Beatrice Teizen   |   26/10/2026 15:08
Atualizada em 26/10/2026 15:09

Dólar dispara após reeleição de Lula; quais são os impactos para o Turismo?

Forte oscilação ocorreu no primeiro pregão após candidato vencer segundo turno neste domingo (25)

Imagem criada no Chat GPT
Dólar sobe e Bolsa de Valores tem pressão após reeleição de Lula para presidência do Brasil
Dólar sobe e Bolsa de Valores tem pressão após reeleição de Lula para presidência do Brasil

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou forte reação no mercado financeiro nesta segunda-feira (26), com disparada do dólar – que chegou a R$ 5,42 na abertura dos negócios, alta de 8,65% em relação ao fechamento da última sexta-feira (23), quando a moeda encerrou cotada a cerca de R$ 4,99 – e pressão sobre a Bolsa de Valores.

A forte oscilação ocorreu no primeiro pregão após o segundo turno, realizado neste domingo (25), e refletiu a reação dos investidores ao resultado das urnas, que contrariou as expectativas de parte do mercado. Ao longo da manhã de hoje, a moeda chegou a R$ 5,60, avanço de aproximadamente 12,3% em relação ao fechamento anterior.

Mas por que as eleições provocam movimentos tão expressivos no câmbio e na Bolsa? E quais são os reflexos dessas oscilações para o Turismo, setor diretamente exposto às variações cambiais? Para entender o cenário, o Portal PANROTAS conversou com o presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Guilherme Dietze.

Contas públicas e expectativas do mercado

Segundo Dietze, a reação dos investidores está relacionada, principalmente, às preocupações com o crescimento da dívida pública e à perspectiva de equilíbrio das contas do governo. Ele afirma que a dívida passou de aproximadamente 77% do PIB no ano passado para 83% neste ano, cenário que aumenta a apreensão do mercado.

“O governo está gastando mais que arrecada, gerando uma apreensão desse mercado porque, aumentando a dívida, você também pressiona os juros a um patamar elevado”

Guilherme Dietze, da FecomercioSP

Na avaliação do economista, parte dos investidores apostava em mudanças na condução da política fiscal após as eleições. Como o resultado foi diferente do esperado, houve revisão dessas posições, com saída de capital estrangeiro e venda de ações brasileiras, pressionando o câmbio e a Bolsa.

O que esperar do dólar?

Para especialista, ainda é cedo para afirmar se o dólar permanecerá nos patamares observados nesta segunda-feira ou se a cotação vai recuar nos próximos pregões. A trajetória da moeda dependerá, entre outros fatores, dos sinais do governo sobre as contas públicas e das condições do mercado internacional.

PANROTAS / Filip Calixto
Guilherme Dietze, da FecomercioSP
Guilherme Dietze, da FecomercioSP

“O day after, o dia seguinte, é sempre incerto. Não é necessariamente o cenário que vai ficar”, afirma.

O economista ressalta que a reação inicial não deve ser interpretada como uma tendência definitiva. Os próximos dias serão importantes para entender como os investidores vão assimilar o resultado eleitoral e quais serão os sinais da política econômica.

Como a alta do dólar afeta o Turismo?

Para o Turismo, a alta cambial pode pressionar custos em diferentes segmentos, desde o querosene de aviação até o diesel utilizado no transporte rodoviário e a gasolina que influencia serviços como transporte por aplicativo e locação de veículos. Esses efeitos podem repercutir nas despesas das empresas e, dependendo da intensidade e da duração do movimento, nos preços pagos pelos consumidores.

Nas viagens internacionais, a cotação também interfere diretamente no orçamento dos brasileiros, afetando os gastos com passagens, hospedagem e serviços no destino.

Dietze, porém, destaca que a volatilidade pode ser tão prejudicial quanto o próprio patamar da moeda. Quando o câmbio oscila muito, o consumidor tem dificuldade para prever quanto vai gastar e pode adiar a decisão de viajar.

“O consumidor não gosta da volatilidade. Ele pode ter um câmbio estável a R$ 5,60, porque já precifica a sua viagem nesse patamar e sabe quanto deve pagar no cartão de crédito, no hotel, na passagem. O problema é quando tem R$ 5,60, vai para R$ 5,80, depois para R$ 5,40 e para R$ 5,50”

Guilherme Dietze, da FecomercioSP

“Não necessariamente o câmbio elevado vai impactar a viagem, mas essa oscilação certamente impacta a decisão de viagem”, acrescenta o economista.

Cenário ainda exige cautela

Apesar da reação do mercado, Dietze pondera que não é adequado projetar o comportamento futuro da economia brasileira com base apenas no primeiro dia de estresse. Para ele, a situação das contas públicas exige atenção, mas os próximos passos da política econômica serão determinantes para a percepção dos investidores.

“Não vale a pena olhar o primeiro dia, somente para o day after. Vale a pena olhar os dias seguintes para entender de que forma isso vai se consolidar no futuro próximo em relação ao câmbio e às outras medidas econômicas”, afirma.

Para o Turismo, acompanhar a evolução da moeda será fundamental para o planejamento de custos e estratégias comerciais. Mais do que a reação pontual após as eleições, será a trajetória do câmbio nos próximos dias e meses que ajudará a dimensionar os impactos sobre empresas e consumidores.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação