Fernando de Noronha (PE) fecha 2025 com recorde de visitantes
Total representa um aumento em relação a 2024, quando o parque recebeu 131.503 visitantes

Fernando de Noronha encerrou 2025 com o maior volume de visitantes já registrado no Parque Nacional Marinho. Ao todo, 139.901 pessoas acessaram a unidade de conservação ao longo do ano, número que supera em cerca de 5% o limite anual de 132 mil visitantes atualmente em vigor.
O crescimento reacendeu o debate sobre a capacidade turística do arquipélago e os impactos ambientais associados ao excesso de público.
O total representa um aumento em relação a 2024, quando o parque recebeu 131.503 visitantes. Em 2025, 120.926 turistas pagaram ingresso para acessar as áreas protegidas, enquanto 18.975 tiveram isenção, caso de moradores, parentes de residentes, profissionais a serviço, crianças menores de 12 anos e brasileiros com mais de 60 anos.
Além do limite anual, o acordo de gestão estabelece um teto mensal de 11 mil visitantes. Esse número foi ultrapassado em alguns meses do ano, principalmente durante a alta temporada, o que, segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), amplia a pressão sobre os ecossistemas da ilha.
Limite ultrapassado
Em declaração ao G1, a coordenadora de Uso Público e Visitação do ICMBio, Cíntia Brazão, afirmou que o volume registrado em 2025 ultrapassou o que foi pactuado entre os entes responsáveis pela gestão de Noronha. O órgão ambiental avalia que o excedente representa risco direto à conservação, especialmente em um território com infraestrutura limitada.
É bom lembrar que o limite é estabelecido para acesso à Unidades de Conservação do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. O ICMBio aponta que a principal hipótese para o descumprimento do limite está relacionada ao transporte aéreo. Desde março de 2025, após a recuperação da pista do aeroporto, Fernando de Noronha voltou a receber aviões de grande porte.
As companhias Azul, Gol e Latam foram autorizadas a operar jatos, mas cada empresa possui um limite máximo de passageiros por voo, justamente para evitar a superlotação da ilha. Segundo o instituto, na mesma entrevista, há indícios de que esses tetos não estejam sendo plenamente respeitados.
O ICMBio também chama atenção para os efeitos indiretos do aumento de visitantes, como a sobrecarga dos sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto, além da maior pressão sobre áreas sensíveis do Parque Nacional Marinho, que abriga praias como Sancho, Sueste, Atalaia e Leão.
A discussão ocorre no contexto do acordo de gestão compartilhada de Fernando de Noronha, firmado entre os governos federal e estadual em 2023. O pacto foi homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) após um longo impasse institucional envolvendo a administração do arquipélago.
Na decisão, a Corte definiu regras para a divisão de responsabilidades entre a União e o estado de Pernambuco, estabelecendo, entre outros pontos, parâmetros para a gestão ambiental, o controle da visitação turística e a necessidade de conciliar preservação ambiental com a atividade econômica local. O limite anual e mensal de visitantes faz parte desse conjunto de medidas validadas pelo STF como forma de garantir segurança jurídica e proteção ao patrimônio natural.
Administração do arquipélago

Em nota, a Administração de Fernando de Noronha afirmou que o acordo de gestão compartilhada é acompanhado regularmente pelos órgãos envolvidos e que é realizado um levantamento anual de previsibilidade do controle migratório.
Segundo o comunicado, eventuais defasagens ou necessidades de ajuste serão corrigidas já na próxima temporada, sempre com foco na sustentabilidade da ilha, sem prejuízos aos moradores e ao sistema produtivo local.
O Visite Fernando de Noronha, entidade responsável pela promoção turística do destino, avaliou que o acréscimo de aproximadamente 5% em relação ao limite anual não configura, do seu ponto de vista, um aumento preocupante.
O órgão argumenta que o fluxo turístico é desigual ao longo do ano, com meses de alta temporada acima do teto e períodos de baixa com volume inferior ao permitido, o que, segundo a entidade, dilui o impacto ao longo do ano.
O Visite Noronha também defende que o número máximo de visitantes possa ser revisto no futuro, alegando que o teto atual não foi definido com base em estudos técnicos robustos e que melhorias estruturais vêm sendo implementadas na ilha.