Em evento de dez anos do Lake Paradise, Club Med fala sobre expansão no Brasil
Janyck Daudet diz que rede avalia resorts existentes para retrofit e comenta projetos no País

MOGI DAS CRUZES (SP) - Com os projetos de Fortaleza e Gramado em andamento, o Club Med não descarta ampliar ainda mais sua presença no Brasil. Em entrevista a jornalistas durante a comemoração dos dez anos do Club Med Lake Paradise, em Mogi das Cruzes (SP), o CEO da companhia para a América Latina, Janyck Daudet, afirmou que a rede avalia oportunidades para incorporar propriedades existentes ao portfólio, realizar retrofits e operar os empreendimentos sob a bandeira Club Med.
A possibilidade de realizar retrofits em propriedades de terceiros e adaptá-las ao padrão da marca está entre os caminhos considerados pela companhia. Segundo Daudet, o Club Med recebe propostas de proprietários interessados em associar seus empreendimentos à rede.
"Recebo propostas todos os dias. Se houver propostas interessantes para colocar a bandeira do Club Med e fazer um retrofit forte, estou procurando"
Janyck Daudet
A declaração foi dada durante a programação que marca a primeira década do Lake Paradise. Realizado entre 6 e 8 de novembro, o encontro reúne convidados e executivos da companhia em uma agenda de atividades esportivas, wellness, gastronomia e entretenimento. A programação também inclui apresentações sobre os projetos e os próximos passos da operação.
Expansão no Brasil
Atualmente, o Club Med opera três resorts no Brasil: Lake Paradise, em Mogi das Cruzes; Rio das Pedras, em Mangaratiba (RJ); e Trancoso, na Bahia.
A rede também trabalha em dois novos projetos no País. O empreendimento de Gramado (RS) tem inauguração prevista para novembro de 2027 e será o próximo resort Exclusive Collection da marca no Brasil, categoria de posicionamento superior dentro do portfólio da companhia.
O projeto será desenvolvido em parceria com a DC Set Group, no complexo turístico do Mátria, e terá atrações integradas ao empreendimento, como uma pista de esqui artificial, jardim botânico e espetáculos.
Já o Club Med de Fortaleza (CE), previsto para 2028, será o primeiro empreendimento da rede no Brasil com foco no kitesurf.
Questionado sobre os efeitos de mudanças na legislação trabalhista e da reforma tributária sobre os investimentos, Daudet afirmou que as alterações exigirão adaptações operacionais, mas não devem interromper os planos da companhia.
"Vamos continuar, vamos nos adaptar e trabalhar mais com tecnologia", afirmou, citando possibilidades de automação de tarefas operacionais nos empreendimentos.

Plano global
Daudet também apresentou os objetivos internacionais da companhia. Atualmente, o Club Med conta com mais de 60 resorts e trabalha com a meta de alcançar 100 unidades até 2035, ampliando sua capacidade de atendimento de 1,2 milhão para 2,5 milhões de hóspedes por ano.
Segundo o executivo, cerca de 40 novos empreendimentos já estão identificados ou em desenvolvimento no planejamento global. A expansão poderá ocorrer tanto por meio de novas construções quanto pela incorporação de propriedades existentes, que passam por reformas para se adequar ao padrão da rede, assim como o CEO salientou no exemplo brasileiro.
O Brasil também tem importância na estratégia comercial internacional do grupo. Daudet destacou o desempenho dos brasileiros no segmento de neve e afirmou que o País já é o segundo maior mercado emissor de clientes para os resorts de esqui do Club Med, atrás apenas da França.
Neste ano, a operação transportou 32 mil brasileiros para esse tipo de experiência, segundo dados apresentados durante o encontro.