Laura Enchioglo   |   13/05/2026 09:54

Tráfego aéreo na América Latina cresce 6%; preço do combustível chega ao dobro da média

Aumento está alinhado à pressão global sobre os combustíveis refinados provocada pelo conflito no Irã


Unsplash/Claudio Schwarz
O avanço foi de 10,7% na comparação anual, com mercados como Argentina–Brasil crescendo 29,8% e ampliando sua conectividade para 32 pares de aeroportos, sete a mais do que há um ano
O avanço foi de 10,7% na comparação anual, com mercados como Argentina–Brasil crescendo 29,8% e ampliando sua conectividade para 32 pares de aeroportos, sete a mais do que há um ano

Em março de 2026, o tráfego aéreo total de passageiros de, para e dentro da América Latina e do Caribe alcançou 43,1 milhões de passageiros, de acordo com dados da Alta (Associação Latino-Americana e Caribenha de Transporte Aéreo).

Isso representa um crescimento anual de 6% em relação a março de 2025, equivalente a 2,45 milhões de passageiros adicionais. O crescimento foi semelhante ao observado em fevereiro. A oferta total de voos aumentou 4,4% na comparação anual, enquanto a capacidade medida em assentos cresceu 4,5%.

Na semana encerrada em 1º de maio, o preço médio do combustível de aviação na América Latina e no Caribe alcançou US$ 4,36 por galão, quase o dobro da média registrada ao longo de 2025. O aumento está alinhado à pressão global sobre os combustíveis refinados provocada pelo conflito no Irã e pelas consequentes restrições de trânsito no Estreito de Ormuz.

Veja outros indicadores:

  • A capacidade medida em assentos-quilômetro disponíveis (ASK) cresceu 3,6% na comparação anual;
  • A demanda, medida em passageiros-quilômetro transportados (RPK) aumentou 7,3% na comparação anual;
  • A taxa média de ocupação foi de 83,9%, 2,9 pontos percentuais acima de março de 2025;


Tráfego aéreo em março de 2026: principais resultados

  • O tráfego aéreo regional alcançou 43,1 milhões de passageiros em março;
  • O mercado doméstico representou 54,5% do total, enquanto o internacional respondeu por 45,5%;
  • O crescimento do tráfego extrarregional foi menor do que o crescimento do tráfego intrarregional;
  • O tráfego extrarregional cresceu 0,8%, em um mês no qual o tráfego entre a América Latina e os Estados Unidos caiu 2,8%;
  • O tráfego com os Estados Unidos mudou de tendência em março;
  • Houve queda anual de 2,8%, após dois meses de crescimento, impactada principalmente pela retração do mercado México–Estados Unidos (-11,6%);
  • A queda no tráfego entre México e Estados Unidos refletiu-se em destinos turísticos;
  • O fluxo de passageiros entre Estados Unidos e Cancún caiu 11,5%, enquanto entre Estados Unidos e San José del Cabo recuou 9,2%;
  • O crescimento intrarregional veio acompanhado de maior conectividade;
  • O avanço foi de 10,7% na comparação anual, com mercados como Argentina–Brasil crescendo 29,8% e ampliando sua conectividade para 32 pares de aeroportos, sete a mais do que há um ano;
  • Alguns mercados apresentaram retração em março;
  • O México caiu 3,2%, o Chile 1,9% e a Bolívia 11,5%, com as quedas concentradas no tráfego doméstico;
  • O aumento no preço do combustível voltou a pressionar os custos da indústria.


“Março confirma que a região cresce de dentro para fora: 8 em cada 10 passageiros adicionais do trimestre voaram dentro da América Latina e do Caribe, com mercados como Argentina–Brasil crescendo 29,8%. Sustentar esse dinamismo, em um contexto no qual o conflito no Irã e as consequentes restrições no Estreito de Ormuz pressionaram a alta do preço do combustível, exige evitar medidas que tornem voar ainda mais caro, para preservar a conectividade que impulsiona o desenvolvimento regional”, afirmou o CEO da Alta, Peter Cerdá.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, Laura Enchioglo é repórter na PANROTAS, onde entrou como estagiária em 2023. Tem experiência em assessoria de imprensa e na cobertura de economia e finanças.