Edu Bernardes explica que Konvia, consolidadora da Kontik, não fará mais do mesmo; confira
Konvia nasce para ajudar o agente de viagens a vender mais, operar melhor e ganhar rentabilidade

O Grupo Kontik anunciou nesta terça-feira (11) o lançamento da Konvia, sua consolidadora de passagens aéreas. A nova empresa chega ao mercado após mais de um ano de estudos, negociações e desenvolvimento, liderada por Eduardo Bernardes, ex-vice-presidente da Gol Linhas Aéreas, que também está de volta ao Turismo - e como sócio da nova empreitada.
Em entrevista ao Portal PANROTAS, Eduardo Bernardes detalhou a estratégia de atuação da consolidadora, revelou executivos que já fazem parte da equipe, os diferenciais para se destacar no mercado, o projeto de expansão nacional e o investimento em tecnologia aliado ao poder humano. Afinal, cabe mais uma consolidadora no mercado?
O novo CEO detalhou a proposta da nova consolidadora, que nasce com foco B2B e com a ambição de ir "além do modelo tradicional de consolidação". Segundo o executivo, a empresa pretende combinar conteúdo competitivo, atendimento próximo e excelência operacional com tecnologia, dados, automação e inteligência artificial para aumentar a produtividade e a rentabilidade das agências de viagens.
E a operação começará pelo Rio de Janeiro, com uma equipe inicial liderada por André Pereira, ex-Sakura Consolidadora, mas já nasce com visão de expansão nacional e com a promessa de novos nomes no time.

Confira na entrevista completa:
PORTAL PANROTAS - Há mercado para mais uma consolidadora voltada aos agentes de viagens?
EDUARDO BERNARDES - Sim. Mas eu diria que a pergunta mais importante não é se existe espaço para mais uma consolidadora. É se existe espaço para uma empresa que faça a consolidação evoluir.
O mercado brasileiro já possui empresas muito competentes e respeitamos profundamente essa história. A Konvia não nasce para fazer mais do mesmo, nem para simplesmente disputar participação de mercado.
As agências de viagens continuam absolutamente relevantes. O que mudou foi a complexidade do negócio. Hoje o agente precisa lidar com mais fornecedores, mais sistemas, mais informações, mais regras e mais pressão por produtividade e margem. É aí que enxergamos uma grande oportunidade.
A consolidação tradicional resolve uma parte importante do problema: acesso a conteúdo, condições comerciais e suporte operacional. A Konvia quer ir além. Queremos ajudar o agente a vender mais, operar melhor, tomar decisões melhores e ganhar rentabilidade.
Portanto, acreditamos que existe mercado não apenas para mais uma consolidadora, mas para uma nova proposta de valor para as agências.
PORTAL PANROTAS - O que a Konvia vai fazer de diferente neste mercado já tão concorrido e por que o agente deveria passar a trabalhar com vocês?
EDUARDO BERNARDES - Porque não queremos ser apenas mais um fornecedor da agência. Queremos ser um parceiro para o crescimento do negócio dos agentes de viagens.
O agente não precisa de mais uma plataforma, mais uma senha ou mais uma empresa dizendo que tem a melhor tarifa. Ele precisa de menos complexidade, mais produtividade e melhores oportunidades de negócio. E a Konvia vai começar fazendo muito bem aquilo que se espera de uma grande consolidadora: conteúdo competitivo, operação confiável, atendimento próximo e excelência na execução.
Mas isso será apenas o ponto de partida. A partir daí, vamos construir inteligência comercial, automação, integração, dados e novos serviços para ajudar a agência a vender mais e trabalhar melhor.
E existe uma diferença importante na nossa filosofia: não queremos criar dependência. Queremos criar valor. Se uma agência permanecer conosco porque a Konvia ajuda o negócio dela a crescer, teremos construído uma relação muito mais forte do que qualquer contrato.
Nossa pergunta para cada nova solução será muito simples: isso torna a agência mais competitiva? Se a resposta for não, não fazemos.
PORTAL PANROTAS - Como será a formação da equipe? Em um mercado com falta de profissionais (recentemente uma dança das cadeiras comprovou isso), como a Konvia vai atrair talentos?

EDUARDO BERNARDES - A Konvia será construída por pessoas que conhecem profundamente o mercado, mas que também tenham disposição para questionar aquilo que sempre foi feito da mesma maneira. Vamos buscar experiência, conhecimento do setor e, principalmente, capacidade de execução.
Na primeira fase, especialmente no Rio de Janeiro, teremos um time inicial de cerca de 6 pessoas, liderado pelo André Pereira, um profissional com grande experiência no segmento de consolidação e distribuição de viagens.
Não queremos simplesmente montar uma equipe de profissionais vindos de outras consolidadoras. Queremos combinar pessoas que conhecem profundamente a distribuição de viagens com profissionais de tecnologia, dados, inteligência comercial, experiência do cliente e gestão.
E existe outro ponto importante: talentos querem participar de projetos com propósito.
Estamos construindo uma empresa que pretende mudar o papel da consolidação no mercado. Queremos que nossos profissionais saibam que não estão entrando apenas para operar um sistema ou vender passagens aéreas, mas para ajudar a construir uma nova geração de distribuição.
A cultura também será um fator decisivo. Queremos autonomia, responsabilidade, aprendizado contínuo e proximidade com o cliente. No final, acreditamos que pessoas boas querem trabalhar em empresas onde possam fazer diferença. É isso que vamos oferecer.
PORTAL PANROTAS - Quantos profissionais já fazem parte desta arrancada? Conhecidos do mercado serão anunciados?
EDUARDO BERNARDES - Estamos começando com um time inicial de cinco profissionais dedicados e outros vários profissionais da Kontik que apoiaram as atividades iniciais, liderado pelo André Pereira, que assume a posição de Gerente Regional Comercial.
Também já fazem parte dessa primeira equipe Marcos Sales e Daniela Bertolossi, responsáveis pelo Atendimento Internacional, e Manoel Avelino e Grasi Menezes, que estarão à frente do Atendimento Nacional.
É um time que combina experiência de mercado, conhecimento da distribuição e, principalmente, proximidade com o agente de viagens — algo que consideramos fundamental para a proposta da Konvia.
Essa é apenas a primeira etapa da construção da equipe. Em breve teremos novidades e novos nomes serão comunicados ao mercado.
Estamos formando um time que tenha não apenas conhecimento do setor, mas que compartilhe a visão de construir uma nova relação entre a consolidadora e as agências de viagens.
PORTAL PANROTAS - O Grupo Kontik já tem uma presença forte em viagens corporativas. Por que entrar agora no mercado de consolidação e qual é o tamanho da oportunidade que vocês enxergam nesse segmento?
EDUARDO BERNARDES - O Grupo Kontik conhece profundamente o mercado de viagens e as necessidades das agências afinal somos um grupo de Turismo com atuação em várias frentes de negócio. A Konvia nasce para aplicar essa experiência em um novo modelo de distribuição.
A principal oportunidade é contribuir para aumentar a produtividade das agências. Hoje, elas lidam com muitas plataformas, processos manuais e excesso de informação.

O conteúdo existe — o desafio é transformar isso em resultado. É exatamente aí que a Konvia quer atuar: simplificar, organizar e gerar mais eficiência e crescimento para as agências.
Enxergamos, portanto, uma oportunidade estrutural de evolução do modelo, não apenas de participação de mercado.
PORTAL PANROTAS - A inteligência artificial aparece como um dos pilares da Konvia. Quais processos pretendem automatizar primeiro e como isso vai se traduzir em ganho de produtividade ou rentabilidade?
EDUARDO BERNARDES - A inteligência artificial está em nosso nome, e será uma ferramenta para tornar o negócio das agências melhor. Não queremos usar IA porque ela está na moda. Queremos utilizá-la onde ela conseguir eliminar trabalho, reduzir erros, acelerar decisões ou identificar oportunidades que hoje passam despercebidas.
No início, vamos olhar principalmente para processos repetitivos e para atividades que consomem tempo das equipes: análise de informações, priorização de demandas, apoio à operação, identificação de oportunidades comerciais e inteligência para tomada de decisão.
Também estamos trabalhando com a ideia de inteligência comercial aplicada à agência: entender comportamento de compra, identificar oportunidades, apoiar precificação e ajudar o agente a decidir onde colocar seu esforço comercial.
E existe uma premissa importante: o objetivo não é substituir o agente. É devolver tempo para que ele faça aquilo que nenhuma tecnologia consegue fazer da mesma maneira: conhecer seu cliente, construir relacionamento, vender e resolver problemas.
Para nós, IA só será inovação se o agente perceber o resultado no seu dia a dia.
PORTAL PANROTAS - Em entrevista à Exame, você disse que o agente de viagens não é fiel às consolidadoras, mas e aos profissionais de consolidação? O fato de o Grupo Kontik ter atuação no agenciamento de viagens, sendo um concorrente dos agentes, pode prejudicar a confiança das agências em trabalhar com a nova consolidadora?
EDUARDO BERNARDES - Entendo perfeitamente essa preocupação. A Konvia nasce com foco B2B e tem como cliente a agência de viagens. A agência não será um canal para nós. Ela será o nosso cliente e nosso parceiro estratégico.

Existe uma diferença importante entre dizer isso e construir uma empresa realmente orientada por esse princípio. Por isso, credibilidade, transparência e governança serão fundamentais desde o primeiro dia e os profissionais da Konvia são reconhecidos por esses princípios.
Não queremos ter acesso ao cliente da agência para competir com ela. Queremos dar à agência de viagens melhores ferramentas para que ela seja mais competitiva. E aqui é importante ser muito direto: a Kontik não é concorrente da agência. Pelo contrário, a experiência do Grupo Kontik em diferentes segmentos do Turismo, operando em larga escala, é justamente o que nos permite trazer conhecimento prático, visão de operação e inteligência de mercado para dentro da Konvia e transferir isso ao mercado.
Essa vivência acumulada não será usada para competir com o agente, mas para compartilhar aprendizados e ajudar as agências a crescerem, ganharem eficiência e se tornarem mais competitivas.
E temos uma convicção bastante clara: se o agente perceber que a Konvia respeita sua relação com o cliente, protege sua independência e entrega valor real para seu negócio, essa percepção será construída. Não esperamos que o mercado acredite nisso apenas porque estamos dizendo. Vamos provar isso na prática.
PORTAL PANROTAS - A Konvia é 100% do Grupo Kontik ou uma sociedade sua com eles?
EDUARDO BERNARDES - Trata-se de uma sociedade.
PORTAL PANROTAS - Por que começar pelo Rio de Janeiro? E podemos esperar uma consolidadora nacional?
EDUARDO BERNARDES - O Rio de Janeiro é um mercado estratégico, historicamente o segundo maior mercado brasileiro, com uma concentração muito importante de agências, negócios turísticos e profissionais experientes do turismo. É um excelente lugar para começar a construir a nossa relação com o mercado.
Desde o início, a Konvia está sendo construída com uma visão nacional. Nossa tecnologia, nossos processos e nosso modelo comercial precisam nascer preparados para atender agências em diferentes mercados do Brasil. Queremos primeiro construir uma operação excelente, provar nosso modelo e depois ampliar nossa presença de forma consistente. Portanto, sim: a ambição é nacional.
PORTAL PANROTAS - Por que você escolheu esse projeto para voltar para o Turismo?
EDUARDO BERNARDES - Foi uma decisão muito mais pessoal do que profissional. Depois de tantos anos trabalhando no Turismo, eu ainda tinha vontade de construir alguma coisa que tivesse a minha cara e que pudesse deixar uma contribuição para o mercado. Na Gol tive a oportunidade de participar de um processo de democratização do transporte aéreo e agora que seguir contribuindo para o crescimento do turismo.
Quando surgiu essa oportunidade, senti que era o momento certo. O mercado de distribuição não mudou muito nos últimos 20 anos, e acreditamos que, com a nossa experiência, muita tecnologia e pessoas certas podemos contribuir para uma mudança.
Volto principalmente pela vontade de fazer diferente e de criar uma nova referência em distribuição. É um projeto que me desafia, me entusiasma e, de certa forma, me dá a oportunidade de começar um novo capítulo da minha trajetória fazendo algo em que realmente acredito.