Covid-19 muda critérios de opção por destinos; Brasil é impactado?

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Capacidade sanitária e ofertas de viagens digitais agora são fundamentais na escolha de um viajante, diz Fórum Econômico Mundial
Capacidade sanitária e ofertas de viagens digitais agora são fundamentais na escolha de um viajante, diz Fórum Econômico Mundial
Se mesmo com todo seu potencial natural, gastronômico e cultural o Brasil já vinha enfrentado dificuldades para fazer do Turismo um protagonista em sua economia, o País terá desafios enormes pela frente para tentar chegar ao páreo dos destinos mais desejados do mundo após a covid-19. A pandemia deixou a estrada ainda mais longa.

Isso porque, segundo o Fórum Econômico Mundial, a covid-19 tem alterado os fatores que tornam o setor de viagens e Turismo de um país competitivo. Capacidade sanitária e ofertas de viagens digitais agora são fundamentais na escolha de um viajante, e, no Exterior, as notícias sobre o desempenho do Brasil no tocante ao coronavírus não são das melhores. Ainda segundo a análise do Fórum, "outros fatores, como a abertura internacional, uma grande fortaleza do Turismo na América Latina, são menos importantes".

Embora o número de estrangeiros no Brasil tenha caído em 2019 na comparação com 2018, outros países da América Latina e do Caribe estavam melhorando sua competitividade turística global pré-pandemia. "Mesmo assim, a maioria das economias desta região permaneceu abaixo da média global, e o declínio do Turismo dá aos formuladores de políticas e líderes empresariais da região a oportunidade de rever suas práticas e políticas turísticas, especialmente em relação a infraestrutura e desenvolvimento turístico insustentável, que representam riscos específicos para a resiliência do Turismo a longo prazo na região", aponta o diretor de Mobilidade do Fórum Econômico Mundial, Cristoph Wolff.

Divulgação
Wolff continua o raciocínio apontando a gravidade do impacto da covid-19 no Turismo, setor em que algumas partes tiveram que efetivamente defender o encerramento total das atividades. "Dado que o Turismo é responsável por quase 10% dos empregos em todo o mundo, é importante que os países tomem medidas rigorosas para garantir que seja competitivo no setor e esteja pronto para se recuperar em paridade com a reversão de medidas contra a covid-19 e a retomada das atividades pelos países."

AMÉRICA LATINA É "PARTICULARMENTE PROBLEMÁTICA"

Na região em que se encontra o Brasil, essas mudanças na competitividade, segundo a análise do Fórum, são "particularmente problemáticas". Isso porque a Europa e outros países mais ricos de recursos na saúde são mais propensos a conter e gerenciar casos de covid-19 do que em países menos desenvolvidos, o que será crucial para a retomada do Turismo.

Atualmente, os números de leitos em hospitais da América Latina e caribe são especialmente baixos, com 42% menos leitos em comparação com a média global, o que tem dificultado muito a capacidade de reabertura da região.

MAIS DADOS E INSIGHTS DO FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL SOBRE O TURISMO NA AMÉRICA LATINA:
Dos 21 países da América Latina e Caribe cobertos neste relatório, 12 aumentaram a competitividade em viagem e turismo (T & T) desde 2017, com Bolívia, Colômbia, Uruguai e República Dominicana registrando o maior nível de melhoria.

· O México continua sendo o líder na região, com política aprimorada de T&T, infraestrutura e recursos naturais e recursos culturais, ajudando-o a figurar entre os 20 primeiros colocados globalmente pela primeira vez desde o início do relatório.

· O Brasil é o 32° no ranking global e o segundo país melhor ranqueado na região da América Latina, atrás do México. Mas enquanto o líder da região melhorou 3 posições desde o ranking de 2017 (crescimento de 3,4%), o Brasil recuou 5 posições (ou recuo de 0,8%) no mesmo período.

· O Brasil pontuou bem nos quesitos recursos naturais, recursos culturais e viagens de negócios e infraestrutura de transporte aéreo. As piores pontuações estão em ambiente de negócios, segurança e infraestrutura portuária e terrestre.

Fonte: Fórum Econômico Mundial
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