Braztoa: 50% das operadoras prevê alta nas vendas durante o segundo semestre
Viagens em grupo e grandes eventos aparecem entre as principais apostas para a segunda metade do ano

O segundo semestre aponta para um ritmo positivo de vendas e reservas entre as operadoras de Turismo, mas acompanhado de atenção a um conjunto de fatores que podem influenciar o comportamento da demanda e os custos nos próximos meses, segundo levantamento da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) com suas associadas.
O Boletim Braztoa revelou que 50% das operadoras afirmam que o ritmo de vendas do segundo semestre está acima ou muito acima do mesmo período de 2025 (42,86% acima e 7,14% muito acima). Outros 35,71% consideram as vendas em linha com 2025 e apenas 3,57% apontam desempenho abaixo do ano passado.
“Os indicadores mostram que existe demanda e que o segundo semestre começa com um ritmo positivo. Ao mesmo tempo, as operadoras estão acompanhando um cenário com muitas variáveis, desde as eleições e a economia até questões geopolíticas, cambiais e de conectividade aérea. Essa combinação exige planejamento, agilidade e capacidade de adaptação”
Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa
Destinos com maior potencial de crescimento

Entre os destinos e mercados apontados pelas operadoras com maior potencial de crescimento até o final do ano, Orlando e Europa estão entre os mais citados, seguidos por referências ao Caribe e a destinos como Cancún e Punta Cana, além de Chile e África do Sul.
Também aparecem nas respostas Japão, Argentina, México, Egito, Canadá, China, Tunísia, Tailândia e Turquia. No Brasil, Foz do Iguaçu, Gramado, João Pessoa e Bonito aparecem entre as apostas das operadoras.
Grupos, eventos e experiências são as apostas

Além dos destinos, as operadoras identificam oportunidades em diferentes formatos de viagem. Viagens em grupo e grandes eventos aparecem entre as principais apostas, assim como Turismo esportivo, resorts, produtos personalizados, experiências e viagens voltadas a nichos específicos.
Também são citados shows, cruzeiros e experiências diferenciadas, além de destinos considerados mais exóticos, como Antártica e experiências relacionadas à Aurora Boreal.
Esse movimento acompanha uma tendência observada também no primeiro semestre: a valorização de produtos premium, personalizados e voltados a interesses específicos. As expectativas para o segundo semestre também dialogam com as tendências apontadas no Olhar Braztoa, lançado no início do ano, que identificou experiências com potencial de ganhar força ao longo de 2026.
Um movimento especialmente interessante apontado pelas respostas é a busca por novas experiências em destinos já conhecidos: viajantes que já visitaram determinado destino passam a procurar novas formas de vivenciá-lo, criando oportunidades para produtos e roteiros mais personalizados.
Feriados devem favorecer principalmente o Turismo nacional

Os feriados prolongados do segundo semestre (7 de Setembro, 12 de Outubro, Finados e Consciência Negra) são vistos pelas operadoras como oportunidades principalmente para o mercado doméstico.
Cerca de 44% das empresas esperam contribuição moderada dos feriados para as vendas nacionais, enquanto 28% acreditam que eles poderão impulsionar significativamente os negócios. Outros 20% avaliam que o impacto será limitado e 8% não esperam impacto relevante. Assim, 72% das operadoras projetam algum nível de contribuição moderada ou significativa dos feriados para as viagens nacionais.
Para as viagens internacionais, a expectativa é mais contida: 35,7% esperam impacto limitado, 32,1% contribuição moderada e 14,2% um impulso significativo. Outros 14,2% não esperam impacto relevante.
Principais desafios do segundo semestre

As eleições presidenciais de 2026 aparecem como o principal ponto de atenção das operadoras, ao lado de possíveis instabilidades políticas e econômicas. Entre os fatores de preocupação também estão inflação, juros, câmbio, questões fiscais e endividamento.
No cenário internacional, os conflitos no Oriente Médio e eventuais novas crises podem afetar a demanda e a operação aérea, com impactos sobre preços, disponibilidade de voos, cancelamentos e conectividade. O câmbio também segue como desafio para os produtos internacionais.
Na gestão, por sua vez, a Reforma Tributária entra no radar pelos possíveis efeitos sobre custos, margens e comercialização. Combustíveis, custos financeiros, inadimplência e mudanças regulatórias completam a lista de desafios para o segundo semestre.