Filip Calixto   |   17/12/2025 17:38
Atualizada em 17/12/2025 17:54

Brasil registra mais de 5 mil colisões entre aves e aeronaves em três anos

Custo anual, incluindo manutenção e indisponibilidade de aeronaves, é estimado em R$ 200 milhões

PANROTAS / Filip Calixto
As colisões têm reflexo direto na operação aérea. A estimativa é de que cerca de 27 mil passageiros sejam afetados por ano em razão do cancelamento de aproximadamente 100 voos
As colisões têm reflexo direto na operação aérea. A estimativa é de que cerca de 27 mil passageiros sejam afetados por ano em razão do cancelamento de aproximadamente 100 voos

Um levantamento da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) aponta que o Brasil registrou 5,1 mil ocorrências de colisões entre aves e aeronaves, conhecidas como bird strike, entre 2022 e 2024. Os dados se referem à aviação comercial regular em aeroportos do País e indicam uma média de uma colisão a cada cinco horas.

Segundo a Abear, em 2025 houve crescimento de 32% no número de registros no primeiro semestre, com mais de 1,1 mil ocorrências, frente a 869 no mesmo período de 2024.

As colisões têm reflexo direto na operação aérea. A estimativa é de que cerca de 27 mil passageiros sejam afetados por ano em razão do cancelamento de aproximadamente 100 voos. As ocorrências resultam em atrasos e cancelamentos que exigem das companhias aéreas o cumprimento da Resolução nº 400 da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que prevê assistência como alimentação e hospedagem. O custo anual, incluindo manutenção e indisponibilidade de aeronaves, é estimado em R$ 200 milhões.

O estudo mostra que 80% dos casos acontecem nos primeiros minutos após a decolagem ou durante a aproximação para o pouso, fases da operação que ocorrem fora do sítio aeroportuário, dentro da Área de Segurança Aeroportuária (ASA). Em 8% das ocorrências, houve danos às aeronaves, com impacto na programação de voos.

Para a Abear, o enfrentamento do problema passa pela regulamentação da Lei nº 12.725/2012, que trata do controle de fauna nas imediações de aeródromos. O diretor de Segurança e Operações de Voo da entidade, Raul de Souza, defende a publicação de decreto presidencial para permitir a aplicação de sanções administrativas a atividades que atraiam aves para a ASA.

Segundo ele, após a regulamentação, o próximo passo é definir aeroportos prioritários e aplicar as medidas previstas, em coordenação com administrações aeroportuárias, autoridades municipais, órgãos ambientais e o Ministério Público. A proposta inclui ações de monitoramento, fiscalização e controle de atividades que contribuam para a presença de aves nas áreas próximas aos aeroportos.


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Sobre o autor

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes