Como Cancún recebeu 4 milhões de turistas em plena pandemia

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Um dos resorts de Cancún, o Le Blanc
Um dos resorts de Cancún, o Le Blanc
Acostumado a outras tormentas como as tropicais, Cancún, um dos grandes destinos turísticos do planeta, se viu diante do maior desafio de sua existência com a pandemia do novo coronavírus. Por três meses, o hit caribenho ficou totalmente fechado – de março a junho de 2020 nenhum turista chegou à principal cidade turística da província de Quintana Roo, no México.

Mas em junho, após um bem-sucedido plano liderado pelo governador Carlos Joaquin Gonzalez, que abriu neste domingo o WTTC Global Summit em Cancun, ao lado da presidente do órgão, Gloria Guevara Manzo, a cidade pode comemorar a recepção de quatro milhões de turistas entre junho de 2020 e março de 2021. Não é exatamente o número a que o destino está acostumado a contabilizar em dez meses, mas deixa vários locais saudosos do tempo em que recebiam milhões de visitantes.

TRÊS PREMISSAS
O plano também é de fazer inveja a destinos ao sul do Equador desacostumados no período a estratégias mais precisas. Era composto de três premissas óbvias: 1) Salvar vidas; 2) Preservar empregos; 3) Recuperar a economia, muito baseada, como sabemos, no Turismo.

Quem conta é a diretora executiva de Promoção do Conselho de Promoção Turística do Estado de Quintana Roo, Lizzie Cole, que conversou com o Portal PANROTAS às vésperas de receber o primeiro evento internacional do setor desde que a atividade começou a viver seu maior desafio, o WTTC Global Summit 2021, um dos mais respeitados encontros de Turismo. Promovido pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), neste ano testou o modelo híbrido, com parte do público ao vivo e presencial em Cancun e parte ao vivo e virtual em suas casas. O slogan: Uniting the world for recovery/Unindo o mundo pela recuperação.

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A diretora executiva de Promoção do Conselho de Promoção Turística do Estado de Quintana Roo, Lizzie Cole
A diretora executiva de Promoção do Conselho de Promoção Turística do Estado de Quintana Roo, Lizzie Cole
CASAMENTOS, TURISMO + SAÚDE

Lizzie lembra, porém, que nos dez meses desde a reabertura do destino após o início da pandemia, os eventos corporativos simplesmente não aconteceram em Cancún, como no mundo inteiro. “Nesse período tivemos pequenas reuniões, em geral particulares, como casamentos”, conta. Segundo ela, os matrimônios, com cerca de 30 pessoas, a maior parte familiares, dominaram a paisagem dos eventos no destino.

Hoje, tudo está aberto em Cancún, conta a executiva. De acordo com ela, os negócios menores sentiram sim a dificuldade do momento, alguns até fecharam. Mas vários sobreviveram, novas oportunidades apareceram, garante a dirigente, e os negócios de todos os tamanhos trabalham em parceria com o governo por dias melhores. “Nossos bons resultados não seriam possíveis se não fosse a união entre iniciativa privada e poder público”, celebra. Ela destaca também o trabalho conjunto dos setores públicos de Turismo e saúde, outro quesito capaz de fazer inveja a muitos destinos, inclusive ao Brasil.

SEM PRESSÃO NA SAÚDE
Com isso 7 mil empresas aplicaram e conquistaram o selo de segurança que reconhece que seguem rígidos protocolos sanitários para receber os turistas. “Contivemos o número de casos e, em momento algum, tivemos pressão sobre o sistema de saúde”, conta Lizzie Cole. O México ainda vive dias difíceis na pandemia do novo coronavírus, mas o plano do governador Carlos Joaquin Gonzalez fez com que Quintana Roo tivesse um dos menores índices de contaminação – apenas 1% do total do país – pouco mais de 20 mil casos entre os mais de 2,3 milhões do México.

Agora, eventos corporativos de pequeno porte começam a aparecer no calendário e se somar aos casamentos, que continuam. A diretora conta ainda que a promoção turística nunca parou e que era parte do plano informar com clareza tudo que estava sendo feito pelo destino para receber seus visitantes – e como tudo evoluía.

Com isso, Cancún investiu nos Estados Unidos – os aeroportos entre os dois países não fecharam por nenhum dia; no Canadá (que teve algumas interrupções na ligação entre os destinos) e em alguns mercados emissores europeus que, em seus momentos mais difíceis, foram substituídos por emissores da América Central e sul-americanos, inclusive o Brasil. “Não restringimos nenhum dos mercados”, afirmou Lizzie. Hoje, o destino opera com 60% da capacidade. “Estamos confiantes com nosso produto e abertos para o mundo”, conclui Lizzie Cole.

(Fabíola Bemfeito, para o Portal PANROTAS)
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