Pedro Menezes   |   25/06/2026 13:08

EES: novo sistema de entrada de turistas segue com longas filas e preocupa setor na Europa

Segundo ACI Europe, novo sistema de fronteiras da UE pode entrar em colapso completo até setembro


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Stefan Schulte, presidente da associação europeia de aeroportos (ACI Europe), afirmou que o sistema está longe de funcionar adequadamente e advertiu para um possível
Stefan Schulte, presidente da associação europeia de aeroportos (ACI Europe), afirmou que o sistema está longe de funcionar adequadamente e advertiu para um possível "colapso completo"

O novo sistema de entrada e saída de turistas da Europa, conhecido como EES, tornou-se obrigatório em toda a Europa no último dia 10 de abril. O sistema, que substitui o tradicional carimbo manual no passaporte por registro biométrico obrigatório de todos os turistas não europeus que visitam 29 países do Espaço Schengen, representa uma das maiores mudanças recentes no controle migratório europeu.

Só que o novo sistema digital de controle de fronteiras desde que começou a operar segue enfrentando uma onda crescente de críticas da indústria aérea por conta das longas filas espalhadas por todos os aeroportos da Europa. E as dificuldades operacionais surgem justamente no momento de forte demanda turística de verão.

O receio do setor é que longas filas de imigração, atrasos e perda de conexões sigam prejudicando visitantes e e a competitividade do continente. Para aeroportos e companhias aéreas, por exemplo, o desafio agora é equilibrar os objetivos de segurança e digitalização das fronteiras com a necessidade de manter a fluidez operacional em um dos períodos mais movimentados do ano.

Stefan Schulte, presidente da associação europeia de aeroportos (ACI Europe), afirmou que o sistema está longe de funcionar adequadamente e advertiu para um possível "colapso completo" durante o verão europeu, período de maior movimento turístico no continente.

"Os passageiros estão enfrentando filas de horas nos momentos de maior tráfego, e eu simplesmente não sei como conseguiremos lidar com o aumento esperado da demanda nas próximas semanas. Os políticos precisam parar de fingir que o EES está funcionando perfeitamente, porque não está. Depois de setembro, podemos estar olhando para um colapso completo do sistema"

Stefan Schulte, presidente da ACI Europe

Os problemas deixaram de ser apenas uma preocupação teórica. No início deste mês, dezenas de passageiros da Ryanair ficaram em solo em Atenas depois que um voo para o Aeroporto de Londres decolou sem eles. A companhia atribuiu o incidente aos atrasos nos controles de fronteira, enquanto o aeroporto grego mencionou "requisitos adicionais de processamento", sem citar diretamente o EES.

Casos semelhantes já haviam sido registrados em abril, quando passageiros que viajariam dos aeroportos de Milão para Manchester perderam seus voos devido às longas filas no controle de passaportes. Diante do cenário, a Wizz Air chegou a recomendar que os turistas britânicos chegassem aos aeroportos europeus pelo menos três horas antes da partida de seus voos de retorno.

Pressão por mais flexibilidade

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Questão vai além da eficiência operacional e envolve a imagem do continente como destino turístico
Questão vai além da eficiência operacional e envolve a imagem do continente como destino turístico

Schulte defende que as autoridades de fronteira tenham autonomia para suspender temporariamente o sistema sempre que houver risco de congestionamentos extremos. "Precisamos urgentemente de total flexibilidade para que as autoridades suspendam o EES quando necessário e evitem mais caos, além de repensar os processos", complementou.

Segundo ele, a questão vai além da eficiência operacional e envolve a imagem do continente como destino turístico. "Trata-se de demonstrar respeito e consideração pelas pessoas que escolheram viajar para a Europa e de preservar nossa reputação como um destino acolhedor e eficiente", disse ele.

A própria Comissão Europeia já autorizou, em determinadas circunstâncias, a suspensão temporária do sistema até setembro. Ainda assim, a decisão depende dos governos nacionais e não dos aeroportos, o que, segundo Schulte, acaba retardando respostas em momentos críticos.

Grécia, Portugal e Itália avaliam alternativas

A preocupação também alcançou governos de outros países europeus. A ministra do Turismo da Grécia, Olga Kefalogianni, por sua vez, já declarou que não gostaria de ver os visitantes "sobrecarregados por procedimentos burocráticos" ao entrar ou deixar o país.

Também surgiram informações de que Portugal e Itália estariam estudando a possibilidade de dispensar cidadãos britânicos de algumas verificações relacionadas ao EES em seus aeroportos. A Comissão Europeia, entretanto, afirmou que não existem planos oficiais nesse sentido.

Com informações da BBC.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.