Beatriz Contelli   |   10/03/2026 17:22

Petróleo em alta pressiona aviação e exige mais planejamento das viagens, analisa VOLL

Escalada das tensões no Oriente Médio eleva custos do setor aéreo, o que provocará reajustes nos bilhetes


Divulgação
Luiz Moura, da VOLL
Luiz Moura, da VOLL

A VOLL alerta que a valorização do petróleo no mercado internacional, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio, pode pressionar um dos principais custos da aviação e impactar o preço das passagens aéreas, algo também já comentado pelos próprios CEOs de Azul, Gol e Latam.

Com o barril acima de US$ 100 e a instabilidade geopolítica afetando expectativas sobre oferta de energia, o setor aéreo volta a conviver com um ambiente de maior incerteza, em que combustíveis mais caros tendem a afetar diretamente a operação das companhias e o valor final pago pelos passageiros.

Além do impacto direto sobre o querosene de aviação, o momento também aumenta a cautela de empresas e passageiros diante da possibilidade de reajustes graduais nas tarifas. Em um contexto de margens apertadas, a combinação entre petróleo elevado, custos dolarizados e pressão internacional tende a exigir respostas rápidas das companhias aéreas e mais estratégia por parte de quem depende do transporte aéreo para manter agendas de viagens pessoais ou de negócios.

Para Luiz Moura, cofundador da VOLL, o repasse da alta do petróleo para o preço das passagens é um movimento praticamente inevitável se o valor dele continuar em patamares elevados.

“Em média, cerca de 30% dos custos da aviação estão relacionados ao combustível. Quando esse insumo sobe no mercado internacional, as companhias aéreas passam a ter pouquíssimo espaço para absorver esse aumento, porque operam com margens muito baixas”

Luiz Moura, cofundador da VOLL

Segundo ele, a rentabilidade estreita do setor limita reações mais flexíveis diante da alta de custos. “A margem de uma companhia aérea é muito pequena, perto de 3% a 6%, segundo a McKinsey. É um grande desafio reduzir essa já limitada rentabilidade para compensar a alta do principal insumo da operação. Como consequência, o custo da passagem tende a subir gradualmente, à medida que o preço do barril continua pressionado”, diz.

Moura observa que esse cenário também pode afetar o comportamento das empresas na organização de viagens futuras: “Quando existe a expectativa de aumento de preços, muitos negócios passam a rever o timing de eventos, encontros e deslocamentos de equipes, especialmente em viagens de grupo. Isso pode levar a postergação, reprogramação e, em alguns casos, até cancelamentos, por pressão orçamentária”, explica.

Na avaliação do executivo, o momento não é para ficar pessimista, mas para se preparar com estratégia. “A palavra de ordem, nesse contexto, é planejamento. Se a pessoa ou a empresa já sabem que uma viagem, reunião ou evento vai acontecer, a antecedência na compra passa a ser ainda mais importante. Esperar a tarifa subir para então emitir a passagem significa contratar o mesmo serviço por um custo maior. Em períodos de pressão sobre o combustível, planejar com antecedência deixa de ser uma boa prática e passa a ser uma ferramenta essencial de controle de despesas”, conclui.

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Beatriz Contelli

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação.