Filip Calixto   |   14/07/2026 13:11
Atualizada em 14/07/2026 13:24

Mapa da expansão: como a Accor decide onde abrir seus hotéis pelo Brasil? Confira

Rede utiliza índice próprio para mapear oportunidades e concentra expansão em franquias


PANROTAS / Filip Calixto
Romulo Silva, diretor de Desenvolvimento de Franquias Brasil da Accor
Romulo Silva, diretor de Desenvolvimento de Franquias Brasil da Accor

Quando a Accor decide abrir um hotel em uma cidade brasileira, a escolha começa muito antes da procura por um terreno ou de um investidor. Primeiro, a companhia coloca os municípios em um ranking próprio, baseado em indicadores econômicos, demográficos e de infraestrutura. Só depois busca parceiros para desenvolver os empreendimentos.

Foi exatamente esse processo que levou Indaiatuba (SP) e Suzano (SP) ao topo da lista de prioridades da rede e resultou no anúncio, no fim de junho, de três novos hotéis da família ibis - dois no interior paulista e um em Fortaleza (CE). Mais do que ampliar a presença da companhia no País, os projetos ajudam a explicar como a maior operadora hoteleira do mundo desenha sua estratégia de crescimento no mercado brasileiro.

Segundo Romulo Silva, diretor de Desenvolvimento de Franquias Brasil da Accor, a empresa desenvolveu o chamado Índice Accor de Desenvolvimento Hoteleiro, uma metodologia que reúne cerca de dez indicadores para identificar os municípios com maior potencial para receber novos empreendimentos.

"O índice considera população, renda per capita, participação do setor de serviços na economia, fluxo turístico, quantidade de universidades, hospitais de referência, shopping centers e até a oferta atual de hotéis. Com essas informações, conseguimos ranquear as cidades e identificar onde existe demanda para novos empreendimentos"

Romulo Silva, diretor de Desenvolvimento de Franquias Brasil da Acco

Como a Accor escolhe uma cidade para receber um hotel

Antes de decidir onde investir, a companhia analisa uma série de indicadores, entre eles:

  • população;
  • renda per capita;
  • participação do setor de serviços na economia local;
  • fluxo turístico;
  • universidades;
  • hospitais de referência;
  • shopping centers e outros equipamentos urbanos;
  • oferta hoteleira existente;
  • potencial de crescimento da demanda;
  • localização do terreno, considerando acessibilidade, visibilidade e conveniência para o hóspede.

A cidade é apenas o primeiro passo

Depois de identificar um município com potencial, a Accor, geralmente ao lado de parceiros, inicia uma segunda etapa: encontrar o terreno ideal.

Divulgação
A bandeira ibis continua sendo a principal porta de entrada da empresa em novos mercados
A bandeira ibis continua sendo a principal porta de entrada da empresa em novos mercados

Nessa fase, fatores como localização, acessibilidade, visibilidade, entorno e oferta de serviços passam a ser decisivos. A lógica é simples: o hotel precisa estar onde o hóspede quer ficar.

"A cidade pode ser muito atrativa, mas, se o hotel ficar fora do eixo de desenvolvimento, não faz sentido para nós. Avaliamos os acessos, a visibilidade, a conveniência e os serviços existentes ao redor. Queremos estar onde o hóspede quer estar"

Romulo Silva, diretor de Desenvolvimento de Franquias Brasil da Accor

Foi justamente esse processo que colocou as já citadas Indaiatuba e Suzano entre as prioridades da empresa. "Essas duas cidades estavam entre as cinco principais prioridades da Accor. Precisávamos ter hotéis em Indaiatuba e Suzano para ontem. Chamamos nossos parceiros para identificar áreas e desenvolver os projetos", relata o executivo.

Expansão baseada em franquias

A estratégia de crescimento da Accor no Brasil está concentrada principalmente no modelo de franquias. Atualmente, cerca de 90% do pipeline da companhia segue esse formato, voltado sobretudo para cidades secundárias e terciárias.

Hoje, a empresa possui aproximadamente 60 hotéis em desenvolvimento no País para os próximos cinco anos. A maior parte será implantada em mercados considerados promissores, mas que ainda apresentam baixa oferta de hospedagem de padrão internacional.

Segundo Silva, o modelo permite acelerar a expansão ao lado de incorporadoras e investidores locais, enquanto a Accor concentra sua atuação na gestão das marcas, distribuição e operação dos empreendimentos.

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Olivier Hick, COO da Accor no Brasil para a divisão Premium, Midscale & Economy
Olivier Hick, COO da Accor no Brasil para a divisão Premium, Midscale & Economy

Por que o ibis quase sempre chega primeiro

Embora a Accor também esteja ampliando sua presença nos segmentos premium e midscale, a bandeira ibis continua sendo a principal porta de entrada da empresa em novos mercados.

De acordo com Olivier Hick, COO da Accor no Brasil para a divisão Premium, Midscale & Economy, isso acontece porque a marca reúne características que reduzem o risco para investidores.

"Temos cerca de 2,5 mil hotéis ibis no mundo e aproximadamente 240 no Brasil. É uma marca extremamente conhecida, com um modelo econômico que funciona muito bem e oferece segurança para quem investe"

Olivier Hick, COO da Accor no Brasil para a divisão Premium, Midscale & Economy

Segundo o executivo, cerca de 80% dos investidores que procuram a Accor optam inicialmente por um ibis, principalmente pelo menor investimento exigido em comparação às marcas de categorias superiores.

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Sobre o autor

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes