Filip Calixto   |   15/10/2026 15:24

Fim da escala 6x1: CNC critica aprovação da medida durante período eleitoral

Entidade questiona falta de estudos aprofundados sobre os impactos da redução da jornada nas empresas

PANROTAS / Filip Calixto
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac

A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) criticou a aprovação da PEC 221/2019 pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), e lamentou que a proposta tenha sido votada, segundo a entidade, sem o aprofundamento necessário sobre seus impactos econômicos. A entidade também questiona a condução do debate durante o período eleitoral.

Aprovada em dois turnos, com 75 votos favoráveis e um contrário em cada votação, a proposta prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, o fim da escala 6x1 e a garantia de dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. O texto segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

A CNC reconhece a importância da discussão sobre a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida dos trabalhadores, mas defende que mudanças dessa dimensão sejam precedidas por análises técnicas abrangentes e diálogo com os setores afetados.

"Mudanças estruturais nas relações de trabalho exigem análise técnica, diálogo e avaliação criteriosa de seus impactos no emprego, na competitividade e na sustentabilidade das empresas, especialmente nos setores do comércio, serviços e turismo. Trata-se de uma discussão que deveria ocorrer em um ambiente que permita a construção de soluções equilibradas e responsáveis”

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac

Entre as preocupações da entidade estão os possíveis efeitos da redução da jornada sobre os custos operacionais, a produtividade, a competitividade, a geração de empregos e o custo de vida. A Confederação também defende que as relações de trabalho sejam discutidas prioritariamente por meio da negociação coletiva, considerando as particularidades de cada atividade econômica e região.

"Todos perdem com o uso eleitoral de um tema tão impactante para empresas, trabalhadores e para a economia do País. As relações de trabalho devem ser discutidas com diálogo, previsibilidade e segurança jurídica, respeitando as especificidades de cada setor e preservando as condições para a manutenção dos empregos e da atividade produtiva”, ressalta Tadros.

A CNC afirma que continuará acompanhando os desdobramentos da proposta e defendendo medidas voltadas à competitividade das empresas, à preservação dos empregos e ao desenvolvimento econômico.

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Sobre o autor

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes