Pedro Menezes   |   23/04/2026 16:36

Conectividade aérea despenca entre Américas e hubs do Oriente Médio; veja dados

Estudo global de capacidade aérea revela queda significativa principalmente nas rotas dos Estados Unidos

Divulgação/Hamad Airport
A queda é mais acentuada especialmente nas rotas que ligam São Paulo e Rio de Janeiro a hubs regionais como Istambul, Doha e Dubai
A queda é mais acentuada especialmente nas rotas que ligam São Paulo e Rio de Janeiro a hubs regionais como Istambul, Doha e Dubai

A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, já provoca uma forte retração na conectividade aérea entre importantes hubs das Américas e do Oriente Médio, segundo a mais recente análise de capacidade aérea programada realizada pela empresas Mabrian e pela Data Appeal.

Os dados revelam uma redução acentuada na oferta de assentos a partir dos Estados Unidos, além de quedas moderadas, mas relevantes, no Brasil e impacto limitado no México.

A análise comparou a capacidade programada de assentos para viagens entre 14 de abril e 31 de maio de 2026, considerando dados registrados uma semana antes do início do conflito e os horários mais recentes disponíveis. O estudo foca nas rotas com voos diretos que conectam EUA, México e Brasil a países da Ásia.

Embora os EUA tenham registrado a maior queda de conectividade (veja mais detalhes abaixo), os efeitos também avançam em mercados relevantes da América Latina. O Brasil, por exemplo, apresentou reduções em suas principais conexões com o Oriente Médio.

A queda é mais acentuada especialmente nas rotas que ligam São Paulo e Rio de Janeiro a hubs regionais como Istambul, Doha e Dubai. Tanto é que, entre as principais operadoras que conectam o Brasil ao Oriente Médio, a oferta de assentos da Emirates nas rotas diretas entre Rio e São Paulo para Dubai caiu 10,2%. Já a rota São Paulo–Doha, operada pela Qatar Airways, registrou forte redução de 57,9%, enquanto o voo São Paulo–Istambul da Turkish Airlines apresentou queda mais moderada, de 2,3%.

O México, por sua vez, apresenta impacto mais limitado. A conectividade direta do país com o Oriente Médio está atualmente restrita a uma única rota operada pela Turkish Airlines, resultando em variação relativamente pequena na capacidade total de assentos, com queda de 3,2% desde o início do conflito.

Divulgação/Qatar Airways
Rota São Paulo–Doha, operada pela Qatar Airways, registrou forte redução de 57,9%
Rota São Paulo–Doha, operada pela Qatar Airways, registrou forte redução de 57,9%

“Além da volatilidade atual que afeta as viagens internacionais, os custos de combustível também são um fator importante na dinâmica da demanda. A capacidade aérea programada deverá sofrer novos ajustes em função do aumento dos custos de viagem, levando passageiros dos Estados Unidos, México e Brasil a reconsiderar seus destinos e possivelmente direcionar seu interesse para alternativas domésticas e regionais com preços mais competitivos ou estáveis”, disse Carlos Cendra, diretor de Marketing e Comunicação da Mabrian.

Conectividade entre EUA e Oriente Médio cai 60%

A conectividade aérea entre os Estados Unidos e o Oriente Médio, por sua vez, apresentou uma retração ainda mais significativa, com a oferta de assentos a partir de 14 aeroportos norte-americanos para destinos da região caindo 59,1% desde o início do conflito.

A redução reflete ajustes generalizados entre grandes companhias aéreas que operam rotas intercontinentais, incluindo as norte-americanas United Airlines, American Airlines e Delta Air Lines, além de realinhamentos de capacidade implementados por transportadoras do Oriente Médio.

Divulgação
Voos da Emirates para os EUA recuaram 21%
Voos da Emirates para os EUA recuaram 21%

É o caso da Qatar Airways, que registra uma queda de 60,5% na oferta de assentos a partir dos aeroportos dos EUA desde o início do conflito. Em seguida aparecem a Royal Jordanian e a Emirates, com reduções de 23,7% e 21%, respectivamente, enquanto a Etihad Airways também apresenta queda relevante de 18,4%.

"A dimensão da queda evidencia a sensibilidade das viagens internacionais de longa distância à instabilidade geopolítica, especialmente em corredores que dependem de operações complexas de espaço aéreo e da confiança da demanda. No geral, o mercado foi particularmente afetado pela interrupção dessas rotas e de hubs estratégicos de conectividade

Carlos Cendra, diretor de Marketing e Comunicação da Mabrian

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.