Preço da diária será ponto chave para recuperação da hotelaria

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Pedro Cypriano, sócio diretor da HotelInvest
Pedro Cypriano, sócio diretor da HotelInvest
Evento que chega a sua terceira edição, o Fórum Nacional de Hotelaria, do Fohb, apresentou alguns dados que ponderam as perspectivas dos meios de hospedagem de rede e corporativos para os próximos anos. Os números foram trazidos pelo sócio-diretor da HotelInvest, Pedro Cypriano, que foi o segundo convidado a palestrar durante o encontro realizado no Transamérica Expo Center, em São Paulo. De acordo com o relatório apresentado pelo executivo, a diária média e as tarifas cobradas pelas reservas hoteleiras aparecem como a chave para a recuperação desses estabelecimentos depois do tombo ocasionado pela pandemia.

Pesquisa que levou em conta os dados de empreendimentos associados ao Fohb, mostra que, com um cenário que ainda tem traços de ociosidade, o preço da diária aparece como o driver da recuperação e também a alavanca para acelerar o crescimento do setor. O cenário se apresenta assim, segundo aponta Cypriano, pois os índices de ocupação ainda vão demorar a subir e o nível atual e previsto de inflação tende a corroer parte dos ganhos trazidos pelos quartos cheios.

Com esse horizonte, sobra aos hotéis procurar a rentabilidade e a recuperação por meio das tarifas.

Perguntados sobre para quando esperam uma recuperação em níveis parecidos com 2019, a maioria dos hoteleiros afirmou que a projeção é crescer no médio prazo em quase todos os indicadores. Para 55% dos entrevistados, a ocupação só será recuperada em 2023, ano em que também devem voltar os níveis de RevPar e distribuição. Já a diária média pode ser recuperada já a partir do ano que vem, conforme apontam 45% dos pesquisados.

O mesmo relatório também fez uma projeção de recuperação do RevPar, que mede o ganho real dos hotéis com cada quarto disponível, apontando três cenários: otimista, moderado e conservador. Essa análise aponta que, com uma conjuntura otimista, os índices voltam ao pré-pandemia em setembro de 2022. No cenário moderado esse momento chega em maio de 2023 e no horizonte conservador o índice só volta a ser parecido com o visto em 2019 no prazo de quatro a cinco anos.

Na análise geral de expectativas, segundo comentou o gestor da HotelInvets, teremos nos próximos meses alguns fatores desfavoráveis para os negócios com economia instável, pressão inflacionária, alta de juros e imprevisibilidade política. O que pode contar a favor do ambiente empresarial é o controle da pandemia com o avanço da vacinação e a alta das viagens domésticas.

"Na prática, o crescimento real acumulado nos últimos dois anos ainda é muito baixo e começaremos a experimentar a recuperação agora. Além disso, também há de se considerar a mudança nos hábitos do consumidor, o que modifica o panorama do mercado", acrescenta Cypriano.

Vale lembrar que o mesmo Fohb divulgou esta semana uma outra análise, observando o comportamento do setor durante o período da pandemia.

OBSERVANDO AS PRAÇAS
O palestrante também apontou alguns números atuais dividindo a atuação do mercado hoteleiro por suas principais praças. De acordo com ele, a capital paulista, que está entre as cidades com maior oferta, começa a ganhar tração, se aproximando de alcançar picos de 70% em ocupação média. "Em dias úteis a média dos hotéis da cidade pode até chegar a 50% nos quartos ocupados", aponta.

A comparação de São Paulo foi feita com o Rio de Janeiro, onde, segundo o especialista, a realidade de momento é melhor, com média de quartos ocupados superior a 50% desde o início de 2021. "Hoje voltamos a 63% na média em relação a 2019. No entanto, as diárias ainda estão abaixo, quase 30% do que era no pré-pandemia", diz.

RECUPERAÇÃO DO TURISMO
O palestrante também trouxe alguns números do segmento do Turismo como um todo e lembrou que a atividade de viagens está em recuperação. "Com números de setembro, temos algo em torno de 56% de recuperação em relação à movimentação do pré-pandemia", aponta. De acordo com ele, os indicadores positivos vêm, principalmente das viagens de lazer que foram e são a sustentação do mercado interno de viagens até o momento.
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