Luxo com propósito e ESG marcam debates no 20º Sahic, no Rio de Janeiro
Executivos de redes hoteleiras afirmam que autenticidade, sustentabilidade e conexão local atraem hóspedes

RIO DE JANEIRO - O conceito de luxo e as transformações dos hotéis na última década foram dois temas que marcaram o primeiro dia do 20º Sahic Hotel & Tourism Investiment Forum Latin America & Caribe, realizado pelo segundo ano consecutivo no Fairmont Rio de Janeiro Copacabana. O evento, um dos principais fóruns regionais de investimentos em hotelaria, Turismo e imóveis, termina nesta terça-feira, 24 de março.
O painel com o tema “Redefinindo o luxo por meio do impacto: experiência, ESG e criação de valor de longo prazo” reuniu Guilherme Cesari, líder de Desenvolvimento nas Américas do cluster de Luxo e Lifestyle da Accor; Laurent Carrasset, vice-presidente, líder de Operações na América do Sul e de Desenvolvimento nas Américas da Belmond; e Joe Koechlin, fundador e CEO da Inkaterra, rede peruana hotéis carbono neutro. A mediação foi de Paula Muniz, diretora de Desenvolvimento do Banyan Group.
“Enquanto muitas grandes empresas têm que se adequar aos conceitos de ESG, o Banyan Group foi fundado com foco em sustentabilidade”, disse Paula Muniz. “Há dez anos, uma marca oferecia a mesma experiência no Rio ou em Tóquio, e anunciava como uma vantagem. Hoje ninguém mais quer saber disso. A América Latina é percebida como região complexa, lenta e de alto risco. Mas oferecemos algo incomparável como a biodiversidade. Novos modelos de luxo estão mais ambientados do que os antigos.”
“Se antes o luxo era associado a excesso, hoje a palavra que resume é autenticidade. Quando falamos sobre ESG, estamos falando também de rentabilidade. Se aumentamos o valor do ativo, o hóspede percebe. E há investidores que só se interessam por projetos com certificações internacionais, porque isso será fundamental para a propriedade continuar a se valorizar no futuro"
Guilherme Cesari, da Accor
“Luxo era acesso e escala; agora é impacto”, definiu Laurent Carrasset, da Belmond, que completou:
“Temos que estar profundamente conectados com o local em que atuamos e integrados. Se a comunidade não se beneficia, o ativo se desvaloriza. Estamos renovando o anexo do Copacabana Palace, por exemplo, com 100% de material e operação nacional. Não estamos importando nada. Hoje o viajante busca significado e aprendizado, e não apenas conforto. A experiência deixa de ser custo, e se converte em resultado"
Laurent Carrasset, da Belmond
Cesari, da Accor, citou um caso parecido na América do Sul: “Quando começamos a trabalhar no projeto do SLS em Punta del Este, no Uruguai, os investidores deixaram claro quem queriam uma marca internacional com um escritório de arquitetura nacional à frente. E a área de alimentos e bebidas está sendo pensada para atender às pessoas que vivem em Punta, além das que visitam a cidade”.

Joe Koechlin, da Inkaterra, resumiu: “Estamos de acordo sobre todos os conceitos atuais de luxo. E, o mais importante, nossos investidores e hóspedes também concordam”.
A manhã de discussões terminou com o painel “Classes de ativos em transformação: hotéis já não são apenas hotéis”. Os palestrantes foram Paulo Mancio, vice-presidente de Desenvolvimento para o Brasil da Marriott International; Cristiano Gonçalves, vice-presidente de Desenvolvimento para América do Sul e Caribe da Hyatt, e Claudia Piña, gerente de Desenvolvimento para Colômbia, Equador e Peru da divisão Premium, Midscale e Economy da Accor. A mediação foi de Raúl Calvet, CEO e sócio-gerente da Colliers CAAC, empresa de Inteligência de Mercado e Consultoria na Costa Rica.
“Wellness é o mais importante hoje em dia, o cliente quer se sentir bem”, fizeram coro Paulo Mancio, da Marriott, e Cristiano Gonçalves, da Hyatt. “Para um hotel bonito, basta ter dinheiro e contratar um bom arquiteto. Mas ter um hotel do qual o cliente saia diferente, se sentindo melhor, não é fácil”, ressaltou Gonçalves.
“E não podemos perder de vista que estamos administrando o ativo de um terceiro. A melhor maneira de valorizar um ativo é conhecer a vizinhança”, acrescentou Mancio. “Temos que ter projetos para diferentes classes econômicas da cidade, trazer para dentro do hotel. E a nova geração não quer saber de coisas artificiais. Quando o hotel tem atrativos, é bom para a cidade e para investimento. Você mitiga riscos".