Crise na Venezuela impacta viagens e acende alerta global para turistas
Ação dos EUA provoca suspensão de voos, incertezas no turismo e alerta para viajantes internacionais

Uma ação dos Estados Unidos contra o governo da Venezuela reacendeu alertas de segurança para viajantes internacionais e levantou dúvidas sobre a estabilidade de outros destinos da América Latina. A análise é do portal USA Today, que detalhou os desdobramentos do episódio e seus reflexos diretos no setor de Turismo.
No último fim de semana, o presidente norte-americano Donald Trump ordenou uma ofensiva contra o então líder venezuelano Nicolás Maduro. Após meses de pressão diplomática e econômica sobre o país sul-americano, Maduro e sua esposa foram capturados por forças dos EUA no final de semana, sob acusações de narcoterrorismo e conspiração para importação de cocaína. Dias depois, em 5 de janeiro, o líder deposto compareceu a um tribunal federal em Manhattan, onde se declarou inocente.
Durante coletiva de imprensa no dia da prisão, Trump afirmou que os EUA passariam a administrar a Venezuela até que ocorra "uma transição segura, adequada e criteriosa". Ele também mencionou planos para reconstruir a infraestrutura petrolífera do país, com o objetivo de fazer "o petróleo fluir da maneira que deveria".
Voos suspensos e viajantes afetados
Segundo o USA Today, os impactos da operação não se limitaram à Venezuela. A Administração Federal de Aviação (FAA) suspendeu temporariamente voos comerciais dos EUA sobre o Caribe, o que provocou o cancelamento repentino de centenas de operações aéreas. Milhares de passageiros ficaram retidos em aeroportos, enfrentando dificuldades para remarcar voos e encontrar hospedagem.
Enquanto a comunidade internacional acompanha os próximos passos na relação entre Washington e Caracas, especialistas alertam que o episódio reforça preocupações sobre segurança em viagens internacionais, especialmente diante do discurso duro de Trump em relação a outros países da região, como Cuba e Colômbia.
"De modo geral, temos acompanhado o esforço do governo Trump para reforçar ou reafirmar sua dominância e influência sobre o Hemisfério Ocidental", afirmou ao USA Today Mike Ballard, diretor de inteligência da empresa de segurança em viagens Global Guardian. "Isso está totalmente alinhado com o que já vínhamos observando".
O que muda para quem pretende viajar
A reportagem do portal norte-americano reuniu os principais pontos que os viajantes precisam considerar neste novo cenário:
Americanos podem viajar para a Venezuela?
Tecnicamente, sim. Cidadãos dos Estados Unidos com visto venezuelano válido ainda podem entrar no país. No entanto, a viagem ocorre por conta e risco do visitante, já que não há presença diplomática norte-americana na Venezuela desde 2019.
É seguro visitar a Venezuela?
O Departamento de Estado dos EUA mantém a Venezuela no Nível 4, o mais alto alerta de viagem, recomendando que americanos não viajem ao país. Entre os riscos citados estão detenção arbitrária, tortura em prisões, sequestros, instabilidade civil e altos índices de criminalidade. Após a captura de Maduro, a Embaixada dos EUA em Bogotá reforçou o alerta: "A situação de segurança na Venezuela permanece instável".
Ballard relatou que clientes que estavam no país no momento da prisão ficaram inseguros sobre como agir. "As perguntas eram: 'Devemos sair agora?', 'Precisamos nos preparar para ir embora às pressas?', 'O que vai acontecer a seguir?' Há muitas incertezas", disse ao USA Today. A recomendação inicial foi agir com cautela e aguardar os desdobramentos.
O especialista classificou o episódio como "sem precedentes" no impacto sobre viagens, mas ressaltou que situações assim fogem ao controle dos turistas. A orientação é acompanhar atentamente o cenário político internacional e considerar a contratação de seguro de viagem como medida de proteção.