Companhias aéreas dos EUA enfrentam demanda enfraquecida e alta no combustível
Analistas já veem uma forte retração nos gastos com viagens aéreas dos consumidores norte-americanos

Analistas de investimento estão revisando para baixo suas projeções financeiras para as companhias aéreas norte-americanas antes da próxima temporada de balanços, motivados por dados que indicam um desaquecimento no consumo.
De acordo com um relatório do J.P. Morgan Chase, divulgado pela Travel Weekly, as expectativas de lucratividade para 2026 foram amplamente reduzidas para a maioria das companhias aéreas.
A alteração no cenário se deve, em grande medida, aos dados de despesas com cartões de crédito do banco Chase, que apontaram uma forte retração nos gastos com viagens aéreas a partir do fim de março. Esse movimento, aliado à elevação dos custos de combustível, resultou em um contexto desafiador, difícil de ser compensado apenas por meio do repasse de preços nas passagens.
Além disso, o JP Morgan projeta que o combustível de aviação deve alcançar um preço médio de US$ 4,80 por galão no segundo trimestre, encerrado em 30 de junho, e de US$ 4,90 ao longo do segundo semestre. A estimativa representa um salto significativo em relação ao início do ano, quando o combustível era cotado pouco acima de US$ 2 por galão, chegando a cerca de US$ 2,50 às vésperas da guerra com o Irã, no fim de fevereiro. Segundo o banco, as companhias aéreas não terão margem para compensar uma alta tão expressiva apenas com o aumento das tarifas.
As novas estimativas do J.P. Morgan ilustram a gravidade da revisão:
- Delta: A previsão de lucro por ação caiu de US$ 7,05 para apenas US$ 0,15.
- United: A projeção passou de um lucro de US$ 13,82 por ação para uma perda estimada de cerca de US$ 1,00.
Apesar dessas correções, acredita-se que a receita total do setor em 2026 ainda possa se alinhar com as previsões iniciais, embora o otimismo anterior — que apontava para um crescimento adicional de 3% a 5% — tenha sido freado pelos novos dados de consumo.