Hotéis de lazer já bateram melhores marcas de 2019 (inclusive no preço)

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Divulgação/Nannai
Nannai Noronha, em Fernando de Noronha (PE)
Nannai Noronha, em Fernando de Noronha (PE)
Os dados da pesquisa TRVL LAB/ELO, na segunda edição dos Insights para o Turismo, são muito claros: os brasileiros estão se preparando para viajar no segundo semestre de 2021 e no verão 21/22 e têm Sol e Praia e o Nordeste como preferências no Brasil. Querem relaxar, buscar o bem-estar físico e mental, celebrar e comemorar o fim do difícil período e a chegada da vacinação.

A prática mostra que os dados estão mais que certos. Pedimos à Omnibeesum levantamento em sua plataforma de reservas, levando em consideração a venda de hotéis e resorts pelo Brasil em julho de 2021. O resultado mostra que o melhor verão da história já está se desenhando.

Os cinco mil hotéis na base de dados e reservas da Omnibees tiveram, em julho, o melhor mês de vendas desde janeiro de 2019. As vendas totais em julho foram 8,77% superiores ao melhor mês de 2019 (outubro). Cidades mais focadas no lazer e o Nordeste puxam essa retomada.

Se analisarmos apenas os meios de hospedagem do Nordeste temos um resultado surpreendente: as vendas em julho foram 49,27% melhores que o melhor mês de 2019, lá no longínquo período conhecido historicamente como pré-pandemia. O Sul está com vendas 5,93% maiores que 2019 (portanto abaixo da média e com a Serra Gaúcha se destacando) e o Sudeste se recupera mais lentamente, ainda não atingindo números da pré-pandemia.

Omnibees
Rodolfo Delphorno
Rodolfo Delphorno

Confira abaixo gráficos exclusivos
, produzidos pela Omnibees, e com análises do diretor comercial e de Marketing da Omnibees, Rodolfo Delphorno.

MELHOR MÊS
No gráfico abaixo, podemos ver que julho teve performance de vendas de hotéis 8,77% melhor que o mês com pico de vendas em 2019 (outubro). A hotelaria nacional, portanto, na média mostra que superou o pré-pandemia. Mas analisando caso a caso, veremos que o Nordeste e as cidades de lazer, como Gramado (RS), puxam essa retomada. E que os destinos que dependem do corporativo e dos eventos ainda estão com dados abaixo de 2019. As tarifas, como poderemos ver no final dessa reportagem, estão subindo. O que pode mudar isso? A reabertura de fronteiras internacionais, novas restrições de destinos e uma improvável limitação de malha aérea.

Gráfico 1 mostra que vendas da hotelaria em julho vendeu 8,77% mais que outubro de 2019 (melhor mês de vendas daquele ano)
Gráfico 1 mostra que vendas da hotelaria em julho vendeu 8,77% mais que outubro de 2019 (melhor mês de vendas daquele ano)
Os gráficos 2 a 6 mostram a tendência por região, com impressionantes 49,27% a mais de reservas no Nordeste em relação ao pico de 2019, demonstrado no gráfico 3”, aponta Rodolfo Delphorno, da Omnibees. Ele destaca ainda a região Sul, no gráfico 6, que também ultrapassou o máximo de 2019 em 5,93%. “Já algumas regiões mais tipicamente corporativas, como o Sudeste, já demonstram crescimento e com a mesma quantidade de reservas de 2019, mas ainda abaixo do pico daquele ano”, explica o diretor da Omnibees.

Gráfico 2 mostra recuperação do Centro-Oeste, mas ainda um pouquinho abaixo de 2019
Gráfico 2 mostra recuperação do Centro-Oeste, mas ainda um pouquinho abaixo de 2019
Gráfico 3 mostra Nordeste disparando nas vendas de julho
Gráfico 3 mostra Nordeste disparando nas vendas de julho
Gráfico 4 apresenta o Norte do País ainda abaixo de 2019
Gráfico 4 apresenta o Norte do País ainda abaixo de 2019
Sudeste, como visto no Gráfico 5, ainda abaixo das vendas de 2019
Sudeste, como visto no Gráfico 5, ainda abaixo das vendas de 2019

O Sul do Brasil está quase 6% acima das vendas de 2019
O Sul do Brasil está quase 6% acima das vendas de 2019
A pedido da Revista PANROTAS, a Omnibees analisou alguns destinos, de lazer e corporativos, separadamente, para vermos o comportamento dentro de suas regiões. Ipojuca (Porto de Galinhas) e Gramado (na Serra Gaúcha) mostram que esses destinos já conseguiram boas vendas em maio, com a hospedagem acontecendo em julho, mês de férias em família.

