Laura Enchioglo   |   30/06/2026 09:56

Tecnologia reduz taxas de extravio de bagagem em 23% em 2025, mas custos ainda são altos

Extravio custa ao setor US$ 6,3 bilhões anualmente; cada mala acarreta um custo médio de US$ 260

Divulgação/Aena Brasil
Número de passageiros está crescendo mais rapidamente do que a infraestrutura projetada para atendê-los
Número de passageiros está crescendo mais rapidamente do que a infraestrutura projetada para atendê-los

Em 2025, o setor aéreo registrou seu melhor desempenho desde o início da pandemia no que diz respeito ao extravio de bagagens, mesmo com o aumento no número de passageiros. As taxas caíram 23%, um sinal de que os esforços pela transformação digital estão dando resultados, de acordo com o relatório “Baggage IT Insights” de 2026 da SITA, a 20ª edição anual desse estudo de referência à indústria.

Porém, a questão mais importante não é apenas a melhoria. É a lacuna que ainda persiste. O extravio de bagagens ainda custa ao setor US$ 6,3 bilhões anualmente.

Cada mala extraviada acarreta um custo médio de US$ 260. Com um lucro líquido médio de apenas US$ 8 por passageiro, uma mala extraviada anula o lucro de mais de 30 assentos vendidos, e cinco anulam o lucro de um voo inteiro.

O número de passageiros está crescendo mais rapidamente do que a infraestrutura projetada para atendê-los. Somente em 2025, 5 bilhões de passageiros viajaram em todo o mundo, e 24 milhões de bagagens foram extraviadas. Mas em uma perspectiva de longo prazo, o número de extravio de bagagens caiu quase três quartos desde 2007.

O que aconteceu em 2025 não foi uma única tecnologia, mas uma mudança na forma como os sistemas se conectam: compartilhamento de dados em tempo real, roteamento por IA, despacho biométrico de bagagem e dispositivos conectados dos passageiros.

Resultados reais comprovam a eficácia da solução. A integração do Find My, da Apple, com o SITA WorldTracer reduziu em 90% a perda definitiva de bagagens no primeiro ano e diminuiu em 26% o tempo de recuperação de malas atrasadas. Recentemente, a empresa também integrou a este sistema o recurso de compartilhamento de localização de itens do Find Hub, do Google. A Thai Airways, utilizando o Auto Reflight, da SITA, reduziu uma operação de três minutos para apenas um segundo por mala em nove aeroportos.

O relatório identifica de onde podem vir os próximos ganhos. As bagagens atrasadas representam cerca de 70% do custo total, sendo a maior parte desse valor operacional – relacionado à recuperação, ao redirecionamento e à entrega. No caso de malas perdidas ou danificadas, até 70% do custo é destinado a indenizações. As conexões continuam sendo o principal fator de erros de operação, representando 39% dos casos em 2025, uma queda em relação aos 41% do ano anterior.

Com isso, três em cada quatro companhias aéreas planejam investir em IA nos próximos dois anos. Metade delas planeja fornecer aos passageiros atualizações em tempo real sobre a bagagem. O rastreamento de mala em todo o setor, de acordo com a Resolução 753 da IATA, já ultrapassou a marca de 50%, com a meta de conformidade total prevista para 2027. O próximo horizonte já está na pista : etiquetar as bagagens em casa, deixá-las no carro e malas que não precisam voar na mesma aeronave que o passageiro.

Quer receber notícias como essa, além das mais lidas da semana e a Revista PANROTAS gratuitamente?
Entre em nosso grupo de WhatsApp.

Tópicos relacionados

Foto de Laura Enchioglo

Conteúdos por

Laura Enchioglo

Laura Enchioglo tem 5075 conteúdos publicados no Portal PANROTAS. Confira!

Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, Laura Enchioglo é repórter na PANROTAS, onde entrou como estagiária em 2023. Tem experiência em assessoria de imprensa e na cobertura de economia e finanças.