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Do receio aos elogios: mercado reage à internacionalização da CVC

Surpresa? Talvez nem tanto. Depois de adquirir uma série de empresas brasileiras, a CVC Corp chegou ao Exterior com a compra de três companhias argentinas de uma vez só. Ao desembolsar US$ 19,4 milhões (por volta de R$ 80 milhões), a gigante de viagens abocanhou Biblos, Avantrip e Ola Turismo, nomes ainda pouco conhecidos por aqui.

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Com a bandeira amarela e azul fincada no Brasil, é natural que os próximos passos da empresa presidida por Luiz Eduardo Falco apontem para explorar a América do Sul. Qual será seu modelo de negócio? Os produtos de Brasil serão levados para a Argentina e vice-versa? A distribuição direta é o canal correto? Ainda são muitas as questões a serem levantadas.

Por isso, o Portal PANROTAS repercutiu com líderes da indústria sobre esse novo investimento da gigante do Turismo e se há mais motivos para comemorar ou lamentar.

Emerson Souza
Magda Nassar, presidente da Braztoa
Magda Nassar, presidente da Braztoa
A presidente da Braztoa, Magda Nassar, é uma das primeiras a parabenizar essa empreitada. Principal porta-voz das operadoras brasileiras, Magda avalia que a Argentina é um mercado ideal, pois além da proximidade territorial, trata-se do nosso principal emissor de turistas, com quase 40% dos 6,5 milhões.

Ela recorda, porém, que a CVC Corp não é pioneira ao investir no país vizinho, mas sua entrada merece destaque por ser mais “estruturada”. “É um caminho natural, pois eles conquistaram uma parcela do Brasil, são uma empresa de porte internacional, estão entre as 15 maiores do mundo. Para nós, demonstra a força do Turismo na América do Sul."

Emerson Souza
Ingrid Davidovich, da New Age
Ingrid Davidovich, da New Age
O apetite por crescimento do conglomerado pode abrir espaço para concorrentes do segmento. A diretora da New Age Ingrid Davidovich parte da ideia que empresas de médio porte, como a sua, ganham campo para oferecer atendimento personalizado e desenvolver uma nova relação com os agentes de viagens.

Muito além das commodities, cabe a esses profissionais escolherem as grandes corporações ou empresas com menor alcance, mas focadas em personalização.

O agigantamento da CVC Corp pela América do Sul não é uma preocupação prioritária para ela, uma vez que a oscilação do dólar para cima e para baixo e o cenário político têm impacto direto.

“O lado bom é que mexe com o nosso segmento, demonstra que ele está vivo e há um grande interesse por nossa indústria, que é muito boa e ativa. Isso também mostra lá fora que o Brasil faz esses movimentos [de aquisição] e que aqui há empresas boas e vale a pena investir”, destacou a empresária.

Emerson Souza
Ana Maria Berto, da Orinter
Ana Maria Berto, da Orinter
Quem segue a mesma linha de raciocínio é a diretora da Orinter, Ana Maria Berto. Ainda que acredite que a CVC Operadora se distancie das concorrentes com suas compras, o agente pode ficar “atemorizado” com esse grande alcance.

“Seu poder de compra é bastante diferenciado do restante, mas ela precisa da distribuição do mercado brasileiro. Talvez com seu posicionamento, é possível que a rejeição das agências [pela falta de assistência] aumente”, disse ela.


Emerson Souza
André Pereira, da Nova Operadora
André Pereira, da Nova Operadora

Ainda no campo de operação, o diretor da Nova Operadora, André Pereira, vai contra toda a maré de reprovação que vem a surgir com o avanço da CVC Corp.

Mais focado em luxo, ele entende que as empresas do setor tendem a buscar melhorias e reinvenção de seus negócios.

Em sua visão, a gigante do lazer encabeça um papel de liderança de esforço internacional privado para trazer estrangeiros ao Brasil. Caso essa seja a estratégia, outras companhias podem se beneficiar naturalmente dessa ação.

“Eu quero acreditar que, pela hegemonia da CVC e seu DNA brasileiro, nós venhamos a ter mais passageiros estrangeiros. Com essa promoção, empresas que tenham seu core business em luxo ou bem-estar podem ‘pegar carona’. O mercado só tem a ganhar.”

Emerson Souza
Gustavo Luck, da Luck Receptivo
Gustavo Luck, da Luck Receptivo
O segmento de receptivo pode ser chacoalhado com essa nova atuação da CVC Corp. O diretor da Luck Receptivo, Gustavo Luck, é daqueles que pensam que o mercado tem de se acostumar com esses investimentos. Para ele, a indústria ganha mais visibilidade e força lá fora.

Somente em 2017, a Argentina enviou mais de 2,6 milhões de turistas para o Brasil, apontam números do Ministério do Turismo.

“Os argentinos já vêm muito para cá, inclusive por meio das operadoras que a CVC Corp adquiriu [Trend e Visual]. E com certeza mais viajantes nos visitarão”, acredita o profissional que tem forte presença no Nordeste brasileiro, uma das regiões prioritárias para os hermanos, ao lado do Sul.

Emerson Souza
Aldo Leone Filho, da Agaxtur
Aldo Leone Filho, da Agaxtur

Quando Magda Nassar se referiu ao não ineditismo da CVC Corp em ir à Argentina, ela se referiu a empresas como a Agaxtur. A operadora abriu sua base no país vizinho há 38 anos, como destacou seu presidente, Aldo Leone Filho.

Mas foi recentemente que a expansão em solo argentino ganhou mais força. De escritório novo desde 2017, um dos objetivos principais é oferecer mais produtos e experiências aos agentes.

Um especialista em atuação no destino, diga-se, Leone Filho avalia que a Argentina é como Brasil, um ótimo mercado, porém com altos e baixos. “A CVC Corp tem investido certo. A Decolar [Despegar, da Argentina] está em outros países, certo? Temos de parabenizar mesmo o fato de uma empresa brasileira ir para fora”, finalizou.

Emerson Souza
O diretor de Experiência, Marketing e Vendas do Grupo Rio Quente, Héber Garrido, também enxerga essa ampliação de negócios com bons olhos.

"Essa ação da CVC torna o setor mais forte e relevante na América do Sul. A CVC não é apenas um fornecedor, mas sim um parceiro de décadas do Grupo Rio Quente e estamos muito animados com essa nova oportunidade. O Brasil é um destino muito procurado pelos argentinos, em especial o Nordeste, com grande destaque para Costa do Sauípe e faremos um trabalho em conjunto respeitando os parceiros locais."

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