Transporte por fretamento ganha nova infraestrutura de distribuição digital
CEO da Fretatech analisa como nova camada digital pode redefinir competitividade no setor

André Soares, CEO da Fretatech apresenta, em artigo, uma transformação em curso no transporte terrestre por fretamento, destacando como o setor — historicamente fragmentado e dependente de processos manuais e intermediários — começa a evoluir para um modelo mais integrado e digital.
Confira o conteúdo na íntegra:
O transporte terrestre por fretamento ganha sua própria infraestrutura de distribuição
"O transporte aéreo só se tornou verdadeiramente global quando criou uma infraestrutura de distribuição. Plataformas como Amadeus, Sabre Corporation e Travelport permitiram que agências, operadoras e plataformas acessassem milhares de voos através de um único sistema. Isso transformou completamente a indústria.
O transporte terrestre por fretamento — apesar de movimentar milhões de passageiros todos os anos em Turismo, eventos e mobilidade corporativa — nunca teve uma infraestrutura semelhante.
Até agora.
Durante décadas, o setor evoluiu baseado em relações comerciais diretas, consultas individuais e processos operacionais fragmentados. Quando uma operadora, OTA, TMC ou empresa precisa contratar transporte terrestre por fretamento, o processo geralmente envolve múltiplos contatos com diferentes fornecedores, negociações paralelas e baixa visibilidade de oferta.
Para evitar essa complexidade operacional, muitas empresas acabam recorrendo a intermediários especializados, que centralizam as cotações e viabilizam a contratação junto às transportadoras. Embora esse modelo simplifique a operação para quem contrata, ele também adiciona uma nova camada de intermediação ao processo, normalmente com a aplicação de margens comerciais adicionais sobre o serviço.
Na prática, isso significa que um mercado já fragmentado acaba operando com menos transparência de oferta e custos mais elevados, tanto para quem contrata quanto para quem opera o serviço.
Além disso, cada transportadora possui sua própria estrutura comercial, seus próprios processos e, muitas vezes, pouca integração tecnológica. O resultado é um mercado altamente fragmentado, mesmo sendo responsável por uma parte relevante da logística de mobilidade em turismo, eventos e transporte corporativo.
Ao mesmo tempo, o próprio mercado começa a exigir algo diferente. Plataformas digitais, OTAs, operadoras, TMCs e empresas que atuam com mobilidade corporativa cada vez mais precisam de integração, escala e eficiência operacional.
A contratação de transporte terrestre passa a exigir a mesma lógica que já existe em outros segmentos do Turismo: acesso centralizado à oferta, padronização de processos e integração tecnológica.
Em diversos setores, quando mercados fragmentados atingem determinado nível de maturidade, surge uma nova camada de infraestrutura responsável por conectar oferta e demanda.
No transporte aéreo, essa camada foi criada pelos GDSs. No mercado de pagamentos, empresas como Stripe criaram a infraestrutura que permitiu que qualquer empresa incorporasse pagamentos diretamente em seus sistemas.
Algo semelhante começa a acontecer agora no transporte terrestre por fretamento. Uma nova camada de infraestrutura começa a surgir no setor: a distribuição digital de transporte terrestre por fretamento.
Uma rede capaz de conectar transportadoras que operam ônibus, micro-ônibus, vans e carros executivos a empresas que precisam contratar esses serviços em escala. Chamamos essa nova camada de mercado de: Charter Ground Distribution. Uma infraestrutura de distribuição digital que conecta transportadoras de fretamento a empresas do trade através de uma única rede.
Na prática, trata-se de uma infraestrutura que permite que operadoras, OTAs, TMCs e plataformas consultem preço e disponibilidade de múltiplos fornecedores através de uma única busca, acessando uma rede de transportadoras conectadas ao sistema.
Para o trade, isso representa acesso centralizado à oferta e maior eficiência na contratação. Para as transportadoras, significa a possibilidade de acessar novos canais de demanda e ampliar sua presença comercial dentro do ecossistema do turismo e da mobilidade corporativa.
É exatamente nesse contexto que a Fretatech desenvolveu uma infraestrutura própria para operar essa rede: o CGD Fretatech, um sistema que funciona como um GDS especializado em transporte terrestre por fretamento.
Uma infraestrutura que conecta empresas do trade a uma rede de transportadoras de fretamento, permitindo consultar preço e disponibilidade de múltiplos fornecedores em uma única consulta. O acesso pode ser feito através de um painel operacional, onde operadoras e TMCs conseguem pesquisar e contratar serviços diretamente, ou por integração via APIs, permitindo que plataformas, sistemas de gestão e aplicativos incorporem o transporte terrestre diretamente em seus fluxos de operação.
Na prática, isso cria uma nova camada de distribuição para um mercado que historicamente operou de forma descentralizada. A infraestrutura de distribuição para transporte terrestre por fretamento começa a se consolidar.
Algumas TMCs e empresas do setor já operam conectadas a essa nova rede, acessando fornecedores e oportunidades de forma muito mais eficiente. Para transportadoras, isso representa novos canais de demanda. Para operadoras, OTAs e plataformas, significa acesso centralizado a uma oferta muito mais ampla e com melhores margens.
Como acontece em toda transformação estrutural de mercado, empresas que se conectam mais cedo tendem a ganhar vantagem competitiva.
A pergunta que o mercado precisa se fazer não é se essa transformação vai acontecer.
As perguntas agora são outras:
Qual será o impacto competitivo para quem demorar a fazer parte dela?
Quem vai fazer parte dessa nova camada de distribuição — e qual o risco de ficar fora dela?"