Turismo perde mais de 110 mil vagas formais no Brasil em 2020

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Dra. Mariana Aldrigui, professora da USP, especialista em Turismo e autora da pesquisa Monitora Turismo
Dra. Mariana Aldrigui, professora da USP, especialista em Turismo e autora da pesquisa Monitora Turismo
O Turismo amargou perda de 110.833 vagas formais de emprego em 2020, ano da pior crise enfrentada pela história da indústria. Setor transversal na economia, o Turismo foi extremamente impactado pela pandemia de covid-19 e, apesar de o Caged divulgar um saldo positivo nacional de quase 143 mil vagas em 2020 e o Ministério do Turismo garantir que 21,5 mil vagas foram geradas no ano, as notícias não são animadoras para o mercado.

Ana Volpe/Agência Senado

Tais dados foram consolidados pelo Monitora Turismo, pesquisa realizada pela professora dra. Mariana Aldrigui, da USP, especialista em Turismo. São monitoradas 571 atividades divididas em diretas (21), compartilhadas (191), indiretas (142) e aquecidas (217).

São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte foram as cidades que mais amargaram desempregados no Turismo, considerando o volume total de perdas.


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Mariana Aldrigui chama a atenção para a importância de ampliar a análise aos 571 setores, uma vez que isso dá maior noção de que cidades têm de fato uma maior dependência do Turismo e, portanto, precisam repensar urgentemente as políticas públicas direcionadas ao setor.

“2020 foi um ano trágico para o Turismo brasileiro, e não há sinais de melhora para 2021, pois o setor depende da ampla vacinação para a efetiva retomada; com isso, gestores públicos em todas as esferas precisam criar alternativas para as empresas e seus trabalhadores”, afirma a professora da USP e presidente do conselho de Turismo da FecomercioSP.

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Meses do início da pandemia registraram as maiores perdas de emprego no Turismo, enquanto no final do ano houve ligeira recuperação
Meses do início da pandemia registraram as maiores perdas de emprego no Turismo, enquanto no final do ano houve ligeira recuperação
A doutora ainda destaca que “fica evidente a preponderância das viagens corporativas, que envolve serviços mais caros, e um encadeamento mais complexo – portanto capitais e cidades com tradição na realização de eventos e convenções perderam muito. E mesmo no caso em que houve grande recuperação de atividades econômicas como a indústria e o varejo, o Turismo ainda segue negativo".

Ao se aprofundar nos dados do Caged, Mariana Aldrigui buscou manter parâmetros que permitam a comparação com indicadores internacionais, como é o caso do WTTC – Conselho Mundial de Viagens e Turismo, que em anos anteriores indicou que a atividade respondia por um em cada dez empregos no mundo (diretos, indiretos e induzidos).


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É importante ressaltar que o Caged inclui apenas os empregos em com registro em carteira. Empreendedores, autônomos e informais não estão considerados, mas estima-se que representem o dobro do valor de empregos formais.

NATUREZA DAS VAGAS
- Vagas Diretas: aquelas atividades que existem somente em função da atividade turística, como agências e operadores de viagens, operadores de transportes e passeios turísticos;
- Vagas Compartilhadas: atividades voltadas aos residentes, porém intensamente utilizadas por turistas, como restaurantes e táxis;
- Vagas Indiretas: atividades que fornecem bens e serviços às atividades diretas, como lavanderias especializadas, relações públicas e marketing especializado
- Vagas Aquecidas: atividades sem relação direta com o turismo, mas que percebem aumento de demanda quando a atividade está em pleno desenvolvimento, como comércio de automóveis, montagem de obras temporárias, entre outros.
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