Pinto, especialista sênior da Petrobras
Ricardo Pinto, especialista sênior da Petrobras

Representando a Petrobras, Ricardo Pinto reforçou a visão de que os primeiros volumes relevantes de SAF começarão a chegar ao mercado brasileiro dentro dos próximos anos. “Em três anos estaremos produzindo nosso primeiro SAF”, afirmou durante o painel.

O executivo destacou que a estatal acompanha de perto o desenvolvimento do mercado e os avanços regulatórios que estão criando as condições necessárias para o surgimento da indústria nacional de SAF.

Acelen aposta na macaúba para reduzir custos

A Acelen Renewables detalhou seu projeto baseado na macaúba, uma palmeira nativa do Brasil considerada uma das grandes apostas para a produção sustentável de combustíveis renováveis. Patricia Grossi vê o mandato brasileiro como um instrumento capaz de acelerar investimentos.

“Estamos trabalhando no marco regulatório do SAF há quatro anos, desenvolvendo conversas com diferentes stakeholders. A ideia é fomentar a produção e impulsionar essa indústria aproveitando as vantagens competitivas que o Brasil possui", disse ela.

A empresa também revelou detalhes da primeira biorrefinaria que será construída no Brasil. A unidade utilizará a macaúba como matéria-prima principal e terá capacidade para produzir até 1 bilhão de litros de combustível renovável por ano quando atingir plena operação (800 mil toneladas de SAF).

SAF no mesmo preço do querosene convencional?

Divulgação/MPor
Acelen afirmou acreditar que conseguirá produzir SAF sem o tradicional prêmio de preço observado hoje no mercado global
Acelen afirmou acreditar que conseguirá produzir SAF sem o tradicional prêmio de preço observado hoje no mercado global

O ponto mais ambicioso da apresentação veio quando a Acelen afirmou acreditar que conseguirá produzir SAF sem o tradicional prêmio de preço observado hoje no mercado global. De acordo com a executiva, isso será possível graças ao aproveitamento integral da macaúba e à circularidade do modelo de negócios.

“Uma das características mais atrativas do projeto é que, quando estivermos totalmente operacionais, conseguiremos produzir SAF com paridade de custo em relação ao querosene de aviação convencional. Estamos muito animados com isso. É uma solução escalável. Esta é apenas a primeira unidade, mas nosso acionista já informou publicamente que ela pode ser a primeira de até cinco plantas semelhantes"

Patricia Grossi, head de Mercados de Carbono e Certificação de Biocombustíveis da Acelen Renewables

A PANROTAS viaja a convite da Iata, voando Latam Airlines.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.