Abrape contesta cancelamento de festas de Carnaval em carta

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Fernando Frazão/Agência Brasil
Associação defende que decisões ignoram dados epidemiológicos e diversos tipos de festas de Carnaval
Associação defende que decisões ignoram dados epidemiológicos e diversos tipos de festas de Carnaval
A Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape) divulgou, nesta quarta (1), uma Carta Aberta alertando a sociedade e o poder público sobre equívocos envolvendo a proibição de festas do Carnaval 2022 em todo o País. O manifesto alerta que, motivadas pelo surgimento de uma nova variante do coronavírus, muitas prefeituras estão decidindo, prematuramente, por cancelamentos, ignorando dados epidemiológicos e os tipos de festas de Carnaval.

“Há evento público, evento privado em espaço público, evento privado em espaço privado”, reforça o texto do manifesto divulgado pela Abrape. A entidade teme que decretos como o da Prefeitura de Santa Rita do Sapucaí (MG) proibindo a realização de eventos públicos e particulares no ano novo e Carnaval em 2022 possam se tornar uma tendência. Neste caso, em específico, o tradicional Bloco do Urso, que já estava confirmado e com venda de ingressos, foi cancelado.

A associação defende que qualquer debate sobre o Carnaval 2022 ou réveillon deve acompanhar o processo de retomada das atividades de cultura e entretenimento que já está em andamento nos Estados. “O que deve ser discutido são os protocolos, respeitando as projeções locais e os tipos de Carnaval, que vai desde bailes com mil, cinco mil pessoas, em espaços particulares, até festas de rua para um milhão de pessoas”, explicou Doreni Caramori Júnior, empresário e presidente da Abrape.

O setor já vem sofrendo os impactos. Em participação no Congresso da Abrape, Gabriel Lopes, sócio da agência Box Talents e empresário do DJ Alok, afirmou que a agenda do artista está indefinida, o que impacta na estratégia, investimentos e geração de empregos. “Freamos projetos para o Carnaval em São Paulo e Salvador para aguardar o que vai acontecer mais pra frente. Aí tomaremos uma decisão do ponto de vista moral e prático”, explicou.

O manifesto foi apresentado no 6º Congresso Brasileiro dos Promotores de Evento, realizado nestas terça e quarta-feira no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer, em São Paulo.

Confira abaixo a Carta Aberta da Abrape na íntegra.

Sem retrocessos: o setor de eventos está voltando e merece respeito

É preciso alertar que há um grande equívoco em andamento. O surgimento de uma nova variante do coronavírus está levando muitas prefeituras a cancelarem as festas de Carnaval e Réveillon.

O que estes governos municipais ignoram é que há diferentes tipos de festas. Há evento público, evento privado em espaço público, evento privado em espaço privado.

Há prefeitura cancelando evento privado de Carnaval em espaço privado! Evento que já está inserido em um processo de retomada dos eventos em andamento!

Entendemos a preocupação dos poderes públicos, mas, em nome de um setor responsável por milhares de empregos, exigimos que o tema seja objeto de um diálogo técnico e racional amplo.

Há centenas de eventos de cultura e entretenimento acontecendo no país, todos os dias, respeitando os protocolos sanitários e, ainda assim, os indicadores epidemiológicos continuam caindo!

Estamos gerando empregos e movimentando a economia em todos os estados. Com responsabilidade, seguindo todos protocolos sanitários, retomamos nossas atividades, impulsionando uma cadeia produtiva que envolve 54 tipos de empreendimentos.

Tudo isso em um cenário de população cada vez mais imunizada e índices decrescentes de afetados pela Covid-19.

Defendemos, portanto, que qualquer debate sobre o Carnaval 2022 e Réveillon deve acompanhar o processo de retomada das atividades de cultura e entretenimento que já está em andamento nos estados.

A discussão não pode ser simplista e com generalizações!

O tema deve ser regulamentado com critérios objetivos. O que deve ser discutido são os protocolos, respeitando as projeções locais e os tipos de Carnaval e Réveillon, que envolvem desde bailes com mil pessoas, em espaços particulares, até festas de rua para mais de um milhão de pessoas.

Muitas decisões de cancelamento estão sendo, muitas vezes, populistas, ignorando os índices epidemiológicos que até o momento servem como pilares para as decisões.

Confiamos que o processo de retomada não sofrerá retrocessos. Com racionalidade, os temas técnicos que sustentam a retomada das atividades não serão substituídos por decisões monocráticas e populistas.

Acreditamos na sensibilidade dos poderes públicos para que não tomem decisões precipitadas que atrasem a retomada em andamento.

Pedimos, também, que todos se vacinem e se envolvam na divulgação das campanhas de imunização para garantir a segurança da sociedade e de quem vai aos eventos.

Estamos otimistas mas, se necessário, vamos enfrentar as injustiças recorrendo a todos os meios possíveis para não haver retrocesso!

Queremos a continuidade da retomada com suporte da ciência, racionalidade, coerência e justiça!

Sim à retomada!
Sim à ciência!
Sim à racionalidade!
Sim à coerência!
Sim à justiça!
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