Sahic discute expansão de hotéis midscale e resorts na América Latina e no Caribe
Fórum regional de investimentos, realizado no Fairmont Rio de Janeiro, entra no segundo e último dia

RIO DE JANEIRO - O segundo e último dia da 20ª edição do Sahic Hotel & Tourism Investiment Forum Latin America & Caribe teve início com um dos mais importantes temas globais: crise climática.
Em seguida, foram discutidas duas questões fundamentais para o desenvolvimento do mercado de hotelaria e Turismo na região: como impulsionar o crescimento do segmento midscale e os investimentos em resorts. O fórum regional de economia é realizado pela segunda vez consecutiva no Fairmont Rio de Janeiro.
Camila Rodriguez Taylor, consultora de Clima e Meio Ambiente do IBD Invest, braço do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) voltado para o setor privado na América Latina e no Caribe, abriu a manhã com a apresentação “Resiliência como estratégia: risco climático, adaptação e criação de valor de longo prazo dos ativos”.
Em seguida, no primeiro painel do dia, discutiu-se o tema “Midscale em movimento: construindo plataformas escaláveis na América Latina e no Caribe”. O debate reuniu Ricardo Manarini, country manager no Brasil da BWH Hotels; Veronica Franco, gerente de Desenvolvimento para as Américas da divisão Premium, Midscale e Economy da Accor; Renato Carvalho, gerente de Desenvolvimento no Brasil da marca City Express, da Marriott International; e Juan Camilo Castaño, CDO da operadora hoteleira GHL.
“Midscale não é aquele hotel do qual você vai sair dizendo uau, por isso ou você entrega o básico bem-feito ou não funciona”, avisou Manarini, da BWH. O country manager citou o caso do Best Western Hangar Aeroporto, em Salvador: “Fizemos pequenos ajustes, um retrofit leve, acrescentamos minibar. Aumentou o nível de satisfação do hóspede e deu resultado. A receita aumentou em mais de 10%. E, claro, um hotel midscale tem que ter boa cama, boa ducha e internet de alta velocidade.”
Veronica Franco, Accor, usou o exemplo do Pullman Vila Olímpia, em São Paulo: “Queremos que todos os nossos hotéis tenham um diferencial de lifestyle e que tenham contato com a comunidade, mesmo que não sejam de uma marca de lifestyle”.

Renato Carvalho está à frente no Brasil da expansão da marca City Express, adquirida pela Marriott em 2023. Durante o Sahic, assinou dois contratos com investidores para mais sete hotéis da bandeira no Sudeste e no Nordeste. No painel, explicou a aposta no City Express comparando com outra marca midscale da Marriott:
“Moxy foi pensado a partir do conceito de lifestyle e seria excelente em Salvador ou no Rio. Mas não funciona em todas as cidades porque oferece uma experiência que não faz sentido para o hóspede de negócios que só quer dormir no hotel. Na família do City Express, temos o City Centro, para o qual conseguimos adaptar um pouco do conceito do Moxy. Para algumas capitais do Nordeste, talvez seja melhor levar o City Express Plus, que oferece mais serviços para o hóspede e melhor retorno para o investidor”.
Do ponto de vista da GHL, o segmento de hotéis midscale precisa de uma operação especializada para se expandir na América Latina e no Caribe. “A margem de erro é pequena, porque o hóspede busca preço”, disse Juan Castaño. “É um segmento no qual operadores que trabalham com escala têm muito valor”.
All-inclusive, experiências e branded residences na matemática dos resorts
O painel seguinte debateu “A equação dos resorts: crescimento, experiência e ROI na nova economia do lazer”. Os palestrantes foram Joanna Ayala Quintana, vice-presidente de Desenvolvimento para a América do Sul da Marriott; Celia Sarmiento, líder de Desenvolvimento para a América Latina da Meliá; e Mario Mathieu, COO da HB Hospitality, operadora dos hotéis temáticos Hasbro. Como moderador, Santiago Berraondo, vice-presidente da empresa imobiliária JLL’s Hotels & Hospitality Group.
Na discussão sobre como impulsionar os investimentos em resorts, discutiu-se all- inclusive, marcas tradicionais, experiências temáticas imersivas e branded residences.
“Na América do Sul, estamos vendo um crescimento significativo de resorts principalmente em locais que não são de praia, e sim de montanhas ou vinhedos”, destacou Joanna Quintana, da Marriott. “Resorts podem ser midscale ou de luxo, all-inclusive ou não. Para cada caso, há uma marca específica.”
“Para o investidor, resort não é uma aposta”, ressaltou Celia Sarmiento, da Meliá. “É produto consolidado, que nos permite garantir monetização e atrair novos perfis de desenvolvedores. México e República Dominicana lideram este segmento. Costa Rica tem um nicho especial, o de resorts de luxo. No Brasil, destaca-se o forte mercado turístico doméstico e o incremento do número de visitantes internacionais.”
Mario Mathieu também vê os resorts temáticos como segmento em expansão: “Uma marca como a Hasbro tem um público certo, formado por famílias. O projeto de desenvolvimento de um temático é muito diferente. Começamos pela experiência, é isso que vendemos. Nosso cliente não escolhe pelo local. Ele conhece a marca, e identifica onde estão os hotéis. É um custo de distribuição mais baixo. No caso dos all-inclusive, estão abrindo novos mercados, como Turks & Caicos, no Caribe.”

“O luxo é um diferencial da Marriott no caso de tudo incluído”, sublinhou Joanna Quintana. “Já temos resorts Luxury Collection e W. Este ano, vamos inaugurar um JW e estamos planejando um Ritz-Carlton. Todos all-inclusive.”
“Na Meliá, estamos repensando o all-inclusive caribenho para nos adaptarmos à natureza e à cultura sul-americana”, pontuou Celia Sarmiento. “Resorts nas montanhas da Colômbia ou do Peru, ou nas vinícolas da Argentina, são produtos mais sofisticados.”
O final do painel sobre o crescimento dos resorts avançou um pouco sobre o tema dominante da tarde de encerramento do 20º Sahic: branded residences.
“Temos três propriedades em desenvolvimento, e as três têm residências”, disse Mario Mathieu. “A motivação do cliente é a experiência. Não será obrigatório, mas será cada vez mais importante para a rentabilidade dos investidores.”
“Serão projetos cada vez mais relevantes para garantir a rentabilidade dos investidores”, disse Celia Sarmiento. “Para a Meliá, o mais importante é o componente hoteleiro que acompanha a residência, como os serviços e experiências oferecidas.”
Joanna Quintana, da Marriot, concordou que branded residences oferecem benefícios para investidores e desenvolvedores, e proprietários, mas fez uma ressalva importante:
“Branded residences são desenvolvidas como real estate e costumam vender rapidamente. A pessoa está comprando uma segunda casa e assume os custos, não pensa em retorno. Mas se quiser alugar, terá uma marca internacional conhecida para administrar a propriedade. O conceito nasceu da hotelaria de luxo, mas já estamos pondo em prática com marcas premium e tem sido um sucesso. É uma forma de financiar projetos. Porém, é um negócio imobiliário, diferente de hotelaria.”