“Nos gráficos 7 e 9 mostramos que as reservas que foram feitas em maio, mês de pico por esta ótica, se realizaram em julho como room nights (gráficos 8 e 10), em picos que foram superiores a 45% em Ipojuca e 20% em Gramado se comparados com os melhores meses de 2019”, analisa Delphorno. Ou seja, esses destinos já tiveram aumento significativo de ocupação em julho, mês de férias de inverno.

Gráfico 7 mostra recuperação forte de Ipojuca sobre 2019
Gráfico 7 mostra recuperação forte de Ipojuca sobre 2019
Gráfico 8 mostra Ipojuca com ótima ocupação já em julho
Gráfico 8 mostra Ipojuca com ótima ocupação já em julho
Gráfico 9 mostra que Gramado se recuperou em relação às vendas de 2019
Gráfico 9 mostra que Gramado se recuperou em relação às vendas de 2019

Gráfico 10 comprova que room nights de julho em Gramado já superam os de 2019
Gráfico 10 comprova que room nights de julho em Gramado já superam os de 2019

Já os gráficos 11, 12 e 13 mostram as reservas de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia. São Paulo e Rio demonstram melhoras, mas ainda abaixo da performance de 2019, com o Rio melhor que São Paulo, enquanto Goiânia também já ultrapassou o melhor mês de 2019.
São Paulo apresenta os piores resultados em vendas de julho
São Paulo apresenta os piores resultados em vendas de julho
Rio de Janeiro ainda luta para chegar a números de 2019
Rio de Janeiro ainda luta para chegar a números de 2019
Goiânia ultrapassou marcas de 2019 em vendas de julho
Goiânia ultrapassou marcas de 2019 em vendas de julho

E AS TARIFAS?
Com a demanda aquecida e as vendas acima dos melhores meses de 2019, pré-pandemia e pós-derramamento de óleo nas praias nordestinas, como as tarifas para os hotéis do Nordeste e no restante do Brasil estão se comportando?

Rodolfo Delphorno explica: “Quando olhamos Brasil sem distinção de faixas, as diárias médias em julho já estão bem mais altas (18,69%) que o mesmo período de 2019, já levando em conta a curva de sazonalidade”. Ou seja, os preços subiram. E para o verão a perspectiva é de manutenção dessa elevação. Talvez a reabertura de fronteiras dos Estados Unidos e Europa pressione essas tarifas nacionais para baixo, mas talvez somente no médio e longo prazos, não ainda para o fim de ano.

Quebrando este dado por faixas de preço, vemos que os hotéis de diárias mais baixas (até R$ 200) ainda estão com valores abaixo dos de 2019, enquanto os entre R$ 201 e R$ 400 estão no mesmo valor médio anterior, sendo que em todo o período da pandemia este patamar só foi atingido agora em julho de 2021”, comenta o executivo da Omnibees.

“O aumento de valor de diária fica claramente demonstrado nos gráficos das faixas mais altas. Hotéis com diária média entre R$ 401 a R$ 600 estão 16,9% acima do mesmo período de 2019, enquanto os acima de R$ 600 estão 22,9% acima”, o que comprova que os tíquetes altos que viajavam para o Exterior redescobriram o Brasil, como vimos nas personas identificadas pela pesquisa TRVL LAB/ELO. Baixe a pesquisa gratuitamente em trvl.com.br e leia a reportagem completa na Revista PANROTAS. Na próxima sexta-feira, 13 de agosto, será divulgada a parte da pesquisa referente às viagens corporativas.

“Em todos os gráficos vemos o efeito da segunda onda de covid-19 afetando os preços para baixo em março de 2021, quando o descolamento de preços sazonais entre 2019 e 2021 ficou mais acentuado”, continua Delphorno.

“Avaliando o comportamento da diária média de hotéis acima de R$ 400 e lembrando que mercados internacionais tradicionalmente de lazer ainda não estão receptivos aos brasileiros, antevemos o risco de haver muitos cancelamentos e trocas por destinos internacionais mais baratos”, prevê e finaliza ele.

Veja mais análises e dados sobre a retomada das viagens no Brasil na Revista PANROTAS, abaixo:

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