Schultz encara crise atual como trampolim para fortalecimento

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Alexandre Campbell
Aroldo Schultz, presidente da Schultz Operadora
Aroldo Schultz, presidente da Schultz Operadora
Ao fim de mais uma convenção de vendas realizada no Vila Galé do Cabo de Santo Agostinho em Pernambuco, Aroldo Schultz se diz satisfeito com o resultado obtido nos três dias de evento, que ele afirma ser um dos principais do ramo no Brasil. O time de 250 agentes de viagens presentes, vindos de 122 cidades e 22 estados é, segundo ele, de alto nível profissional e foram pincelados pelos seus representantes em diversas cidades do país. “Cada agente presente multiplica por dez o número de clientes atingidos. É muito importante para nós realizá-la porque é o momento que estamos com os clientes que vendem e os clientes potenciais”, diz Schultz.

Abaixo, Schultz responde a algumas perguntas que envolvem o momento atual do mundo, amedrontado pelo coronavírus, e as perspectivas da empresa com o mercado brasileiro.

Portal PANROTAS: Até que ponto o momento delicado do mundo afeta a vida profissional do agente de viagens?

Aroldo Schultz: O coronavírus pode aumentar o respeito ao agente de viagens. Tenho certeza de que o cliente que comprou pela internet está enfrentando um problema imenso. Já o que comprou com um agente de viagens segue tendo problema também, mas ele terá um apoio, um suporte, uma resposta pois ele tem um responsável cuidando. Portanto, esse cliente terá uma camada extra de segurança. O mundo e o mercado precisam refletir a importância do agente de viagens.

PP: Como a Schultz está concorrendo com empresas grandes como a CVC e a Visual no âmbito doméstico?

AS: Quando nós falamos em concorrer com empresas do porte de uma CVC, Visual ou Trend, eu digo que a Schultz é incomparável a elas porque nós vivemos de lucro e não de especulação. A nossa tendência neste momento de instabilidade é persistir, fazer ajustes rápidos e conseguir achar um rumo. E nós já estamos fazendo isso. Competir com essas empresas que não vivem de lucro é difícil, eu nem os considero meus concorrentes.

PP: Quais são os planos da Schultz para o Turismo doméstico? Quais são os diferenciais?

AS: Nós já estamos trabalhando e o nosso diferencial é focar no destino e formatar um produto para ele. Vender hotel é com o Booking, que é um site excelente. Um produto é muito mais do que um hotel, é serviço, guia, restaurante, atividade, é a soma de tudo isso. Formatamos o produto Jalapão, orientamos o nosso fornecedor e hoje é um dos destinos que mais vendemos no Brasil. E temos mais destinos a formatar como o Mato Grosso do Sul e o Pará, sobretudo a Ilha de Marajó e Belém, para onde estou indo agora. Temos a intenção de criar um produto diferente também no sul do Brasil.

O Brasil é lindo. Há quase seis anos que eu vivo fora e percebo o quanto o Brasil é um País rico e o tanto que desprezamos as suas belezas. Em Portugal eu desenvolvi roteiros de Small Groups e hoje nós somos o maior operador português de roteiros, não de volume de vendas. Eu quero trazer esse aprendizado que adquirimos lá para o Brasil, mas pra isso precisamos de parceiros. A Schultz não vai abrir escritórios pelo País inteiro, o que precisamos é de bons receptivos, de empresas que queiram arriscar, investir e não temer riscos. Quem tiver interesse que me procure, eu estou buscando parceiros para desenvolver Small Groups no Brasil.

PP: De que forma a Schultz está enfrentando o problema do coronavírius?

AS: O que está acontecendo é o maior desastre da indústria do Turismo mundial. Acredito que terá um reflexo imenso. Tem empresas que dão comissões muito altas e não têm lucro. Empresa não vive de venda e sim de lucro. Vender é fácil, o difícil é ter lucro. Uma empresa ou vive de lucro ou de especulação financeira. As empresas da Schultz vivem de lucro, as que não têm lucro vão sentir agora, e muitas podem quebrar. O momento atual está difícil para o Turismo, com lucro a empresa pode resistir um pouco mais. Temos reserva e continuaremos trabalhando firme com os agentes de viagens, que são peça fundamental dentro da cadeia de distribuição. Eles conhecem os fornecedores, sabem quem é sério.

PP: A convenção reforçou a parceria da Schultz com os fornecedores?

AS: A nossa relação com os fornecedores é muito próxima. Nós somos bons clientes e eles, ótimos fornecedores. Como empresário, eu não conheço nenhum evento, nem ABAV, nem AVIESP, nem WTM que se consiga em dez minutos dar um recado para 122 cidades diferentes. A Schultz é um coronavírus, espalha rápido.

PP: E a saúde da Schultz, anda boa?

AS: A nossa empresa está estável. Nesse momento de crise, no qual não se está vendendo nada, nós temos capital guardado para pagar os funcionários por até 4 meses. Depois disso teremos que rever. Não somos fabricantes de dinheiro, mas temos reservas sim. A grande vantagem da Schultz é que o custo fixo é baixo. Na crise de 2016 eu terceirizei quase todos os meus comerciais, que se tornaram empresas que me representam. Temos sedes próprias e não temos lojas em shopping centers. Eu considero a Schultz uma das empresas mais enxutas do Brasil. E, o melhor, com uma equipe preparada para mudanças. Se o coronavírus continuar, mudaremos as regras. Tem males que vêm para o bem. Muitas empresas que usam o dinheiro das vendas vão fechar e, tecnicamente, acabará vindo vendas para nós. Quem ficar sairá mais forte.

Alexandre Campbell especialmente para o Portal PANROTAS
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