Falta de carros nas locadoras exige reservas com antecedência

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No cenário da pandemia de covid-19, o mercado de locação de automóveis vem se destacando na lenta retomada do Turismo, mostrando bons resultados e, quem sabe, níveis pré-crise do novo coronavírus até o fim de 2020. Entretanto, o setor agora enfrenta um outro desafio que não era esperado: a falta de carros nas montadoras e, consequentemente, nas locadoras.

O tema é capa da Revista PANROTAS desta semana.

“No início da crise, várias locadoras acabaram vendendo frota para se adequar ao momento, fazer caixa e tentar se adaptar para aquela realidade. Esperávamos que, quando a pandemia acabasse, lembrando que ainda não acabou, o mercado voltasse a operar de forma normal e as locadoras conseguissem readquirir os carros para recompor suas frotas. Porém, a indústria automotiva não está nessa mesma velocidade”, pontua o presidente da Abla, Paulo Miguel Jr.

Divulgação
Paulo Miguel Jr., da Abla
Paulo Miguel Jr., da Abla
De acordo com dados da Rentcars.com, no feriado do dia 12 de outubro, com o reaquecimento do Turismo doméstico e, principalmente, terrestre, dos quase 600 pontos de atendimento disponíveis para aluguel de veículos no Brasil, 26% apresentaram indisponibilidade, principalmente os destinos mais procurados. A maior parte das lojas disponíveis em São Paulo estava sem frota e mais de 90% das buscas realizadas para o Aeroporto de Guarulhos não trouxe opções para os usuários.

“Está faltando carro na indústria automotiva até por conta das situações sanitárias da planta ou porque às vezes a cadeia não está preparada para a retomada. Estamos cobrando as montadoras para entregar mais veículos e a expectativa é ter automóveis para locar para a grande demanda de pessoas que não estão viajando de avião, como forma de isolamento, nos meses de alta temporada de dezembro e janeiro.”

ALERTA PARA ANTECEDÊNCIA
Além da natural falta de disponibilidade de automóveis em feriados prolongados, as companhias têm encontrado dificuldades para atender os clientes também nos finais de semana “normais” e dias úteis. A relação alta demanda versus menos carros disponíveis mostra que o setor já reaqueceu e reaquecerá ainda mais, mas a escassez de automóveis no mercado exige antecedência e organização por parte de quem quer viajar.

“A solução para isso é o planejamento. Para quem deseja viajar na alta temporada de verão, por exemplo, não dá para deixar para dezembro, vai faltar carro. O agente de viagens que já passou por períodos complicados, agora que tem demanda, não consegue vender. Por isso, o profissional que se antecipar, avisar o cliente que é preciso alugar com antecedência, será bem lembrado. Temos de ser proativos, este é o momento de criar fidelização”, afirma o CEO da Mobility, Oskar Kedor.

Emerson Souza
Oskar Kedor, da Mobility
Oskar Kedor, da Mobility
Não deixar para a última hora também garante o melhor preço. Os valores de locação são variáveis e oscilam bastante conforme a demanda, assim como acontece com as tarifas de hotéis e passagens aéreas. Portanto, é importante garantir a reserva antecipada não somente para não correr o risco de não conseguir alugar o carro, mas também para não pagar um alto preço – tanto pela própria variação do mercado, quanto pela indisponibilidade de veículos da categoria econômica.

NÍVEIS RECUPERADOS
Embora a queda de receita seja inevitável, Miguel Jr. aponta que a tendência é que o nível, hoje já em 70% de 2019, seja recuperado até o fim de dezembro. Segundo o presidente da Abla, já se esperava uma retomada um pouco mais aquecida, por conta do isolamento de transporte para evitar aglomeração, mas ela veio acima do esperado.

“No primeiro trimestre de 2021 deve estabilizar de novo. Até lá, teremos um período com vendas baixas e recomposição de margens para as agências. Mas estou confiante de que as locadoras vão se recompor rapidamente, mesmo enfrentando essa falta de carros”, finaliza o CEO da Mobility.

Outro ponto que mostra a retomada do setor são os números do balanço da Localiza no terceiro trimestre, com lucro de R$ 325 milhões e crescimento de 18% no faturamento, chegando a R$ 3 bilhões.
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