De CEO para CEO: Bob Iger e Josh D'Amaro abordam legado e o futuro da Disney
Josh DAmaro afirmou que dimensão da Disney exige responsabilidade e visão de longo prazo como novo CEO

A Disney inicia, agora em março, uma das transições de liderança mais relevantes de sua história recente. Bob Iger, que voltou ao cargo de CEO em 2022 com a responsabilidade de devolver a empresa aos trilhos, irá realmente se aposentar agora em 2026 do cargo executivo, abrindo caminho para Josh D'Amaro.
À frente do maior segmento de negócios da empresa, com receita anual de US$ 36 bilhões no ano fiscal de 2025 e 185 mil colaboradores em todo o mundo, D’Amaro é um veterano da Disney e acumula 28 anos de casa. Conhece cada segmento da empresa e hoje lidera a divisão de parques temáticos.
Em entrevista exclusiva à ABC News, o atual CEO Bob Iger e seu sucessor, Josh D’Amaro, abordaram os desafios e oportunidades do futuro da companhia, desde inovação tecnológica e inteligência artificial até a preservação do legado criativo que tranformou o grupo em uma potência global do entretenimento.
A conversa ocorreu poucas horas após o anúncio oficial de que D’Amaro assumirá o comando da empresa. O executivo não conseguiu esconder o peso do cargo que assumirá. Segundo ele, a dimensão da Disney exige responsabilidade e visão de longo prazo.
“Claro que sinto o peso nos ombros. Acho que devo sentir. Mas me sinto muito feliz por estar em posição de conduzir a marca pelos próximos 100 anos"
Josh D'Amaro, CEO eleito da Disney
A declaração reflete o tamanho do desafio: liderar uma companhia centenária, dona de marcas como Disney, Pixar, Marvel, Star Wars, ABC e ESPN, além de uma gigantesca operação global de parques, resorts, cruzeiros e produtos licenciados que segue em franca expansão.
O legado de Bob Iger

Bob Iger destacou que compreender o impacto cultural da Disney é parte essencial do cargo de CEO. Para ele, a empresa ocupa um espaço emocional único na vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Iger também ressaltou que liderar a companhia exige encontrar um equilíbrio delicado entre tradição e inovação.
“A Disney é uma instituição cultural que tocou centenas de milhões de pessoas por mais de 100 anos. E entender o lugar que a Disney ocupa na vida das pessoas é essencial para qualquer um que esteja nessa posição e queira levar a empresa adiante. Para isso, é necessário manter um equilíbrio cuidadoso entre legado e inovação, além de preservar a essência da marca, que não impede que a empresa avance tecnologicamente e explore novos modelos de negócios"
Bob Iger, CEO da Disney
Após deixar o cargo em 2020, Iger retornou ao comando da Disney em 2022 para conduzir uma nova fase de reorganização estratégica, após a saída de Bob Chapek. Agora, o executivo, que se despede definitivamente da função executiva, admitiu que não ser simples encerrar um ciclo tão longo.
“Você não simplesmente desliga o interruptor de algo que fez parte tão importante da sua vida”, afirmou Bob Iger. Ainda assim, disse que espera aproveitar um período mais tranquilo daqui para frente, buscando “momentos e dias mais calmos e mais espaço na vida”.
A ascensão de D’Amaro dentro da Disney

Josh D’Amaro construiu praticamente toda sua carreira dentro da Disney. Ele ingressou na companhia em 1998 e logo ganhou destaque na operação de parques e resorts, área que se tornou uma das mais lucrativas e estratégicas do grupo.
Ao longo dos anos, comandou o Disneyland Resort, na Califórnia, e posteriormente assumiu posições de liderança no Walt Disney World, na Flórida. Mais recentemente, passou a liderar toda a divisão global de experiências, que inclui parques, hotéis, cruzeiros e produtos licenciados.
“Tive o grande benefício e a honra de trabalhar com Bob por todos esses anos, primeiro de longe e depois muito mais de perto. Observei provavelmente o melhor entre os melhores equilibrar legado e inovação. Bob é alguém que assume riscos. Eu também sou. Isso sempre fez parte da minha vida"
Josh D'Amaro, futuro CEO da Disney
Como exemplo, ele citou a expansão internacional da Disney e novos projetos em regiões estratégicas, incluindo investimentos recentes no Oriente Médio.
Inteligência artificial e tecnologia no centro da estratégia

Um dos temas mais relevantes da entrevista foi o papel da tecnologia e, especialmente, da inteligência artificial no futuro da companhia. Recentemente, a Disney anunciou um investimento de US$ 1 bilhão na OpenAI, reforçando o interesse em explorar novas ferramentas para potencializar suas produções e experiências.
Iger afirmou que a escolha de D’Amaro para liderar a empresa também está ligada à forma como ele enxerga a tecnologia. “Uma das razões pelas quais Josh foi escolhido é que eu o observei ao longo dos anos como alguém que vê a tecnologia como uma oportunidade e não como uma ameaça", disse.
D’Amaro reforçou ainda que a tecnologia deve servir como apoio ao talento humano, não como substituição. “A razão de esta empresa ser tão especial é por causa da criatividade das pessoas. A inteligência artificial é real, está aqui, e estamos abraçando isso. Ela pode potencializar nossos criativos de formas incríveis", frisou.
A nova era D'Amaro

A escolha de D’Amaro indica uma continuidade estratégica dentro da Disney, mas com foco ainda maior em experiências, inovação tecnológica e expansão internacional. Internamente, ele é visto como um líder com forte capacidade operacional e habilidade para conectar diferentes áreas da empresa.
Sua chegada também ocorre num momento em que a Disney precisa equilibrar criatividade, inovação tecnológica e eficiência financeira
Iger deixa o comando após moldar a Disney para a modernidade, enquanto D’Amaro assume com a missão de conduzi-la para a próxima fase. Como o próprio novo CEO afirmou, trata-se não apenas de comandar uma empresa, mas de cuidar de uma marca que atravessa gerações. E, segundo ele, a responsabilidade é clara: conduzir a Disney rumo ao próximo século de histórias, personagens e experiências.