Recife em foco: um roteiro de viagem guiado pelo filme "O Agente Secreto"
Obra de Kleber Mendonça Filho leva prêmios no Globo de Ouro e aumenta chances para Oscar, em março

Assim como foi em 2025, com "Ainda Estou Aqui", o cinema brasileiro continua brilhando em 2026. Na noite deste domingo (11), "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, levou o Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa. Esta foi a primeira vez que o Brasil ganhou na categoria, depois de 27 anos, com a vitória de "Central do Brasil".
O protagonista do longa, Wagner Moura, também fez história, ao vencer o prêmio de melhor ator em filme de drama – sendo o primeiro ator brasileiro a ser contemplado.
O thriller político se passa em Recife dos anos 1970, acompanhando a história de Marcelo (interpretado por Moura), um professor universitário especialista em tecnologia que precisa fugir de sua vida acadêmica e pessoal, ao adotar um novo nome e perfil em plena ditadura militar.
A obra de Mendonça Filho traz um cenário fiel ao regime militar que se vivia na época, com muitas referências culturais e lendas urbanas. Também deu foco à capital de Pernambuco e ao Estado como um todo, ao retratar as paisagens e pontos turísticos, sendo a cidade um personagem central.
O resultado da noite de ontem aumenta as chances do filme brasileiro para o Oscar, que acontece em 15 de março. Os indicados serão anunciados no dia 22 de janeiro.
Confira um roteiro por Recife pelos olhos de "O Agente Secreto"
1. Bairro do Recife (Recife Antigo): o ponto de partida
As caminhadas pelo Bairro do Recife remetem à estética do filme: ruas estreitas, edifícios históricos e uma sensação constante de vigilância e memória.

A Rua do Bom Jesus, o Marco Zero e o entorno do porto ajudam a compreender o Recife que dialoga com o passado político e cultural retratado na obra.
- Experiência sugerida: passeio guiado a pé pelo Recife Antigo, com foco em arquitetura modernista, prédios institucionais e histórias da década de 1970.
2. Centro do Recife: arquitetura, tensão e cotidiano
O Centro aparece no filme como espaço de deslocamento e observação. A Avenida Conde da Boa Vista, com seus edifícios altos e fluxo urbano, traduz a atmosfera de controle e anonimato presente na narrativa do filme.

Paradas estratégicas:
- Fachadas de antigos cinemas de rua;
- Galerias comerciais tradicionais;
- Edifícios modernistas que marcaram a expansão urbana da cidade.
3. Cinema de rua é um dos locais centrais
A relação de Kleber Mendonça Filho com o cinema é inseparável de Recife. O Cinema São Luiz, localizado na Rua da Aurora e um ícone cultural da cidade até hoje, dialoga diretamente com o espírito do filme, que reflete sobre imagens, vigilância e narrativa.

Para aproveitar o local, inclua sessões especiais, debates ou visitas guiadas que conectem o filme à história do cinema pernambucano.
4. Bairros residenciais: o Recife íntimo e político
Bairros como Graças e Espinheiro ajudam a compreender o contraste entre o espaço público e o privado – tema recorrente no filme.

Ruas arborizadas, casas antigas e edifícios residenciais reforçam a ideia de um Recife observado, silencioso e carregado de histórias não ditas.