Guerra Oriente Médio: combustível de aviação sobe 83% e atinge US$ 197 por barril
Influenciado pelo conflito, cenário já é considerado o maior desafio do setor aéreo desde a pandemia

O setor aéreo global enfrenta um de seus momentos mais desafiadores desde a pandemia. De acordo com o relatório mais recente da Iata, os preços do querosene de aviação registraram alta histórica, impulsionados pela escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Nas últimas semanas de março, o preço médio global do combustível de aviação atingiu a marca de US$ 197 por barril, salto significativo que reflete um aumento de quase 83% em apenas um mês. Em termos anuais, o crescimento é ainda mais alarmante, aproximando-se de 94%.
Ásia e Oceania lideraram as altas globais, com o preço do combustível de aviação avançando cerca de 134% na comparação anual, segundo a Iata. Em dados mais recentes, os valores na região chegaram a superar US$ 5 por galão.
No Brasil, o QAV já representa mais de 30% dos custos operacionais das companhias. Analistas indicam que o reajuste acumulado de 55% no mercado doméstico deve ser repassado diretamente ao consumidor final.
Março também foi crítico para a América do Norte. O preço médio do combustível de aviação atingiu US$ 189,45 por barril. A variação anual registrou alta explosiva de 91,2%, indicando que o custo para abastecer as frotas praticamente dobrou em apenas doze meses.
Oportunidade para o Brasil?
Apesar da pressão financeira exercida pelos combustíveis em março, a demanda por viagens demonstrou uma resiliência surpreendente em fevereiro. Segundo o relatório de passageiros da Iata, o mercado doméstico global cresceu 6,3%, impulsionado principalmente pelo desempenho explosivo do Brasil e da China, que registraram altas de 12,6% e 12,5% na demanda, respectivamente.
A América Latina também se destacou como a região mais eficiente do mundo no período. As companhias aéreas latino-americanas registraram a maior taxa de ocupação global, atingindo 85%. Esse índice representa um aumento de 3,1 pontos percentuais em relação ao ano anterior, sinalizando que, mesmo com tarifas pressionadas pelo QAV, os aviões na região estão decolando com ocupação máxima.
O setor agora volta as atenções para o desempenho dos próximos meses. Embora a demanda tenha sido forte até fevereiro, o salto histórico nos preços do combustível registrado em março impõe um novo desafio financeiro. A indústria de Viagens e Turismo aguarda para ver se o volume de passageiros se manterá resiliente ou se sofrerá retrações com o repasse inevitável dos custos do QAV para as passagens.