O que o Brasil pode esperar e aprender na retomada?

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O Watching the Travel World foi realizado a partir do Sheraton São Paulo WTC Hotel
O Watching the Travel World foi realizado a partir do Sheraton São Paulo WTC Hotel
Hoje (10), a Travel Matcher realizou um evento online para debater o momento do Turismo brasileiro e o que podemos aprender com outros países, como a Nova Zelândia, China e Itália. O Watching the Travel Word foi mediado por Ana Donato, Jeanine Pires e Leonardo Fortes, do Travel Matcher; e contou com a participação do presidente do Instituto de Pesquisa Locomotiva, Renato Meirelles.

"Quem sabe o que vai acontecer, está errado. Existem tendências, mas este movimento é novo para todos nós, este movimento gradual do Turismo e da vida", afirmou Meirelles. Para o analista, "esta talvez seja a última oportunidade dos intermediadores de viagens se reinventarem, oferecendo algo que uma máquina não consiga prestar". Meirelles afirmou que o Turismo estava encaminhando para algo "faça você mesmo" e a pandemia mudou isso, mostrando novamente a importância do agente como curador de informações e advogado do cliente perante a outras empresas.

Agora, em um momento de transição entre medo e confiança, de adaptação a viver em meio a uma pandemia, este papel dos intermediadores de viagens volta a ser requisitado com a necessidade de remarcações e assistência médica no exterior, por exemplo. Segundo Meirelles, em seguida, testaremos limites como consequência do isolamento prolongado e, então, lidaremos com um retorno atípico, para então superar a pandemia com novos comportamentos adquiridos.

Entre estes novos comportamentos, os brasileiros pretendem continuar evitando locais públicos e se preocupando com o distanciamento social em atrativos turísticos mesmo após a pandemia. De acordo com Meirelles, 89% dos viajantes brasileiros acreditam que após o fim do isolamento social, a vida não voltará a ser exatamente como era antes do covid-19. Outra mudança noticiada é a maior preocupação com a saúde e bem-estar da família e pessoas próximas. Nesse sentido, aumenta a busca de soluções de Turismo que combine comodidade e privacidade.

O evento também contou com a participação de representantes do Turismo da Nova Zelândia, China e Itália; que apresentaram o que seus países tem feito para retomar a indústria. A Nova Zelândia foi representada por René de Monchy, diretor comercial da Tourism New Zealand, e Karem Basulto, country manager para o Brasil e América Latina. A China foi representado por George Cao, CEO da Dragon Trail Interactive, e Alessadro Dassi, CEO da Thomas Cook China. E a Itália foi representada por Maria Elena Rossi, diretora de Marketing da Agência Nacional de Turismo da Itália, e Nelson de Oliveira, country manager da Alitalia no Brasil. Confira abaixo algumas das lições de cada país para o Turismo brasileiro.

NOVA ZELÂNDIA
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Nova Zelândia busca se manter no imaginário do viajante enquanto não pode recebê-lo
Nova Zelândia busca se manter no imaginário do viajante enquanto não pode recebê-lo

René de Monchy mostrou como o país da Oceania desenhou um posicionamento do destino no imaginário do viajante internacional, enquanto tenta fortalecer o mercado doméstico. Neste sentido, a Nova Zelândia está procurando engajar os residentes para estarem mais próximos e ativos na indústria turística e também promover destinos que ainda não conhecem no próprio país.

"A primeira coisa que fizemos foi promover outras agências do País que também promovem o destino educacionalmente e esportivamente, por exemplo. Pelos próximos 12 meses, faremos uma campanha para inspirar, encorajar e animar pessoas no mundo todo. Com isso, queremos que as pessoas pensem que o país sabe o que é importante na vida e agora, além de manter o país no imaginário do viajante", afirmou. A campanha já obteve 11,6 milhões de visualizações com resposta positiva entre 77% e 93%.

CHINA

Já a China, um país muito maior e que foi comparado com o Brasil pela capacidade de seu turismo doméstico, conta com pessoas voltando aos seus hábitos ao notar que as coisas estão sob controle. De acordo com George Cao, o turismo doméstico de lazer no país já alcançará os níveis de ocupação de 2019 ao final de setembro, na medida em que resorts a três ou quatro horas de cidades grandes e destinos remotos e de praia vem registrando uma crescente demanda.

Alessadro Dassi afirmou que o Turismo corporativo também já reiniciou, inclusive tendo participado de uma grande conferência recentemente. "As pessoas querem se encontrar e falar sobre negócios cara a cara", afirmou. Já Cao discordou um pouco e afirmou que o corporativo voltará mais vagarosamente, já que as pessoas podem trocar algumas reuniões e reuniões não essenciais por encontros virtuais em plataformas com o Zoom.

Cao ainda compartilhou que a China está usando um aplicativo para controlar a entrada das pessoas em estabelecimentos e também rastrear os padrões de movimentação para entender o comportamento do viajante doméstico.

ITÁLIA

Para a diretora de Marketing da Agência Nacional de Turismo da Itália, Maria Elena Rossi, a comunicação é essencial para a retomada. Logo no começo da pandemia, com o país se tornando um epicentro, a tecnologia já foi essencial no monitoramento das mídias e fake news. "Nós realizamos que poderíamos reagir às notícias imediatamente envolvendo embaixadores, contar o que realmente estava acontecendo no país", afirmou Maria Elena, defendendo que as agências nacionais devem ser cada vez mais o ponto de referência para a indústria do Turismo.

"A tecnologia é um meio e não o fim do nosso trabalho. Esse processo de digitalização já estava acontecendo e foi acelerado. Estamos tendo que nos posicionar em termos de esforços promocionais. Como nossos hotéis e restaurantes estão se promovendo? Como ele podem construir seu próprio banco de dados e contatar o consumidor? Precisamos que o setor privado seja ativo e reativo no digital. Precisamos não só aprender a usar a tecnologia, mas também a transmitir a menagem correta", explicou a diretora de Marketing.

Confira abaixo o Watching the Travel Word completo. Caso queira assistir alguma apresentação específica, estas são as minutagens: Nova Zelândia (15 minutos de vídeo), China (50 minutos), Itália (1 hora e 27 minutos), Brasil/Instituto de Pesquisa Locomotiva (2 horas e 7 minutos).


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